Neste mês de dezembro, o projeto Música no Quintal, formado por artistas da música e produtores audiovisuais de Campinas/SP, lança o documentário “Música no Quintal e os Vissungos”. A primeira apresentação tem entrada gratuita e acontece no dia 13 (quarta-feira) no GOMA Arte e Cultura, em Barão Geraldo, emparticipação no Cineclube Terracota. Haverá transmissão simultânea no YouTube do projeto.
Idealizado pela pianista Carol Leão, abraçado pela produção audiovisual de Gabi Perissinotto e Marcel Vecchia (GAMA Produção Visual) e pelo pesquisador Antô Deval, em 2023 o documentário visita novos quintais, culturas ancestrais e raízes fortalecidas por vínculos afetivos e de resistência pelos povos africanos escravizados no Brasil através de um estudo aprofundado do grupo Tlhangana sobre os vissungos.
“Para esta edição do Música no Quintal, apresentamos o trabalho artístico e cultural que vem sendo feito pelo Tlhangana, formado por Graciela Soares, Marcelo Santhu e Otis Selimane Remane”, conta a idealizadora do Música no Quintal e pianista Carol Leão. “O quintal escolhido para as gravações deste documentário foi a Fazenda Roseira, sede do Jongo Dito Ribeiro, casa e quintal para tantas, tantes e tantos na cidade de Campinas”.
Além desta primeira exibição, o coletivo de artistas fará outras sessões de exibição em janeiro de 2024 na cidade de Campinas. As datas serão divulgadas posteriormente pela página oficial do projeto no Instagram, em @projetomnq.
Este projeto foi contemplado e patrocinado pelo Fundo de Investimentos Culturais de Campinas - FICC 2022, pertencente à Secretaria Municipal de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Campinas. O FICC tem como finalidade fomentar a produção artística local.
O disco "O Canto dos Escravos" (1982), de Tia Doca, Geraldo Filme e Clementina de Jesus, é o primeiro objeto de pesquisa do grupo Tlhangana e também desta fase do projeto Música no Quintal.
Eles misturam dialetos africanos como o umbundo e o quimbundo ao português arcaico. Além das minas de ouro, esses cantos podiam ser observados em diversas situações da vida cotidiana do negro escravizado, como no trabalho dos terreiros, nas brincadeiras e no cortejo dos enterros.
Os povos negros que forneceram à criação deste álbum uma imensa riqueza de saberes linguísticos e de resistência, foram alvos da escravidão nos séculos XVII e XVIII, mais especificamente na região de Minas Gerais.
Os vissungos presentes neste álbum e apresentados no documentário Música no Quintal foram recolhidos e partiturados pelo filólogo mineiro Aires da Mata Machado Filho em contato com os negros benguelas de São João da Chapada e Quartel do Indaiá, povoados de Diamantina/MG.
Para compor o grupo de musicistas do Música no Quintal em 2023, o projeto convidou Graciela Soares, Marcelo Santhu e Otis Selimane, músicos que formam o Tlhangana.
O grupo busca promover, através da união de artistas pretos, um (re)encontro entre Brasil e África. Com o propósito de pesquisar, resgatar e difundir as diferentes linguagens culturais provenientes do continente-mãe, os paulistas Graciela Soares e Marcelo Santhu, se juntam ao moçambicano Otis Selimane, estabelecendo pontes comuns entre os continentes - no resgate do passado, na valorização do presente e nas idealizações para o futuro.
O quintal escolhido para somar com a produção documental do Música no Quintal neste ano é a Casa de Cultura Fazenda Roseira, espaço de resistência localizado em Campinas. Um quintal repleto de memórias, luta por continuidade e que representa hoje passado, presente e futuro da população que dali retira alimento para a vida e para a alma.
Fundada em 1920, a casa é hoje reconhecida como patrimônio material e imaterial da cidade e é também a sede do Jongo Dito Ribeiro. Ela é preservada com o objetivo de fomentar o ensino, a pesquisa, o desenvolvimento técnico, científico e institucional, intercâmbio e demais ações e projetos voltados à recuperação e preservação do patrimônio, da memória e da cultura afro-brasileira, com ênfase no campo da antropologia, etnografia, culinária, artes, museologia e outras áreas afins. Assim como os vissungos, o jongo também teve e permanence produzindo uma memória artística e cultural de extrema importância para a preservação de memória na região.
Ficha técnica
Direção Geral e Musical: Carol Leão | Direção de Fotografia: Marcel Vecchia | Direção
de Arte: Gabi Perissinotto | Pesquisa e Argumento: Antô Deval | Arranjos e Performance
Musical: Carol Leão (piano), Graciela Soares (voz principal), Marcelo Santhu (baixo e voz)
e Otis Selimane Remane (percussão e voz) | Captação sonora, mixagem e masterização:
Henrique Manchuria | Assistência Geral: Gabriel Oliveira | Maquiagem: Jaqueline Ramirez
| Figurino: Diana Negrini (Léo Roupas e Acessórios) e Otis Selimane Remane (Xiphefu
Store) | Drone: Kaio Mascarenhas | Edição: Marcel Vecchia | Desenho de Som: Henrique
Manchuria | Mídias Sociais e Assessoria de Imprensa: Miguel Von Zuben | Fotografia
Still e Making of: Ana Laura Cintra | Interpretação em Libras: Jady Mitchell | Assessoria
Contábil: Giselle Bastos | Produção Executiva: Gabi Perissinotto | Entrevistada:
Alessandra Ribeiro (Casa de Cultura Fazenda Roseira)
Serviço
Lançamento do documentário “Música no Quintal e os Vissungos”
Data: 13/12 (quarta-feira)
Horário: 19h
Local: GOMA Arte e Cultura
Endereço: Avenida Santa Isabel, 518, Vila Santa Isabel
Acessibilidade: Libras pelo YouTube do projeto
Grátis | Classificação etária: Livre
