19/06/2026

Filho do fundador da "Hollywood Reporter" pede perdão por atuação do pai no macarthismo

Willie Wilkerson, filho do fundador da revista Hollywood Reporter, assinou, no último número da publicação, um pedido de desculpas pelo comportamento de seu pai, Billy Wilkerson – seu fundador – pelo papel exercido por este na deflagração de uma campanha de perseguição aos supostos esquerdistas de Hollywood, em 1946, e que levou à formação do famoso Comitê de Atividades Antiamericanas, liderado pelo senador Joseph McCarthy.
 
As perseguições do Comitê destruíram inúmeras carreiras, levando artistas, como os escritores Dashiell Hammett e Arthur Miller à prisão, e outros, como o roteirista e diretor Dalton Trumbo, a terem que trabalhar secretamente e sob pseudônimo.
 
“Jamais alguém pediu perdão às vítimas deste holocausto. Então, na véspera deste sinistro 65º aniversário, eu sinto que um pedido de desculpas é necessário. Em nome de minha família e de meu falecido pai, desejo enviar meus mais sinceros pedidos de perdão e do mais profundo arrependimento àqueles que foram vítimas deste infeliz episódio”, escreveu Wilkerson, cujo pai editou a revista entre 1930 e 1962.
 
Segundo o filho, seu pai teria agido assim em função de uma vingança, em virtude do fracasso em abrir um estúdio em Hollywood nos anos 1920. Assim, resolveu atacar seus concorrentes, destruindo-lhes a reputação, acusando-os de “comunistas”.
 
Escrevendo artigo na mesma revista, o ator e diretor Sean Penn lembrou das vicissitudes sofridas por seu pai, o roteirista Leo Penn, que foi incluído em listas negras apenas por simpatizar com atividades sindicais. Penn lembrou de um incidente em que o pai desviou-se, um dia, de Elia Kazan – diretor que havia concordado em depor para o Comitê McCarthy, delatando colegas com supostas simpatias comunistas.
 
Para Penn, a Academia de Ciências e Artes de Hollywood, responsável pela organização do Oscar, deve seguir o exemplo do filho do fundador da Hollywood Reporter: “A Academia ainda não realizou uma clara admissão de sua própria cumplicidade naquela vergonhosa caça às bruxas dos anos 1950 que foram as listas negras. Em nome do patriotismo e dos patriotas (muitos dos quais jamais pediram por aquilo) e em nome de nossa dignidade, está na hora”.

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