13/06/2026

Cine Ceará encerra competição

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Terminada a exibição dos concorrentes nas mostras de curtas e longas do 19º. Cine Ceará, na noite de segunda (3), firmou-se a impressão definitiva – o melhor filme a passar por aqui foi mesmo o documentário O Homem que Engarrafava Nuvens, de Lírio Ferreira, que resgata o compositor Humberto Teixeira.

Nada superou este filme enérgico, inventivo, ambicioso em sua sede de inserir o Brasil neste retrato de um compositor exemplar e pai e marido nem tanto, equilibrando relatos pessoais, depoimentos de artistas e um belo uso de imagens de arquivo – todas restauradas. Um feito que consolida o talento do pernambucano Lírio, um dos melhores cineastas de sua geração.

Júris são, como se sabe, imprevisíveis. E é muito possível que os jurados sejam aqui também acometidos de um costumeiro espírito distributivista. A conferir, na premiação, que será divulgada nesta quarta (4), com exibição hors concours de Siri-Ará, alegoria sertaneja de Rosemberg Cariry que competiu no Festival de Brasília 2008.

Martinho sem brilho
Quase um extremo oposto ao filme de Lírio Ferreira, decepcionou bastante o concorrente brasileiro Pequeno Burguês – Estilo de Vida, documentário de Edu Mansur e Marco Mazola (RJ), que teve sua première neste festival. Exibindo sinais de uma pesquisa prévia precária ou inexistente, sem nenhum esforço para contextualizar a obra do consagrado sambista carioca, que estava presente à sessão, o filme enfileira depoimentos sem brilho dele mesmo, de seus filhos e de um dos produtores do filme – que aparece mais do que seria recomendável. O governador mineiro Aécio Neves também aparece em cena, ao lado do cartunista Jaguar, numa sequência que demonstra a mesma falta de apuro de todo o resto.

Assim, fica evidente a falta de um roteiro mais preciso para entrevistar o falante Martinho e também, de uma visão externa, de outros compositores, especialistas ou mesmo de algum fã – e não foi por falta de oportunidade, já que se acompanham vários shows de Martinho, dentro e fora do Brasil. Preguiçoso, o documentário não faz justiça, nem minimamente, ao talento e à inteligência do compositor de Vila Isabel.

Outro concorrente brasileiro foi o drama À Deriva, de Heitor Dhalia (SP), que já estreou em salas em outros estados mas era inédito no Ceará. Nos EUA para tocar uma nova produção, Dhalia não esteve presente. Quem apresentou o filme foi sua jovem atriz, Laura Neiva, e o produtor de elenco Francisco Accioly.

Fecharam a seção de curtas Nordeste B, viagem sensorial pela região assinada pela gaúcha Mirela Kruel, e o premiado e criativo Superbarroco, da pernambucana Renata Pinheiro, que já percorreu diversos festivais, inclusive no exterior.

Superbarroco foi, mais uma vez, um dos melhores do formato aqui, ao lado de Os Sapatos de Aristeu, de René Guerra, como ele, exibido e premiado no Cine PE, em abril.

Finalizando o balanço, é de se lamentar que a seleção de longas latinos não tenha sido boa. Nenhum deles, a rigor, mereceria prêmios.

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