08/08/2026

“É Tudo Verdade” comemora dez anos com retrospectiva e mais de 130 filmes

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Para comemorar sua décima edição em 2005, o festival de documentários É Tudo Verdade preparou uma retrospectiva que trará 17 vencedores, nacionais e estrangeiros, dos anos anteriores. Entre os destaques da Retrospectiva 10! estão “O Velho, a História de Luiz Carlos Prestes”, de Toni Venturi (o primeiro brasileiro vencedor do evento em 97), “Nós que aqui Estamos Por Vós Esperamos”, de Marcelo Masagão (vencedor da Competição Internacional em 99). Muitos destes filmes, embora premiados, nunca entraram em circuito comercial.

A 10a edição do festival de documentários É Tudo Verdade começa no próximo dia 29 em São Paulo, e 31 no Rio de Janeiro, e, em ambas cidades, vai até 10 de abril. Depois disso, alguns filmes do evento serão exibidos em cidades como Brasília e Porto Alegre. Contando com onze salas nas duas cidades, o evento vai exibir 133 filmes, de diversas nacionalidades, entre longas, médias e curtas.

O diretor do festival, Amir Labaki, diz que só tem motivos para comemorar – afinal, a produção de documentários nacional está crescendo e encontrando o seu público. Ele diz que filmes já premiados em outros festivais, como “Estamira” (ganhador de prêmios na Mostra SP e Festival do Rio), acabaram tendo que ficar de fora da mostra competitiva pela enorme quantidade de trabalhos inscritos, obrigando os organizadores a privilegiar os inéditos para a competição.

Um dos homenageados deste ano, é o veterano e pioneiro documentarista norte-americano Robert Drew, de 81 anos, que virá ao Brasil acompanhar o evento. Ex-editor da revista “Life”, o cineasta é conhecido como o fundador do Cinema Verdade, o chamado Cinema Verité, nos Estados Unidos. “Usando equipamentos mais leves e som direto, Drew conseguiu criar uma maior intimidade entre o cineasta e o documentário”, explica Labaki. Entre os oito filmes apresentados, está a importante trilogia que o documentarista fez sobre John Kennedy, composta por “Crise: Por Trás de um Compromisso Presidencial”, “Faces de Novembro” (premiado no Festival de Veneza) e “Primárias”, sobre as eleições de JFK.

Outro homenageado deste ano é o argentino Fernando Birri, que completou 80 anos neste mês. O festival exibirá alguns de seus maiores clássicos, como “Jogue uma Moeda”, e a homenagem que ele fez a Che Guevara, por ocasião do 30o aniversário de morte do revolucionário, “Che: Morte da Utopia”.

Labaki destaca um novo segmento do festival que se chama Horizontes. “Essa nova sessão está destinada a filmes de vanguarda, mais experimentais, que apontam para onde está indo a produção do audiovisual”, explica. Entre os mais badalados, está “Os Cinco Obstáculos” (exibido no Festival do Rio 2003 como “As Cinco Obstruções”), um documentário feito pelos dinamarqueses Lars Von Trier (“Dogville”) e Jorgen Leth. O Brasil será representado por “Selva do Meu Desejo”, de Roberto Athayde. O longa mostra o ator João Velho percorrendo a Rodovia Transamazônica em busca do chá de ayahuasca, da seita do Santo Daime.

A Competição Internacional reúne 14 produções, como “O Cérebro de Bush”, de Joseph Mealey e Michael Paradies, que mostra Karl Rove, o conselheiro mais próximo do presidente dos EUA. Também fazem parte da competição “O Mal-Entendido Colonial”, que mostra o colonialismo alemão na África; “Sonhos de bola”, do brasileiro Cesar Meneghetti e de Elisabeta Pandimiglio, que conta a aventura de 23 jogadores de futebol uruguaios e argentinos que chagam à Itália pouco antes da crise na Argentina.

Já a competição brasileira exibirá sete longas e médias, com filmes de documentaristas já premiados no festival, como é o caso de Evaldo Mocarzel (“À Margem da Imagem”, foto) que volta com “Do Luto à Luta”. O premiado diretor de fotografia e cineasta Walter Carvalho (“Cazuza – O Tempo Não Pára) mostra Moacir, um pintor pobre que vive isolado no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em “Moacir – Arte Bruta”. O trânsito de São Paulo e os problemas do transporte coletivo são o tema de “Em Trânsito”, de Henri Arraes Gervaiseau. Uma banda de rock formada por detentos é abordada em “Missionários”, de Cleisson Vidal e Andrea Prates. Fazem parte desta competição também “Aboio”, de Marília Rocha; “Extremo Sul”, de Mônica Schmiedt e Sylvestre Campe.

O segmento O Estado das Coisas mostra o que há de mais interessante no documentário internacional, trazendo filmes de diversos países. Brasil está representado por longas como “500 Almas”, sobre o universo dos índios Guató; “Estamira”, que mostra uma mulher que sofre de surtos esquizofrênicos e há mais de 20 anos trabalha num aterro sanitário no Rio; e “Dom Helder Câmara – O Santo Rebelde”, que retrata a trajetória do bispo, morto em 99.

Expandindo para outras artes, esta edição do É Tudo Verdade terá também a apresentação da peça teatral “É Tudo Verdade”, do canadense Jason Sherman, que aborda o filme “It’s all True”, de Orson Welles. A apresentação está programada para 6 de abril às 20h30, no CCBB-SP . Também faz parte do evento o lançamento de três livros. Um deles é a coletânea de ensaios feitos pelo cineasta Eduardo Escorel; a outra coletânea agrupa textos de Labaki publicados no jornal “Valor”. O terceiro livro é um apanhado sobre as quatro Conferências Internacionais do Documentário, ocorridas nas edições anteriores do Festival, e cuja 5a edição acontece novamente neste ano.

No próximo dia 29, o 10O É Tudo Verdade começa em São Paulo com “Why We Fight” (Por que Lutamos), de Eugene Jarecki, premiado em janeiro passado no Festival de Sundance. Em SP, os filmes são exibidos em sete salas – CineSesc, Centro Cultural Banco do Brasil, Itaú Cultural, Museu da Imagem e do Som (Auditório e Sala Multimídia), Galeria Olido e Cinusp. A entrada é franca.

No Rio, o Festival será aberto em 31 de março com “Vocação do Poder”, de Eduardo Escorel e José Joffily, que tem como tema as eleições municipais na cidade do Rio de Janeiro. Na cidade, o festival é apresentado em quatro salas – Centro Cultural Banco do Brasil (Cinema e Sala de Vídeo), Cine Odeon BR e Memorial Getúlio Vargas. Os ingressos para as sessões no CCBB-RJ vão custar R$ 8,00. Para as outras duas salas, o preço ainda não foi estipulado.

Mais informações em http://www.etudoverdade.com.br

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