Ainda cabe recurso da decisão judicial, mas o incidente acarretou a ausência de Pavan na premiação, com o governo sendo representado pelo secretário de Cultura, Emerson Alves.
Independentemente do imbróglio político, a entrega dos cobiçados prêmios de Paulínia, que incluem generosas somas em dinheiro, acabou sendo uma comédia de erros, por conta da desorganização do cerimonial e da incrível falta de tato dos apresentadores da noite, os atores Murilo Benício e Guilhermina Guinle.
Palco superlotado
Uma falha no teleprompter com o qual se guiava Benício nas falas da noite acarretou que a entrega dos prêmios de curta-metragens fosse atabalhoada, deixando-se de anunciar e chamar ao palco o vencedor da categoria direção dos curtas nacionais, Érico Rassi, do filme Milímetros. Ao lado do ator, o júri dessa categoria parecia igualmente confuso, procurando os nomes dos vencedores em papeis, o que causou um princípio de impaciência do público.
Para compensar a confusão e também o atraso de uma hora e meia no início da sessão final – que começou com uma exibição do drama Tempos de Paz, de Daniel Filho -, Benício e Guilhermina, aparentemente orientados pela organização do festival, começaram a chamar rapidamente os premiados em longa-metragem, acumulando os vencedores no palco, ao lado do júri. A preocupação era não atrasar demais o show de encerramento, da banda Paralamas do Sucesso, que, apesar dos esforços, teve início apenas às 23h45.
Prêmios divididos
Entre os longas de ficção, o grande vencedor foi o drama político Olhos Azuis, de José Joffily, que obteve os troféus de melhor filme, som, montagem, roteiro, ator coadjuvante (Irandhir Santos) e atriz para Cristina Lago – este último, um prêmio dividido com outras duas atrizes, Sílvia Lourenço e Maria Clara Spinelli, que garantiram a única premiação para o filme de Roberto Moreira, Quanto Dura o Amor?. Foi de Maria Clara Spinelli, aliás, um dos melhores comentários da noite. A atriz, transsexual, lembrou que, quando criança, pedia uma boneca e não ganhou. “Agora eu tenho uma Menina de Ouro”, comemorou, aludindo ao nome do troféu de Paulínia.
O segundo filme mais premiado na categoria ficção foi a produção gaúcha Antes que O Mundo Acabe, de Ana Luiza Azevedo, vencedor dos troféus de melhor direção, figurino, trilha sonora, direção de arte e fotografia, além do prêmio da crítica.
O Contador de Histórias, de Luiz Villaça, ficou com o Prêmio Especial do Júri e melhor ator – dividido para os três meninos que interpretam o protagonista, os estreantes Marco Antonio Ribeiro, Paulo Mendes e Cleiton Santos. Também venceu como melhor filme de ficção para o público. No Meu Lugar, de Eduardo Valente, venceu um único troféu, o de melhor atriz coadjuvante para Nívea Magno.
Entre os documentários, a melhor direção ficou para Roberto Berliner e Pedro Bronz, por Herbert de Perto e o melhor documentário, Só Dez por Cento é Mentira, de Pedro Cezar. A crítica apontou como melhor documentário Moscou, de Eduardo Coutinho. O público preferiu Caro Francis, de Nelson Hoineff.
