03/06/2026
Suspense

Golpe Explosivo

Will é um militar especialista em desarmar bombas antigas, e é chamado quando um artefato da Segunda Guerra é encontrado numa escavação em Londres. Enquanto ele tenta neutralizar o explosivo, um banco está sendo roubado num esquema sofisticado.

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Raramente, títulos genéricos que são dados no Brasil fazem sentido. Mas, no caso de Golpe Explosivo tem tudo a ver. É raro, mas acontece. O novo longa de David Mackenzie tem, ao centro, a explosão de uma bomba e um golpe. Nada disso é, exatamente, um spoiler, afinal já está tudo no trailer, que mostra bem mais do que deveria, aliás. 

Mackenzie, que tem no currículo o ótimo A qualquer custo, cria dois pontos de tensão muito bem construídos a partir do roteiro de Ben Hopkins. Uma antiga bomba da Segunda Guerra é encontrada durante uma escavação para uma construção em Londres. Com receio da detonação, todo raio é esvaziado, e as pessoas são obrigadas  a sair de suas casas, apartamentos, comércios e afins. Ao mesmo tempo, é acionado um militar especialista em desarmar bombas, Will (Aaron Taylor-Johnson), que trabalha com uma pequena equipe, e responde à chefe de polícia local, Zuzana (Gugu Mbatha-Raw). Impedir ou minimizar a explosão da bomba depende de sua precisão.

Na outra ponta narrativa está um grupo de ladrões sofisticados, liderados por George Karalis (Theo James) e X (Sam Worthington), que estão num apartamento ao lado de um banco, que irão invadir enquanto a região está vazia. Aí, novamente, Mackenzie cria uma tensão enervante, pois o roubo também pode ser descoberto polícia.

Se, por um lado, é fácil imaginar alguns caminhos do filme, as reviravoltas somam novos elementos de tensão inesperada que se acumula com a violência que passa a dominar os personagens. Mackenzie, como já demonstrara em outros filmes, não faz concessões fáceis, e a melhor dela é o final, que traz um inesperado epílogo.

O filme se recusa a fazer julgamentos morais, pois seu interesse está mesmo na maneira como golpes atravessam a narrativa, e se atravessam. A força da narrativa está em não desperdiçar nenhuma cena, personagem ou evento. Nada é gratuito e tudo se soma de maneira a acumular camadas de detalhes.

Para que essa sinfonia do caos aparente funcione, o longa depende de seu elenco, e, aqui, não há um ator ou atriz fora de lugar. Tudo muito bem sintonizado, em especial Mbatha-Raw, como a policial honesta e sagaz. Mas são Taylor-Johnson e James que dominam o show com personagens perversos e patéticos em medidas iguais. 

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