08/08/2026

10º Fica consagra cineasta francês

O mais aguardado prêmio do 10º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica), na cidade de Goiás (GO) foi para a França. O cineasta Jerôme Raynaud levou para a casa o Troféu Cora Coralina, para Melhor Obra do Festival, pelo seu tocante Jaglavak - O Príncipe Dos Insetos.

Durante o evento, uma surpresa: o Troféu Carmo Bernardes, dirigido ao melhor longa-metragem, terminou em empate. O mineiro Sumidouro, de Cris Azzi, e o instigante Delta - O Jogo Sujo do Petróleo, do grego Yorgos Avgeropoulos, dividiram o palco e o prêmio.

Algumas pessoas na platéia questionaram a falta de um “voto de minerva” para resolver a situação e acreditaram que era embaraçoso dividir o cheque. Outra parcela dos participantes argumentou, por outro lado, que o prêmio deveria ser integral para cada um dos cineastas. Como não havia precedentes, o caso foi encerrado rapidamente, com a garantia de que o regulamento será mais claro na próxima edição.

Outro destaque da premiação foi o diretor inglês Adrian Cowell, Seu filme Batida na Floresta, co-produção entre Inglaterra e Brasil, foi duplamente aplaudido ao vencer o Troféu Jesco von Puttkamer e o Troféu Imprensa, concedido pelos jornalistas que cobriram o 10º Fica.

Lições Tardias para Avisos Antecipados, do dinamarquês Jakob Gottschau também foi duplamente agraciado. Além de ser reconhecido como a Melhor Série Ambiental de TV, recebeu também o Troféu Júri Popular Luiz Gonzaga Soares, como melhor obra.

Os dois prêmios especiais para a melhor produção goiana, os troféus José Petrillo e João Bênio, foram entregues Luiz Eduardo Jorge, por Subpapéis, e Adriana Rodrigues, por Benzeduras.

O Prêmio Especial do Júri coube ao filme Veludo Vermelho, dirigido por Klaus Reisinger, da França.

Foi premiado ainda Zona de Diluição Inicial, do francês Antoine Boutet como o Melhor Curta-metragem.

Jaglavak - O Príncipe Dos Insetos
A produção de Jerôme Raynaud sai com merecidos aplausos do festival. Sem ser piegas e munido de um farto material, o diretor mostra como vivem os habitante de uma pequena aldeia localizadas nas montanhas ao Norte da República dos Camarões.

Apegados a tradições seculares, como pedras mágicas para fazer chover, o povo Mofu vive em harmonia com seu meio, em especial com o insetos. No entanto, quando uma praga de cupins ameaça por abaixo as rústicas construções do vilarejo, o líder dos Mofu se vê obrigado a pedir ajuda a Jaglavak, uma espécie de formiga guerreira, muito agressiva e perigosa.

Em uma das cenas, vê-se o idoso ensinando a uma criança que se trata de um inseto sagrado por ser astuto e trabalhar coordenadamente. “Há notícias de que os Jaglavak mataram um leão”, diz.

Um dos pontos fracos de toda a projeção foi a inadequada dublagem do filme. Ela não apenas extrai boa parte seriedade do projeto, como atrapalha a compreensão dos fatos narrados. Em algumas cenas, os diálogos se assemelham à jovialidade de um desenho animado para crianças, apesar de a cena ser desesperadora.

VI Mostra ABD Cine Goiás
A solenidade de premiação do 10º Fica também revelou os vencedores da VI Mostra ABD Cine Goiás, concedido pela Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas. O destaque desta edição da Mostra foi o documentário O Pesadelo é Azul, de Ângelo Lima.

Além de levar o Troféu de Melhor Filme pelo Júri Popular, Lima acumulou os prêmios de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Montagem e Edição.

A produção mostra o drama causado pelo acidente radioativo ocorrido no ano de 1987, em Goiânia (GO). Na época crianças encontraram tonéis de césio em um terreno baldio. Como o material azul apresentava uma bonita fluorescência no escuro, não demorou muito para a população utilizá-lo para os mais diferentes propósitos – incluindo passá-lo no corpo.

A irresponsabilidade da empresa que deixou exposto um material altamente tóxico, somado à ignorância da população, fez do caso um dos maiores desastres radioativos do mundo. Os danos, como se vêem nos 30 minutos de exibição, são permanentes para centenas de pessoas.

Veja a lista de vencedores:
Troféu Fifi Cunha
- Melhor Curta-metragem: Mocó Jack, de Luiz Botosso e Thiago Veiga.
Prêmio Eduardo Benfica/Troféu Claquete
- Melhor Documentário: A Guerrilha do Araguaia – As faces ocultas da História, de Eduardo Castro.
Troféu Pedra Goiana
- Melhor Trilha Sonora: Mocó Jack, de Luiz Botosso e Thiago Veiga.
- Melhor Animação: Mocó Jack, de Luiz Botosso e Thiago Veiga.
- Melhor Roteiro: A Guerrilha do Araguaia – As Faces Ocultas da História, de Eduardo Castro.
- Melhor Fotografia: A Bicicleta e o Escuro, de Cláudia Nunes.
- Melhor Filme: O Pesadelo é Azul, de Ângelo Lima.
- Melhor Direção: O Pesadelo é Azul, de Ângelo Lima.
- Melhor Montagem e Edição: O Pesadelo é Azul, de Ângelo Lima.
- Melhor Ficção: Ecléticos Corações, de Simone Caetano.
- Troféu de Melhor Filme pelo Júri Popular
O Pesadelo é Azul, de Ângelo Lima
Prêmio Seu Iço
Melhor Filme Ambiental: Subpapéis, de Luiz Eduardo Jorge

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