16/09/2026
Drama

Feito Pipa

Gugu é um menino de quase 12 anos, sonhador e apaixonado por futebol, que vive com a avó Dilma, uma professora aposentada que o cria de forma livre e afetuosa, depois que sua mãe morreu e seu pai, Batista, casou-se com outra mulher. A relação do garoto com o pai é tensa, porque ele não aceita certas características do filho, como usar enfeites e gostar de dançar. Avó e neto moram ao lado da barragem de Araújo Lima que, após anos de seca, começa a revelar as ruínas de uma antiga cidade submersa, trazendo à tona lembranças que mudaram a vida da família.

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Por onde passa, desde sua première mundial no Festival de Berlim, Feito Pipa, de Allan Deberton, tem exercido um efeito encantatório, levando públicos muito diferentes a entrar na onda de emoções delicadas que recobre o tratamento de temas sérios e necessários, como o da infância queer aqui contemplado e que ganha brilho nas atuações infantis, a começar pelo protagonista Yuri Gomes, já premiado no festival internacional, em Guadalajara.

Partindo de um roteiro de André Araújo, Deberton, o premiado diretor de Pacarrete - vencedor de 8 troféus em Gramado -  mergulha na vida de Gugu (Yuri Gomes), menino de 11 anos, órfão de mãe, criado pela avó Dilma (a extraordiinária Teca Pereira), enquanto seu pai, Batista (Lázaro Ramos), formou família com uma nova mulher (Georgina Castro), com quem tem uma filha e aguarda o nascimento de outro bebê.

O filme é encantador em sua criação de um mundo todo particular, em que Gugu luta contra a homofobia na escola, já que ele é um menino que, além de jogar futebol, gosta de usar camisetas e enfeites femininos e adora dançar, como a avó. Esse comportamento incomoda o pai, que tenta enquadrar o menino no seu modelo de masculinidade, mas encontra pela frente a resistência de Gugu e dessa avó, que também luta contra os estereótipos impostos às pessoas mais velhas - gostando de namorar e dançar forró. 

Feito Pipa privilegia a busca do espaço da imaginação e do sonho para conquistar um lugar melhor e encanta na sua delicadeza, com a vantagem de não dispensar a discussão de ainda outros temas sérios, como o impacto ambiental das represas e a perseguição aos ativistas. Também tem a qualidade de não estereotipar a figura desse pai em conflito com a sexualidade do filho, com um ator da qualidade de Lázaro Ramos sendo capaz de extrair outras camadas desse homem comum brasileiro, que não deixa de ser amoroso e protetor. 

Confira as entrevistas do diretor Allan Deberton e dos atores Lázaro Ramos e Teca Pereira em nossas redes.

 

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