21/07/2026

Morre Jean-Claude Carrière, roteirista de Buñuel e Louis Malle

 
Foto: Jean-Pierre Muller/AFP
 
Morreu nesta segunda (8/2) um dos maiores roteiristas de todos os tempos, o francês Jean-Claude Carrière, aos 89 anos. Com mais de 150 filmes no currículo, ele foi um parceiro habitual de diretores como o espanhol Luis Buñuel (com quem assinou seis filmes, entre eles, A Bela da tarde e O Discreto Charme da Burguesia), Louis Malle (Loucuras de uma Primavera), Milos Forman (Valmont), Andrzej Wajda (Danton), Jean-Luc Godard (Salve-se quem puder (a vida), Volker Schlöndorff (O Tambor), Marco Ferreri (Liza), Nagisa Oshima (Max meu amor), Patrice Chéreau (A Carne das Orquídeas), Carlos Saura (Antonieta) e Hector Babenco (Brincando nos Campos do Senhor), entre muitos outros.
 
Foi também um escritor e dramaturgo muito prolífico, adaptando, com Peter Brook, para o teatro e o cinema, o caudaloso Mahabharata, livro sagrado hindu com seus inúmeros deuses. Escreveu também peças como A Controvérsia, além de diversos livros sobre a cultura oriental, como Contos Filosóficos do Mundo Inteiro.
Sua relação única com Louis Buñuel, que ele conheceu em 1963, uma amizade que durou até a morte do diretor espanhol, em 1983. rendeu também livros como Para matar el recuerdo e Le réveil de Buñuel – neste último, Jean-Claude fantasia uma volta à vida temporária de Buñuel em seu túmulo, com o amigo roteirista visitando-o, levando-lhe jornais e conversando com ele.
 
Modesto, Carrière esquivou-se de homenagens, recusando a entrada na Academia Francesa. Indicado a quatro Oscar, venceu dois: em 1963, pelo curta Feliz aniversário, que codirigiu e corroteirizou com Pierre Étaix, além de um Oscar honorário pela carreira, em 2015. Ele morreu dormindo em sua casa, em sua cidade natal, Colombières-sur-Orb, e será, conforme seu desejo, enterrado no cemitério local, que fica a 250 metros de sua casa – como retratado no documentário Carrière, 250 metros, de Juan Carlos Rulfo e Natalia Gil Torner (2011).

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