Trata-se de um barão maquiavélico que, há tempos, enterrara um tesouro. Além de roteirizar e dirigir, Navarro também interpretará esse personagem. “Quando o texto foi concebido, o barão desencarnado era um velho e eu tinha menos de 30. Agora, quando finalmente se tornou possível fazer o filme, entendi que a metáfora me incluía”. Apesar da constatação, ele chegou a convidar outros atores para o papel, mas percebeu que não poderia evitá-lo: “Pouco antes de começar a produção foi que percebi que não dava pra fugir do fato de que aquele velho barão maldito era eu mesmo.”
Navarro não vê, no entanto, como um problema o período que levou entre conceber a ideia e rodar o filme. “Hoje acho que uma sabedoria implícita estava contida nessa espera. Talvez só agora esteja realmente pronto para me acercar de um tema que exige mais maturidade do que a que eu tinha então.” Próximo de completar 60 anos (em outubro), ele também acredita que, ao longo dessas décadas, “o argumento manteve sua estrutura primitiva de parábola e guarda o frescor original.”
Quando retomou o roteiro, Navarro contou com a colaboração e consultoria do roteirista Di Moretti (Nossa vida não cabe num Opala, Cabra Cega). “Passamos alguns dias trabalhando intensamente e felizmente, para além do convívio estritamente profissional, resultou que ficamos amigos.”
Navarro tem uma carreira um tanto atípica. Formado em engenharia, ele começou no cinema em 1976, fazendo filmes em Super-8. Durante quase 30 anos, trabalhou com curtas e médias, como Alice no país das mil novilhas e Superoutro, até estrear em longas com Eu Me Lembro, que levou 7 Candangos no Festival de Brasília de 2005 – entre eles, melhor filme, diretor e prêmio da crítica.
Navarro crê que a aclamação de Eu Me Lembro ajudou a alavancar o novo projeto, que ficou adormecido por trinta anos. Com a verba recebida em três concursos, o diretor pode realizar a etapa mais complicada de O homem que não dormia, as filmagens, que aconteceram na região da Chapada Diamantina, na Bahia. “Entretanto precisamos agora concluir o filme e estamos de volta à luta para completar da verba de finalização.”
Trabalhando na montagem de O homem que não dormia, o cineasta não sabe se o longa ficará pronto a tempo de participar do próximo Festival de Brasília, em novembro. Mesmo assim, mostra-se animado com o lançamento do filme, que deve acontecer no próximo ano. “Deixo tudo a cargo dos bons ventos que irão cuidar dos próximos passos e que tudo se cumpra: uma captação frutuosa, uma finalização bem sucedida e o lançamento.”
Foto: Calil Neto
