05/06/2026
Drama

Caso 137

Há 20 anos na polícia, Stéphanie passou a trabalhar como investigadora na corregedoria. E cai sob sua responsabilidade investigar os excessos de integrantes de um batalhão de elite contra um jovem manifestante, num dia de passeatas em Paris, em 2018. Nos cinemas.

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Dois anos após A Noite do Dia 12, vencedor de seis prêmios César, o diretor Dominik Moll volta ao universo policial mais uma vez para mostrar o seu avesso, Caso 137 - dando oportunidade a mais uma excelente atuação da atriz francesa Léa Drucker, que venceu seu segundo César, somando-se àquele obtido como protagonista do impactante Custódia (2017).

Léa interpreta Stéphanie, investigadora do IGPN, a corregedoria da polícia, que é encarregada de um dos inúmeros casos de violência de um batalhão de elite numa das manifestações dos Coletes Amarelos, em 2018. Dois integrantes do batalhão - normalmente, encarregado de operações antiterroristas - dispararam balas de borracha, que atingiram na cabeça um adolescente desarmado, Guillaume (Côme Peronnet), causando-lhe sérios danos.

O roteiro de Gilles Marchand toca numa ferida, ao expor uma discussão sobre a violência policial crescente que está sendo objeto de escrutínio na França, por suas implicações sobre a própria democracia. E o faz de maneira conscienciosa, abordando a questão de maneira não-maniqueísta. 

Stéphanie é uma profissional extremamente rigorosa e ética, capaz de enxergar os dois lados da questão, já que é policial há 20 anos. Mas este caso, para ela, tem algum lado pessoal - ela nasceu em St. Diziers, lugar de origem do jovem ferido, de uma família de trabalhadores e que veio a Paris pela primeira vez naquela ocasião.

O filme cresce muito nesse esforço da investigadora para desvendar os detalhes do incidente, expondo também os mecanismos da própria instituição policial para proteger os seus mesmo quando se excedem. De certa maneira, sua personagem tem afinidade com o jovem procurador de Dois Procuradores, de Sergei Loznitsa, que, como o filme de Moll, concorreu à Palma de Ouro em Cannes 2025. Ambos são idealistas e éticos, mas Stéphanie é mais experiente para conduzir os meandros de sua investigação. De todo modo, ambos encarnam um tema candente, a possibilidade de sustentar a ética diante de um aparato estatal mais preocupado com a autopreservação do que com a proteção das liberdades individuais.

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