Na nota, Moraes conta ter sido chamado pelo produtor Diler Trindade para escrever o roteiro de um filme de Lucélia Santos, a partir de um argumento de Moacyr Góes. “Achei a história muito ruim, precária. Disseram que eu teria liberdade para modificar o que quisesse. Repensei toda a trama e armei a escaleta”, diz Moraes na nota.
Depois disso, Góes rejeitou o trabalho do roteirista, o que o levou a retirar-se do projeto. Moraes conta igualmente ter recebido menos do que o combinado pelo trabalho: “Dos cem mil reais previstos em contrato, recebi vinte e cinco mil. Terminou assim minha participação no filme”.
Mais adiante, sempre segundo a nota, Moraes admite que “certamente, alguma coisa do que apresentei foi aproveitada no roteiro final. Mas isto não me torna responsável pelo resultado. Não solicitei que retirassem meu nome dos créditos por delicadeza. No que, vejo agora, fiz mal”.
Ouvido em entrevista por telefone, o roteirista garante que não procura polêmicas, nem tem intenção de nenhum processo de reparação judicial: “Só quis explicitar minha participação”. Ele conta que sua saída do projeto foi “amigável” e que não pediu para retirar seu nome dos créditos naquela altura por ter pensado que seria “indelicado”.
O escritor conta ter visto apenas uma versão do filme, que lhe foi mostrada pelo produtor Diler há alguns meses, quando se planejava enviá-lo a um festival na China. “Não tinha nada meu ali”, assegura.
Alfinetando Góes, ele lamenta o que chama de “um mal geral de que padece o cinema brasileiro”, qual seja, que “tantos diretores acham que escrevem roteiros também”.
