O cineasta iraniano Abbas Kiarostami morreu hoje (4-7) aos 76 anos, em Paris. O diretor estava na França desde a última semana fazendo um tratamento contra o câncer gastrointestinal com o qual foi diagnosticado em março passado.
Diretor de filmes como Cópia Fiel e Um Alguém Apaixonado, ganhou a Palma de Ouro em Cannes, em 1997, com Gosto de Cereja, tendo concorrido naquele festival outras quatro vezes. Em 2004, o diretor foi homenageado pela Mostra de Cinema de São Paulo, com o filme Bem-Vindo a São Paulo e o lançamento de um livro.
Kiarostami foi designer gráfico e fez publicidade para a TV antes de entrar para o Kanun - Centro de Desenvolvimento Intelectual de Crianças e Jovens - em 1969, dirigindo o departamento de cinema. A partir daí, mergulhou cada vez mais na realização de filmes que aliavam uma marca muito pessoal, tanto na fusão entre ficção e documentário quanto num rigor e criatividade técnicos e narrativos que o tornaram um dos mestres incontestes do cinema mundial nas últimas duas décadas.
O diretor começa a ser notado internacionalmente a partir da chamada Trilogia de Koker (cidade iraniana), que inclui Onde Fica a Casa do Meu Amigo ? (87), A Vida e Nada Mais (92) e Através das Oliveiras (94). Segue realizando outros títulos, como Lição de Casa (89), Close Up (90), O Vento nos Levará (99), Dez (2002) e Cinco (2003) - uma ode ao experimentalismo formal e à poesia, dedicado ao cineasta japonês Yasujiro Ozu.
Numa entrevista ao site Indiewire, em dezembro do ano passado, Kiarostami revelou que estava fazendo curtas nos arredores de sua casa, no Irã, e que pretendia filmar na China. Apesar de problemas políticos e com a crescente censura imposta aos cineastas particularmente desde o governo de Mahmoud Ahmadinejad (2005-2013), ele nunca quis abandonar seu país, em que colegas como Jafar Panahi vivem em prisão domiciliar e proibidos de filmar.
Ele completou 76 anos no último dia 22, e, na semana passada, havia sido convidado para participar da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood.
