Raramente, títulos genéricos que são dados no Brasil fazem sentido. Mas, no caso de Golpe Explosivo tem tudo a ver. É raro, mas acontece. O novo longa de David Mackenzie tem, ao centro, a explosão de uma bomba e um golpe. Nada disso é, exatamente, um spoiler, afinal já está tudo no trailer, que mostra bem mais do que deveria, aliás.
Mackenzie, que tem no currículo o ótimo A qualquer custo, cria dois pontos de tensão muito bem construídos a partir do roteiro de Ben Hopkins. Uma antiga bomba da Segunda Guerra é encontrada durante uma escavação para uma construção em Londres. Com receio da detonação, todo raio é esvaziado, e as pessoas são obrigadas a sair de suas casas, apartamentos, comércios e afins. Ao mesmo tempo, é acionado um militar especialista em desarmar bombas, Will (Aaron Taylor-Johnson), que trabalha com uma pequena equipe, e responde à chefe de polícia local, Zuzana (Gugu Mbatha-Raw). Impedir ou minimizar a explosão da bomba depende de sua precisão.
Na outra ponta narrativa está um grupo de ladrões sofisticados, liderados por George Karalis (Theo James) e X (Sam Worthington), que estão num apartamento ao lado de um banco, que irão invadir enquanto a região está vazia. Aí, novamente, Mackenzie cria uma tensão enervante, pois o roubo também pode ser descoberto polícia.
Se, por um lado, é fácil imaginar alguns caminhos do filme, as reviravoltas somam novos elementos de tensão inesperada que se acumula com a violência que passa a dominar os personagens. Mackenzie, como já demonstrara em outros filmes, não faz concessões fáceis, e a melhor dela é o final, que traz um inesperado epílogo.
O filme se recusa a fazer julgamentos morais, pois seu interesse está mesmo na maneira como golpes atravessam a narrativa, e se atravessam. A força da narrativa está em não desperdiçar nenhuma cena, personagem ou evento. Nada é gratuito e tudo se soma de maneira a acumular camadas de detalhes.
Para que essa sinfonia do caos aparente funcione, o longa depende de seu elenco, e, aqui, não há um ator ou atriz fora de lugar. Tudo muito bem sintonizado, em especial Mbatha-Raw, como a policial honesta e sagaz. Mas são Taylor-Johnson e James que dominam o show com personagens perversos e patéticos em medidas iguais.
