O ganhador do É tudo verdade de 2011, Família Braz – Dois Tempos, nasceu quase de uma brincadeira. Há dez anos, os diretores Dorrit Hazarin e Arthur Fontes fizeram A família Braz, e enquanto montavam o filme, sempre brincavam que uma década depois retomariam os personagens para ver como anda a vida deles. Eis que, no final de 2009, os documentaristas revisitam as mesmas pessoas e fazem um novo filme.
“Não sabíamos muito sobre eles. Nesses dez anos, eu ligava para eles na época do Natal, para saber como estavam, mas era uma ligação cordial, não tinha nenhum interesse jornalístico, cinematográfico. Mas fomos descobrir mesmo o que tinha mudado quando começamos a fazer o documentário”, conta Dorrit, ao Cineweb.
As filmagens duraram cerca de um mês, e foram até janeiro de 2010. “Nós deixamos que a câmera descobrisse o que aconteceu com os Braz nos dez anos”, explica Fontes. Ao todo, os documentaristas tinham 30 horas de filmagem do primeiro filme, e mais 30 deste, e tinham de articular num documentário de cerca de 90 minutos. “Ficamos quase um ano montando. Não foi um trabalho simples, precisávamos resgatar depoimentos para que o que se mostra deles hoje tivesse um contraponto”, explica o diretor.
O que os cineastas, e o público, por tabela, descobriram foi uma família Braz que subiu na vida. “Pelo filme, percebemos que alguns dos planos deles se concretizaram, aconteceram algumas mudanças. É praticamente um reflexo do Brasil, da classe média nessa última década”, diz o diretor. “O que eu mais observo foi que eles agora têm mais acesso a bens de consumo, coisas caras que não conseguiam comprar há alguns anos”, explica Dorrit
A dupla, aliás, explica que trabalhar juntos é fácil, pois eles se completam. Fontes opera a câmera, e Dorrit faz as entrevistas, mas a sintonia entre eles vai além disso. “É quase intuitivo, sabemos bem o que cada um quer, e como cada um pensa, então nem é preciso discutir muito”, explica a diretora.
