“Mas eu não queria fazer um documentário com cara de reportagem, por isso tive idéia de dar a mesma cena para os seis fotógrafos iluminarem e filmarem ao seu estilo”, conta a diretora que estréia em longas com esse filme. Todos os diretores entrevistados receberam o mesmo cenário e o mesmo roteiro, e cada um realizou a cena de uma forma.
Para escolher os diretores, Cristina pensou em profissionais que já tivessem uma filmografia reconhecida. “Primeiro escolhi os veteranos que estão trabalhando desde o Cinema Novo – Dib Lutif, Fernando Duarte e Mario Carneiro (morto em outubro de 2007) – e depois, os contemporâneos – Edgar Moura, Pedro Farkas e Walter Carvalho. Todos receberam as mesmas instruções, e cada um foi capaz de criar uma cena com imagens completamente diferentes umas das outras”, explica.
Para isso, todos recebiam o cenário ‘limpo’, com os equipamentos escolhidos e cada um filmou num dia. As cenas foram montadas pela própria diretora, mas os fotógrafos tinham liberdade para interferir. “Eu não tinha pensado nisso, mas quando o Edgar Moura e o Walter Carvalho me ligaram fazendo a mesma pergunta, se poderiam ajudar na montagem, resolvi deixar. Afinal, o filme é deles. Uns mexeram bastante, outros, nem tanto”, conta.
Para a preparação de Iluminados, Cristina fez pesquisas, e descobriu que praticamente não existe um registro sobre os diretores de fotografia no Brasil. Agora, seu documentário surge como uma fonte sobre o assunto.
Agora, Cristina se sente mais próxima dos diretores de fotografia, e compreende melhor sua linguagem. “Claro que não virei uma especialista no assunto, mas passei a compreender que o trabalho deles é baseado em anos de estudo, e nada do que se vê na tela é gratuito”, conclui. A diretora, que foi premiada no Festival de Paulínia, quer fazer um filme nos mesmos moldes mas entrevistando profissionais estrangeiros. “A idéia é os trazer para o Rio, e pedir para filmarem uma gafieira carioca. Mas não apenas fazer o filme, mas também promover oficinas com esses profissionais. Mas para isso, primeiro preciso conseguir investimentos”, conta.
