13/06/2026

“Me ofereci para fazer o filme no lugar de um galã”, conta Lourenço Mutarelli sobre “Natimorto”

Quando faltava pouco tempo para começar a rodar seu primeiro longa, o diretor Paulo Machline estava com um problema: o ator que faria o protagonista não poderia mais participar de “Natimorto”. Enquanto procurava um substituto, o autor do livro que serve de base para o roteiro, o artista gráfico e escritor Lourenço Mutarelli, se ofereceu para fazer o personagem. “Eles pensavam num galã, um ator de novela. E isso não cabe para o personagem. Tinha que ser eu”, disse Mutarelli, em entrevista do Cineweb.
 
Machline explica que, depois de ver Mutarelli ensaiando com Simone Spoladore, não teve dúvidas, o escritor era a pessoa certa. “Ele me convenceu de que podia fazer o personagem. Mas depois eu tive de convencer os produtores de que ele podia atuar”, diverte-se o diretor do longa, que deve chegar às telas ainda em abril.
 
O livro, “O Natimorto, um musical silencioso” foi publicado em 2004, e há pouco relançado pela Companhia das Letras. A ideia da adaptação partiu do produtor Rodrigo Teixeira, que também assina “O Cheiro do Ralo”, igualmente baseado em romance de Mutarelli. “Nunca pensei no livro para o cinema. Pensava que talvez funcionasse em teatro. Tanto que acabou adaptado, mas cinema nem passava pela minha cabeça”, explica o autor, que tem uma fala tranquila e cadenciada, tal qual seu personagem no longa.
 
“Eu procurava uma história de amor não-convencional”, explica o diretor sobre sua estreia em longas. “Fizemos várias versões do roteiro. Uma delas, inclusive, se distanciava bastante do universo do Lourenço, mas não gostei. Voltamos para aquela que era bastante fiel ao livro”.
 
Tanto no romance, quanto no filme, fuma-se muito, e embalagens de cigarro têm um papel importante. “Nunca paramos para contar quantos cigarros foram usados, mas foram muitos, muitos mesmo. Era um cigarro cenográfico, mais fraco do que o real. Mas quando acabava a cena, o Lourenço corria para acender um de verdade”, lembra o diretor.
 
Em cena, estão praticamente os dois atores – além de Betty Gofman, que faz uma pequena participação -, e Mutarelli confessa que foi um tanto intimidador contracenar com Simone. “Ela é uma tremenda atriz, cheia de talento, técnica, e eu lá, aprendendo. Ela se interiorizou muito durante as filmagens. Mas antes e depois ficamos bem próximos, quando não éramos nossos personagens”, explica o escritor, que já tinha feito curtas e uma pequena participação em “O cheiro do ralo”, como um segurança.
 
Atualmente, Machline se prepara para rodar um longa de ficção sobre o carnavalesco Joãosinho Trinta que deverá se chamar “Trinta”. Antes disso, porém, ele pretende lançar um documentário sobre o mesmo personagem que já está finalizado. “Foi uma espécie de pesquisa para o outro filme, mas vi que tinha tanto material legal que dava para fazer um documentário”.

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