15/06/2026

XVI Cine Ceará: Ótima produção peruana fecha a mostra de longas com qualidade

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O longa peruano Madeinusa, de Claudia Llosa, fechou a mostra competitiva nessa noite de quarta-feira do 16º Cine Ceará. Uma surpresa vinda dos Andes, a produção impressionou com seu visual barroco e uma história de sincretismo religioso. O título é o nome de uma moça indígena de 14 anos, que vive na região andina, com o pai e a irmã mais nova.

Logo no início Madeinusa (Magaly Solier) é escolhida para representar uma santa numa procissão numa festa chamada de Tempo Santo. Nessa celebração, durante três dias, todos os pecados são permitidos, pois, segundo a crença local, Deus morreu, e só ressuscita no terceiro dia. Porém, ela conhece o geólogo Salvador (Carlos De La Torre) que está de passagem pelo vilarejo e os dois acabam se envolvendo. A moça vê nele sua tão sonhada oportunidade de sair daquele lugar e ir para Lima. As conseqüências dessa união serão trágicas.

Presente em Fortaleza está Marina Farfan, produtora executiva de Madeinusa, disse que todos os rituais mostrados no filme são resultado de uma mistura de crenças e tradições de diversas regiões, mas o objetivo do longa não é mostrar um determinado local apenas – mas, sim, o sincretismo religioso típico do país. “Porém, tudo foi rodado em locações, e vários figurantes são moradores da região”, explicou Marina.

Madeinusa é uma co-produção com a Espanha, e Marina explicou que só assim é possível se produzir em seu país. “O governo também oferece ajudas, com criação de leis e agencias. Esse apoio existe desde 1992, e aumentou o número de longas. Mas, ainda assim, fazemos de 4 a 6 filmes por ano”, explica. Antes disso, um filme era feito a cada 2 ou 3 anos.

Madeinusa já foi lançado na Espanha, mas não no Peru ainda. “O filme foi selecionado para um festival no nosso país, e irá estrear logo depois, em setembro”, explicou Marina. Para o Brasil ainda não há previsão de lançamento.

Entre os curtas exibidos no último dia de competição, o destaque é o carioca Meus Amigos Chineses, de Sergio Sbragia, que conta uma história autobiográfica, nos anos 60. O personagem é um menino que coleciona selos de diversos países, e fica amigo de uns chineses que moram no seu prédio. Tempos depois, os estrangeiros são presos, acusados de comunismo e expulsos do país. Apesar do teor de reminiscências, o diretor contou que fez uma série de pesquisas para compor o curta.

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