De 7 e 27 de agosto, acontece a mostra Faces do Abismo, que explora narrativas não clássicas e aborda o existencialismo. As sessões ocorrem na nova sala do CINUSP e no Maria Antonia, são gratuitas e abertas ao público.
Uma característica da curadoria é a presença em peso dos finais abertos. Em A Aventura, de Michelangelo Antonioni, há um caso de desaparecimento numa ilha; em A Casa de Lava, uma enfermeira tem que transportar um homem em coma para Cabo Verde; em O Fim da Viagem, o Começo de Tudo, Yoko viaja ao Uzbequistão para gravar reportagens sobre a cultura local. Todas missões claras, mas que tomam rumo oposto e inconclusivo.
Dirigidos por cineastas mulheres, Os Encontros de Anna, de Chantal Akerman, e A Mulher Sem Cabeça, de Lucrecia Martel, trazem abismos de protagonistas femininas. Com diferentes causas, o primeiro abismo é o de uma pessoa que vive pela experiência dos outros, e a segundo é o resquício de um trauma do passado.
Para além do existencialismo individual, a seleção traz filmes que abordam essa atmosfera no coletivo. Em Alemanha Ano Zero, de Roberto Rosselini, uma criança vaga pelas ruas de Berlim completamente destruída após a segunda guerra mundial. A primeira sessão do filme, no dia 8 de agosto, será sucedida pelo debate com Lúcia Monteiro, pesquisadora de cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF). No Brasil de 1950 e 1960, o protagonista de São Paulo: Sociedade Anônima, de Luís Sergio Person,não consegue escapar da capital paulista, então vaga, pelas ruas da cidade tentando achar alguma forma de se libertar, desse angustiante limiar - entre moderno e subdesenvolvido.
Outro tema comum na mostra é o desejo de retorno para casa. Em Nostalgia, de Andrei Tarkovsky, um poeta russo vaga pela Itália pesquisando a obra de um compositor e é invadido pela saudades de sua terra natal e infância. Já a adaptação de Odisseia, Nostos: O Retorno, conta de uma forma pouco usual a clássica história do retorno de Ulisses para Tróia.
Para além dos títulos já citados, a mostra conta com outros grandes nomes na direção. Abbas Kiarostami em O Gosto de Cereja retrata um homem com desejo de morrer que vaga pela cidade em busca de alguém que o enterre do lado de uma cerejeira. Já John Cassavetes, o único diretor norte-americano da mostra, trata do luto de três amigos em Os Maridos. E Ingmar Bergman conta, em Através do Espelho, a história de uma paciente recém-saída do hospital psiquiátrico que faz uma viagem a uma ilha para superar suas crises.
A programação também traz diretores como o húngaro Béla Tarr, com o filme O cavalo de Turim, inspirado no cavalo que Nietzsche abraçou em seus últimos dias, e o diretor grego Theo Angelopoulos, com Paisagem na Neblina, que traz a história de duas crianças que partem rumo à Alemanha em busca do pai que nunca conheceram. Também trazemos Um Elefante Sentado Quieto, do diretor estreante Hu Bo, filme que terá apenas uma exibição no dia 21 de agosto.
A mostra Faces do Abismo acontece entre os dias 7 e 27 de agosto. O CINUSP funciona de segunda a sexta-feira, com sessões às 16h e às 19h, e o Maria Antonia funciona de sábado e domingo, com sessões às 16h e às 18h. A entrada é aberta ao público e gratuita. A sala nova fica na Rua do Anfiteatro, 109, Cidade Universitária, dentro do Centro Cultural Camargo Guarnieri no campus Butantã da USP.
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