25/06/2026

Documentário sobre cantoras cegas vence Cine Ceará

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O resultado do XV Cine Ceará comprova a tendência apontada pelo festival desde o início: os melhores filmes eram documentários. Mas não deixa de ser curioso o fato do grande premiado, A Pessoa é Para o que Nasce, não ter ganho nenhum outro prêmio. Já o favorito Moacir – Arte Bruta, de Walter Carvalho, acabou ganhando um prêmio de consolação com o Prêmio Especial do Júri, o que é pouco para um filme tão bom.

Havia apenas três filmes de ficção competindo pelos prêmios, e Quanto Vale ou é Por Quilo?, de Sérgio Bianchi acabou levando a maioria dos prêmios, enquanto Bens Confiscados, de Carlos Reichenbach, ganhou os principais. Mas, no fundo, o júri acabou optando por premiar nomes já consagrados – talvez até porque o trabalho desses profissionais consagrados se destacou na hora de decidir. A melhor trilha sonora foi para o maestro Julio Medaglia (por A Marca do Terrir) e a fotografia para os veteranos Dib Lufiti e Mario Carneiro (por Seu Chico – Um Retrato).

A noite de premiação acabou refletindo o clima do festival, com muitos debates e discursos na hora errada. O cineasta Cláudio Assis gritava para quem quisesse –ou não – ouvir que o premiado curta-metragista Antonio Souza Leão (diretor de O homem da mata) era seu irmão. Já o governador do Alagoas Ronaldo Lessa foi vaiado após entregar um prêmio e fazer um discurso político fora de hora.

No final das contas, sobram as três cantoras cegas de A Pessoa é Para o Que Nasce que subiram ao palco e foram aplaudidas ao receber o prêmio de melhor filme. Elas, que no longa diziam querer se tornar estrelas de cinema, conseguiram alcançar o seu objetivo. Nem que só por uma noite.

Veja os premiados:

A Pessoa é para o que Nasce, do diretor Roberto Berliner, recebeu também o Prêmio Banco do Nordeste de Cinema, no valor de R$ 10.000,00.

O melhor curta-metragem em 16mm escolhido pela Comissão Julgadora foi Curta Metragem Metalingüístico de Baixo Orçamento ou Aceita Mais Café?, do diretor Byron O’Neil, e em 35mm escolhido foi Intimidade, de Camila Gozatto.

Concorreram aos prêmios sete longas-metragens e 31 curtas-metragens (18 em película e 13 em vídeo).

Os prêmios foram outorgados por dois júris, um para cinema de longa-metragem e um para curta-metragem em cinema e vídeo. A mesa do júri de longa-metragem foi composta por Betse de Paula, Liége Nardi, Eduardo Flores Lescano, Pola Ribeiro, Luiz Alberto Zakir e coordenada por Nonato Freire.

Compondo o júri de curta-metragem em cinema e vídeo (16mm e 35mm) estiveram Ailton Franco, Marcus Melo, Marcus Vilar, Nirton Venâncio e Patrícia Martin, coordenada por Ivo Lopes Araújo.

A seguir, a premiação completa:

Premiação Longa-metragem:
Melhor filme: A pessoa é para o que Nasce
Direção: Carlos Reichenbach – Bens Confiscados
Fotografia: Mario Carneiro e Dib Lufti – Seo Chico, Um retrato
Roteiro: Sergio Bianchi, Eduardo Benaim e Newton Canito – Quanto Vale ou é por Quilo?
Trilha sonora original: Julio Medaglia – A Marca do Terrir
Direção de arte: Renata Tessari – Quanto Vale ou é por Quilo?
Melhor atriz: Betty Faria – Bens Confiscados
Melhor ator: Werner Schüneman – Bens Confiscados
Montagem: Paulo Sacramento – Quanto Vale ou é Por Quilo?
Ator Coadjuvante: Lázaro Ramos – Quanto Vale ou é por Quilo?
Atriz Coadjuvante: Ariclê Perez – Quanto Vale ou é por Quilo?
Som: Juarez Dagoberto – Por Trinta Dinheiros
Prêmio Especial do Júri: Moacir Arte Bruta Risco – Walter Carvalho
Curtas-metragens (Vídeo):
Melhor vídeo: “Meu Nome é Paulo Leminski”, Cezar Migliuorin
Direção: Cezar Migliuorin, Meu Nome é Paulo Leminski
Fotografia: Emerson Pessoa por “Sexo com Objetos Inanimados”
Edição: João Maria, “Ave Maria: Mãe dos Oprimidos”
Roteiro: Erico Campos Rassi, “Sexo com Objetos Inanimados”
Direção de Arte: Paulinho Pesoa, “Miragem”
Ator: Lucio Macedo, “Sexo com Objetos Inanimados”
Atriz: Ester França e Juliana Macedo, “Miragem”
Som: Osmar Assis e Felipe Machado, “Ave Maria: Mãe dos Oprimidos”
Prêmio Especial do Júri: “Cortejo – O Grande Pênis Branco”
Curtas-metragem (Película 16 e 35mm):
Melhor filme 16”: “Curta Metragem Metalingüístico de Baixo Orçamento ou Aceita Mais Café?”, Byron O’Neil
Melhor Filme 35”: “Intimidade”, Camila Gonzatto
Direção: Joana Oliveira, “Habanera”
Fotografia: Roberto Iuri, “Canoa Veloz”
Edição: Eric Laurence, “Entre Paredes”
Roteiro: Cristiane Oliveira, “Messalina”
Trilha sonora original: Nana Vasconcelos, “Entre Paredes”
Direção de arte: Maíra Coelho, “Intimidade”
Ator: Fernando Alves Pinto, “Intimidade”
Atriz: Vanise Carneiro, “Messalina”
Som: Nicola Hallet, “Entre Paredes”
Categoria sem Bitola
Melhor Animação: “O Vampiro”, Douglas Alves Ferreira
Melhor Produção Cearense :”Canoa Veloz”, Tibico Brasil e Joe Pimentel
Melhor Curta com temática nordestina (BNB): “Paola”, Eduardo Chaves

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