13/06/2026

Nudez de cantoras cegas causa polêmica no Festival do Ceará

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Para uns, uma cena lírica; para outros, a exploração de três mulheres cegas feitas por um documentarista. O documentário A Pessoa é Para o que Nasce tem causado uma grande polêmica no XV Cine Ceará. No debate sobre o filme na manhã de domingo, o tema central foi a cena em que as três cantoras cegas de Campina Grande tomam banho de mar nuas.

Para o diretor, Roberto Berliner, “a cena incomoda porque elas não são ‘magrinhas e gostosas’”, explicou no início do debate, quando o clima ainda era pacífico. No entanto, a discussão com o cineasta, público e a imprensa acabou tomando rumos mais complicados com a insistência de parte dos participantes em criticar a cena – muitas vezes de forma agressiva.

Dinara Guimarães, autora do livro Voz na Lua – Psicanálise e Cinema que está sendo relançado no Festival, foi categórica ao dizer que não concorda com a cena. “A nudez deveria ser metafórica. Parece ser uma dramaturgia intencional. Levando-as a ser exibidas”, insistia, por mais que Berliner e seu montador, Leonardo Domingues, explicassem as origens da cena e o fato das irmãs terem concordado.

De amor e de sombras
Outro ponto nevrálgico durante o debate foi a opção que Berliner fez em mostrar uma conversa complicada que ele teve com Maria, uma das irmãs cegas. Ao longo dos oito anos de produção de A Pessoa é Para o que Nasce, ela acabou se apaixonando pelo documentarista. “Relutei muito em colocar esse desdobramento de nosso relacionamento no filme”, explica o cineasta que, além de tudo, é casado.

No entanto, acabou sendo convencido por Domingues que esse acontecimento era importante para o filme. “A cidade de Campina Grande nunca havia dado a devida atenção às três irmãs. Sempre as marginalizaram e quando fizemos o filme, fomos os primeiros a realmente nos interessarmos pela história delas, e tratá-las com carinho”,explica o montador. Tanto que ele lembra que Maria, por ser cega, nunca viu Berliner mas acabou sendo envolvida pela atenção e o cuidado com que era tratada.

No filme, Berliner trata esse novo acontecimento com a devida seriedade e, como ele mesmo declara, foi um momento cruel para a amizade e para o filme, mas “ela tinha uma expectativa e eu procuro mostrar da forma mais clara possível que não poderíamos ter um relacionamento amoroso. Me perdi bastante depois desse acontecimento. Demorei a me encontrar como diretor”, explica o documentarista. Ainda assim, muitos criticaram a inclusão desse ponto na montagem final do filme.

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