23/07/2026

“Peguei gosto pelo risco”, diz Camila Pitanga depois de ter feito filme de Beto Brant

Camila Pitanga não existe. Ela é uma força da natureza. E mais recente prova disso é Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, no qual interpreta Lavínia, moça emocionalmente instável, casada com um pastor (Zecarlos Machado) e vivendo um romance tórrido com o fotógrafo Cauby (Gustavo Machado). Para a atriz, cada novo trabalho – especialmente um tão intenso como esse – é se jogar num abismo.
 
“Fazer esse filme foi aceitar um risco. Mas não como uma kamikaze, porque eu me sentia profissionalmente ancorada, pelos diretores [Beto Brant e Renato Ciasca]. Eu queria muito mesmo sair da minha zona de conforto”, disse a atriz, que tem em seu currículo filmes como Redentor e Saneamento Básico. Ela gostou tanto da experiência que afirma: “Peguei gosto pelo risco”.
 
A maior parte da cenas foram rodadas no Pará. Camila explica que essa ambientação foi fundamental para criar a personagem e entrar na história. “Pude me preparar muito, até porque ensaiávamos cada cena no lugar onde seria rodada.” Ela conta também que para dupla Brant/Ciasca o roteiro era mero pretexto, pois as situações e os diálogos foram fruto de muita interação entre os diretores e elenco, que tem espaço para criar e improvisar. Para criar a Lavínia e mergulhar em seus problemas emocionais, Camila visitou clínicas psiquiátricas e conversou com pacientes.
 
Para um longo flashback, que acontece no meio do filme, que apresenta o passado da personagem como prostituta, Camila conta que tentou se distanciar ao máximo de uma de suas personagens mais famosas: Bebel (a prostituta cheia de ‘catiguria’, da novela Paraíso Tropical [2007]). “Elas [Lavínia e Bebel] são muito diferentes. A personagem do filme é uma figura dramática, cheia de conflitos, uma história barra-pesada com drogas. A outra é engraçada. Mesmo sendo vilã, caiu no gosto do público. Era divertida”.
 
A atriz se apaixonou pela história do filme quando leu o livro homônimo de Marçal Aquino, depois de ter sido contatada pelos diretores. “A história era forte, me prendia, e eu não lia como atriz pensando na personagem, mas como uma leitora comum. Quando acabei, não tinha como eu não querer fazer esse filme”.
 
Sobre as cenas de sexo entre Lavínia e Cauby, que implicaram momentos de nudez de Camila, ela comenta: “Era necessário para o filme. Não tive receio porque estava nas mãos de dois diretores excelentes. Sabia que me protegeriam”.

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