08/08/2026

Curta brasileiro premiado dialoga com “O bandido da luz vermelha”

Em 2002, quando trabalhava numa locadora, Pedro Jorge, 26 anos, assistiu pela primeira vez ao clássico do cinema marginal O Bandido da Luz Vermelha (1968) em VHS. Ele ficou tão impressionado com o filme que, sete anos depois, realizou um documentário sobre o longa, chamado A Vermelha Luz do Bandido, que acaba de ser premiado no Camera Mundo, um festival de cinema independente em Roterdam, na Holanda.

Seu curta, de 15 minutos, é um filme experimental, tal qual o longa homenageado, e promove um diálogo entre o passado e o presente do cinema brasileiro. “ O Bandido da Luz Vermelha é a grande metáfora do que é o Brasil e do que é o Cinema em si. Foi aí que me veio a idéia de, a partir do filme, que considero o número um na nossa filmografia, refletir sobre a "indústria" do cinema no Brasil’, explicou o diretor numa entrevista por e-mail. O curta começou como projeto de iniciação científica do diretor, quando era estudante na Universidade Anhembi Morumbi. Abandonado então, foi retomado anos mais tarde, como seu projeto de conclusão de curso.

Para resgatar essa memória do cinema nacional, Jorge entrevistou, entre julho e outubro do ano passado, diversos profissionais envolvidos direta ou indiretamente com o clássico de Rogério Sganzerla - como a atriz Helena Ignez, que além de atuar no longa foi casada com o cineasta, o diretor de fotografia Carlos Ebert, e o produtor Julio Calasso, além de pessoas que não participaram diretamente do “Bandido” mas tinham ligação com a obra, como os cineastas Julio Bressane (A Erva do Rato), Ivan Cardoso (O Escorpião Escarlate) e Carlos Reichenbach (Falsa Loura). Além deles, o curta também conta com depoimento do crítico e ensaísta Jean-Claude Bernardet, que teve a oportunidade de presenciar o impacto do filme na época do lançamento.

O mais curioso no curta A Vermelha Luz do Bandido é não contar com imagens de arquivo do longa de Sganzerla. Mesmo assim, comemora o diretor, "o melhor é que todo mundo entende o meu filme". O prêmio do festival holandês é o segundo do filme de Jorge (o primeiro foi no 2º MIAU – Mostra Independente de Cinema Universitário, que aconteceu em Goiás, em maio passado).

O primeiro filme de Jorge foi o curta Crônica de uma Imagem Musicada (2007), que participou de diversos festivais e, para o diretor, “serviu muito para a formação do olhar, para ganhar experiência como diretor, o que foi primordial para o novo trabalho”.

Agora, além de inscrever seu curta em diversos festivais, Jorge trabalha neste momento num documentário sobre a turnê do músico e ator Seu Jorge, chamado América Brasil. “Muitos acham que esse trabalho é um making of, mas não, é um documentário mesmo, observativo no estilo da escola do cinema direto estadunidense/canadense do anos 1960”, explica. O longa foi codirigido pela irmã do diretor, Mariana Jorge, e também montado por ele.

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