Irmã do diretor e produtora do filme, Paula Barreto explicou que “no roteiro se previa falar do episódio Miriam. Mas não tivemos autorização dela, então nosso departamento jurídico vetou”. O motivo foi o receio de futuros processos judiciais.
Outro episódio real na vida de Lula, ter testemunhado, sem participar, a morte de um gerente de fábrica durante um piquete violento, foi sensivelmente modificado no filme, que se baseia em livro homônimo de Denise Paraná, uma das corroteiristas. Ela mesma informou que, tendo seu livro 530 páginas, “seria impossível transpor todos os fatos”. Na cena como aparece no filme, ela disse que a intenção básica foi apenas uma: “Mostrar o espírito pacifista do Lula que, quando se tornou diretor do sindicato, acabou com o piquete violento”.
O uso do filme como instrumento político ou de campanha eleitoral pelo atual governo, que tem causado artigos em diversos órgãos de imprensa pelo País, não preocupa os realizadores. “Quis fazer um melodrama épico, nada além disso”, reiterou o diretor Fábio Barreto. Seu pai, o veterano produtor Luiz Carlos Barreto, por sua vez, afirmou: “Este filme não tem nenhum sentido eleitoreiro e sim didático. Ele mostra a importância da família neste País, que começa a transformar-se numa nação e que ainda não o é por suas grandes desigualdades sociais”. Barretão, 81 anos, também garantiu que Lula... será seu "último filme" como produtor.
Distribuição internacional
O que fica claro sem dúvida é a intenção de todos os envolvidos na realização do filme de que ele circule o máximo possível em todos os meios. Completando a informação da produtora Paula Barreto de que o filme deve ser lançado em janeiro de 2010 em cerca de 500 telas, o diretor da Globo Filmes – sua coprodutora -, Carlos Eduardo Rodrigues, anunciou: “Deve ser o maior número de salas da Retomada”.
Paula informou também que já estão sendo finalizados acordos para a distribuição internacional do filme, que está sendo lançado no bojo de um grande interesse pelo presidente brasileiro no exterior – embora, na verdade, sua produção tenha se iniciado há 7 anos e tenha sido atrasada por dificuldades de captação. Segundo a produtora, o primeiro país em que o filme será lançado, já em março de 2010, será a Argentina. Outros acordos serão feitos pontualmente, em sistema de codistribuição. A intenção é distribuí-lo por toda a América Latina e outros países. O filme também está recebendo convites de festivais internacionais e foi enviado à comissão de seleção de Berlim – que acontece em fevereiro -, onde a intenção, segundo Paula, é obter uma exibição fora de competição.
Lula – O Filho do Brasil também deve circular em outros formatos. Está sendo cogitada uma minissérie com a Globo Filmes e o DVD, aproveitando material extra que sobrou do primeiro corte (que tinha 3 horas), deverá estar nas lojas no início de maio.
