03/07/2026
Drama Histórico

Malês

Salvador, meados dos anos de 1830. Um grupo de homens e mulheres escravizadas se revolta e luta pela libertação, num movimento que ficou conhecido como Revolta dos Malês. No Telecine.

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Nome fundamental do audiovisual brasileiro, Antônio Pitanga atuou em filmes importantes, como A Grande Feira (1961), Barravento (1962), Ganga Zumba (1963), A Mulher de Todos (1969), Juliana do Amor Perdido (1970), A Idade da Terra (1980) e Garotas do ABC (2003). Seus mais de 60 anos de carreira permitiram-lhe trabalhar com cineastas como Glauber Rocha, Carlos Reichenbach, Rogério Sganzerla, Cacá Diegues, Beto Brant e muitos outros. Na direção, no entanto, só assinara um filme: Na Boca do Mundo, de 1979, que protagonizou ao lado de Norma Bengell. 

Malês, sua segunda incursão como cineasta, parte da Revolta dos Malês, para dar visibilidade a um acontecimento pouco retratado nos livros de história – que já rendeu uma série, que foi editada numa versão de cinema, dirigida por Jeferson De e Belisario Franca, lançada em 2021. Trabalhando com um roteiro de Manuela Dias (autora principal da nova versão da novela Vale Tudo), Pitanga combina fatos históricos com dramas pessoais de personagens cujos destinos são marcados pela rebelião, que aconteceu em Salvador em 1835.

Partindo de pontos de vista pessoais, Pitanga entrelaça história com drama, mostrando como as feridas históricas ardem na pele das pessoas. O filme, no entanto, não deixa de lado figuras históricas, e estas se colocam ao centro. Os líderes muçulmanos da revolta são Pacífico Licutan, Manuel Calafate e Luis Sanim, são interpretados, respectivamente, por Antônio Pitanga, Bukassa Kabengele e Thiago Justino. Ao lado de outras pessoas escravizadas, eles lutaram pela liberdade de todos e todas e pela autonomia religiosa. 

Camila Pitanga, por sua vez, é Sabina, uma mulher consciente da opressão, e, ao mesmo tempo, preocupada com vida do marido, envolvido na revolta. Já Rocco Pitanga é Dassalu, que no Reino de Oyó, na África, em 1830, prepara-se para casar com Abayome (Samira Carvalho). Mas a cerimônia é invadida por uma tribo rival e o casal, separado, é levado para o Brasil, onde o rapaz é vendido para a cruel fazendeira Mamãe A (Patrícia Pillar) e conta com a ajuda de Ahuna (Rodrigo de Odé) para tentar encontrar a noiva. 

A direção de arte, assinada por Rafael Cabeça, e a fotografia de Pedro Farkas, fazem um belo trabalho de reconstituição de época, e as atuações são todas muitos bem equilibradas. O problema é o excesso de personagens e situações, que acabam diluindo um pouco a narrativa. Mas, de qualquer forma, é um prazer ver novamente Pitanga na tela, dessa vez, dirigindo Camila e Rocco – um trabalho em família.

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