04/06/2026

Paulínia entrega prêmios em cerimônia confusa

A noite de premiação do II Festival Paulínia de Cinema, nesta quinta (16), ganhou um tempero político com a cassação do prefeito da cidade, José Pavan Jr. (DEM), determinada pela Justiça Eleitoral, em função da acusação de compra de votos nas últimas eleições, em outubro de 2008.

Ainda cabe recurso da decisão judicial, mas o incidente acarretou a ausência de Pavan na premiação, com o governo sendo representado pelo secretário de Cultura, Emerson Alves.

Independentemente do imbróglio político, a entrega dos cobiçados prêmios de Paulínia, que incluem generosas somas em dinheiro, acabou sendo uma comédia de erros, por conta da desorganização do cerimonial e da incrível falta de tato dos apresentadores da noite, os atores Murilo Benício e Guilhermina Guinle.

Palco superlotado

Uma falha no teleprompter com o qual se guiava Benício nas falas da noite acarretou que a entrega dos prêmios de curta-metragens fosse atabalhoada, deixando-se de anunciar e chamar ao palco o vencedor da categoria direção dos curtas nacionais, Érico Rassi, do filme Milímetros. Ao lado do ator, o júri dessa categoria parecia igualmente confuso, procurando os nomes dos vencedores em papeis, o que causou um princípio de impaciência do público.

Para compensar a confusão e também o atraso de uma hora e meia no início da sessão final – que começou com uma exibição do drama Tempos de Paz, de Daniel Filho -, Benício e Guilhermina, aparentemente orientados pela organização do festival, começaram a chamar rapidamente os premiados em longa-metragem, acumulando os vencedores no palco, ao lado do júri. A preocupação era não atrasar demais o show de encerramento, da banda Paralamas do Sucesso, que, apesar dos esforços, teve início apenas às 23h45.

Prêmios divididos

Entre os longas de ficção, o grande vencedor foi o drama político Olhos Azuis, de José Joffily, que obteve os troféus de melhor filme, som, montagem, roteiro, ator coadjuvante (Irandhir Santos) e atriz para Cristina Lago – este último, um prêmio dividido com outras duas atrizes, Sílvia Lourenço e Maria Clara Spinelli, que garantiram a única premiação para o filme de Roberto Moreira, Quanto Dura o Amor?. Foi de Maria Clara Spinelli, aliás, um dos melhores comentários da noite. A atriz, transsexual, lembrou que, quando criança, pedia uma boneca e não ganhou. “Agora eu tenho uma Menina de Ouro”, comemorou, aludindo ao nome do troféu de Paulínia.

O segundo filme mais premiado na categoria ficção foi a produção gaúcha Antes que O Mundo Acabe, de Ana Luiza Azevedo, vencedor dos troféus de melhor direção, figurino, trilha sonora, direção de arte e fotografia, além do prêmio da crítica.

O Contador de Histórias, de Luiz Villaça, ficou com o Prêmio Especial do Júri e melhor ator – dividido para os três meninos que interpretam o protagonista, os estreantes Marco Antonio Ribeiro, Paulo Mendes e Cleiton Santos. Também venceu como melhor filme de ficção para o público. No Meu Lugar, de Eduardo Valente, venceu um único troféu, o de melhor atriz coadjuvante para Nívea Magno.

Entre os documentários, a melhor direção ficou para Roberto Berliner e Pedro Bronz, por Herbert de Perto e o melhor documentário, Só Dez por Cento é Mentira, de Pedro Cezar. A crítica apontou como melhor documentário Moscou, de Eduardo Coutinho. O público preferiu Caro Francis, de Nelson Hoineff.

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