Para Guerra, a evolução dos métodos de animação não implica a extinção dos mais antigos. O que acontece é uma adaptação. “Embora meu filme tenha o visual mais tradicional, foi inteiramente feito em computador”, conta o diretor.
Baseado nas famosas tiras de Angeli, Wood & Stock mostra dois amigos hippies que tentam sobreviver ao avanço do século XXI. Guerra planeja lançar o filme em circuito comercial entre agosto e setembro e espera ter uma boa resposta do público. “O longa foi exibido em dois festivais, Recife e aqui, e foi bem recebido pelo público”, avalia.
O cineasta trabalha nesse projeto há mais de dez anos. Foram feitos cerca de 40 mil desenhos para a produção do longa.
Já o curta Para Chegar Até a Lua tem um visual completamente diferente. Para contar a história de uma pequena mosca que sonha em chegar à Lua, o diretor Hiertz utilizou animação em computador que dá uma profundidade diferente às imagens.
Apesar do bom resultado do filme na tela, o diretor disse que ainda não sabe se pretende se dedicar à animação e se tornar um novo Carlos Saldanha (o diretor de A Era do Gelo 2). Ele diz que seus interesses são outros e não pensa em fazer uma carreira no exterior.
Longas latinos - Em competição, na noite de domingo do XVI Cine Ceará, foram exibidos dois documentários latinos, o mexicano Al Otro Lado e o equatoriano O Comitê. O primeiro aborda a imigração ilegal mexicana para os EUA usando um viés pouco explorado: os ‘corridos’. Esse estilo musical é típico da região da fronteira entre os dois países, constituindo-se de crônicas sobre a vida dos imigrantes ilegais.
A diretora Natalia Almada, que está em Fortaleza, contou que esse tipo de música é muito popular, porque fala diretamente com os mexicanos, abordando os problemas que enfrentam. Trabalhando entre Los Angeles e sua terra natal, a diretora contou que não teve restrições para fazer seu filme – nem com os policiais da fronteira. “Eles gostam muito de mostrar o trabalho que fazem, sentem orgulho quando conseguem impedir que mexicanos entrem no país”, explicou.
Já o longa equatoriano faz uma radiografia dos centros de reclusão do país. A realidade dos presídios ali chega a lembrar a do Brasil. Além da superlotação, os presídios têm pouca segurança para os funcionários e visitantes. Tanto que em sua última parte, o filme mostra lances mais dramáticos, quando mais de 300 pessoas foram tomadas como reféns no Penal García Moreno, o mais importante de Quito.
A noite de domingo encerrou com mais dois curtas, além de Para Chegar à Lua. Viva Volta, de Heloísa Passos, mostra o trabalho do trombonista brasileiro Raul Souza, que caiu no esquecimento depois de fazer um enorme sucesso em todo o mundo na década de 70. Também Sou Teu Povo, dos cearenses Orlando Pereira e Franklin Lacerda, apresenta a realidade dos travestis de Juazeiro do Norte, na região onde ocorrem algumas das maiores romarias do país.
