A retrospectiva da 68a. edição do Festival de Veneza, que se desenvolve entre 31 de agosto e 10 de setembro, será dedicada ao cinema experimental italiano dos anos 60 e 70.
Intitulada Horizontes 1961-1978, a retrospectiva incluirá um dos primeiros filmes realizados em vídeo na Itália, Anna (1972-1975), de Alberto Griti e Massimo Sarchielli, numa versão restaurada pelo Centro Sperimentale di Cinematografia - Cineteca Nazionale, parceiro decisivo desta seção do festival.
Outro título raro é In punto di morte (71), de Mario Garriba, filmado em apenas 15 dias e considerado precursor do cinema de Nanni Moretti (Io sono un autarchico, Ecce Bombo) ao destacar as expectativas de um jovem de classe média, além de vencedor do Leopardo de Ouro como filme de estreia no Festival de Locarno.
Apoiado na época de sua realização por Roberto Rossellini, que providenciou 3.000 metros de filme para o jovem diretor Paolo Breccia, outro título escolhido é Sul davanti fioriva uma magnolia (1968), que foi apresentado em Veneza e elogiado por Bernardo Bertolucci, o que não impediu que este filme-ensaio, com ecos de Godard e Straub, permanecesse inédito no circuito comercial italiano. Além de ter no elenco o futuro diretor Peter del Monte (Convite à Viagem).
Não faltam à seção documentários, como Il respiro (1964) e The City (1961), em que o diretor Axel Rupp dispensa a narração e usa apenas as imagens para revelar os sons, faces e corpos que passam pela estação Termini de Roma e pela cidade de Londres, antecedendo os ensaios visuais de Godfrey Reggio.
Será homenageado aqui o recentemente falecido Paolo Brunatto, de quem se exibirá Vieni, dolce morte... (1967-68),exemplo de um cinema feito não apenas para ser visto, mas vivido como experiência coletiva.
Mais informações no site do festival de Veneza: www.labiennale.org
