09/08/2026

“À Deriva” abre Festival de Paulínia

Com a primeira exibição no Brasil de À Deriva, de Heitor Dhalia, começou na noite desta quinta (9), o 2º. Festival Paulínia de Cinema. Primeira produção internacional da carreira do diretor pernambucano radicado em São Paulo, o filme havia tido sua première mundial no Festival de Cannes, em maio passado, competindo dentro da mostra Un Certain Regard.

Diretor de Nina (2004) e O Cheiro do Ralo (2006), Dhalia selecionou dois atores internacionais para integrar o elenco deste seu terceiro trabalho – o francês Vincent Cassel (Inimigo Público no. 1 – Instinto de Morte, em cartaz no Brasil) e a norte-americana Camila Belle (10.000 A. C.). Ambos os atores falam português. O francês, porque visita frequentemente o Brasil a passeio e a norte-americana, por ser filha de uma brasileira. Nenhum dos dois esteve presente à sessão em Paulínia, que aconteceu no Theatro Municipal da cidade, com 1.300 lugares, e foi bastante aplaudida. O filme tem previsão de estreia em 31 de julho.

Com roteiro assinado pelo próprio Dhalia e Vera Egito (curta-metragista e diretora de Espalhadas pelo Ar e Elo, que encerraram a Semana da Crítica em Cannes neste ano),À Deriva retrata a crise vivida por um casal (Vincent Cassel e Débora Bloch), mostrada pelos olhos de sua filha mais velha, a adolescente Filipa (a estreante Laura Neiva, com 14 anos na época da filmagem).

Há no filme uma sugestão de atração erótica entre a garota e o próprio pai – que está vivendo um caso com uma amante (Camila Belle). Na coletiva do filme, nesta tarde de sexta (10), o diretor comentou o assunto: “Isso é construído no filme de maneira muito delicada, muito sutil. A gente nunca quis reforçar este aspecto”. Dhalia destacou ter consultado vários psicólogos para poder abordar este tema e também a competição entre mãe e filha, outro detalhe importante no desenvolvimento do conflito familiar.

Para o diretor, seu filme não é sobre incesto e sim “sobre uma família”. Ele destacou que a história incorpora diversos aspectos pessoais, embora não seja autobiográfica. Como a personagem de Filipa, Dhalia morou numa praia e vivenciou a separação dos pais aproximadamente com a mesma idade da protagonista.

Presente à coletiva, Débora Bloch afirmou considerar sua personagem “muito tocante”. E acrescentou: “Ela é uma mulher da minha geração. É muito bom conhecer a história que se está contando”.

Para ela, contracenar com Vincent Cassel foi igualmente muito agradável. “Ele é muito fácil de trabalhar. Além de ser um grande ator, é uma pessoa que se integra a toda a equipe”, elogia. Ela frisou que a língua nunca foi uma dificuldade para Vincent, porque “ele fala muito bem o português, melhor ainda do que se ouve no filme”.

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