21/07/2026

Dia de ver filme de Walter Salles e outras dicas imperdíveis

Ainda Estou Aqui

Vencedor do prêmio de roteiro no mais recente Festival de Veneza e representante brasileiro a uma indicação no Oscar em língua estrangeira, Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, adapta o romance homônimo de 2015 de Marcelo Rubens Paiva. Cumpre assim, uma imprescindível tarefa inconclusa na cultura brasileira de resgatar memórias trágicas da ditadura civil-militar de 1964, mergulhando na tragédia da família Paiva a partir da prisão ilegal e o desaparecimento do pai de Marcelo, o ex-deputado Rubens Paiva. Uma tragédia que mudou drasticamente a trajetória de um clã unido, alegre, intelectualizado, bem-posto socialmente depois de mergulhar no pesadelo da repressão da ditadura militar em 1971, no governo Médici.
O título do filme e do livro disparam seus múltiplos significados, o primeiro e mais evidente deles que é Eunice Paiva (Fernanda Torres) aquela que fica encarregada de uma família de cinco filhos, privada de seu marido e pai.

Salles, que conviveu com a família quando ainda adolescente, constrói um filme sóbrio, de narrativa clássica e elegante, dividindo a história dos Paiva claramente em dois momentos. O primeiro deles, antes da tragédia, na casa familiar no Leblon, em que a praia era praticamente o quintal das crianças do clã e a vida era despreocupada e lúdica, num Rio de Janeiro colorido mas que paulatinamente se tornava mais sombrio, como o resto do País, com o endurecimento do regime.

O segundo momento ocorre depois da prisão de Rubens Paiva (Selton Mello), em sua casa, diante da mulher e dos filhos, sem que eles saibam que ele nunca mais irá voltar. Eunice, que era uma mãe e dona-de-casa, também foi brevemente presa, logo depois, junto com a filha Eliana, uma adolescente de 16 anos, mas ambas foram liberadas. Começa aí o segundo capítulo da vida de uma Eunice que se reinventa, assume o comando da família sem poder contar nem mesmo com os recursos bancários, porque não tem uma prova oficial da morte do marido. É uma viúva sem corpo, sem funeral, que recebe apenas a angústia e a incerteza como luto e que encontra energia para formar-se advogada, aos 48 anos, tornando-se uma referência em direitos humanos e indígenas já nos anos 1980.

Não à toa, Fernanda Torres vem colhendo premiações em diversos festivais e tornando-se uma aposta inclusive a uma indicação ao Oscar de melhor atriz. (Neusa Barbosa)

ESPAÇO AUGUSTA 2 - 18/10 - 17h10
ESPAÇO AUGUSTA 1 - 18/10 - 17h20
ESPAÇO AUGUSTA 1 - 19/19 - 21h10

Maria Callas

A cinebiografia da mítica soprano Maria Callas, interpretada por Angelina Jolie, dirigida pelo premiado cineasta chileno Pablo Larraín, completa uma trilogia do diretor sobre mulheres icônicas, começando por Jackie (2016), com Natalie Portman no papel de Jackeline Kennedy, seguido por Spencer (2021), que mergulha na figura de Lady Di (Kristen Stewart).
Como nesses outros dois filmes, Larraín escava a camada pessoal mais profunda por baixo do mito, escolhendo sempre um momento de crise na vida de cada uma de suas protagonistas. No caso de Callas, em 1977, no final de sua vida, em Paris, quando a diva passava seus dias solitária, recordando fragmentos de uma vida turbulenta e aventurosa, em que o sucesso sempre teve um preço muito alto.
As lembranças surgem a partir de depoimentos da cantora a um repórter (Kodi Smit-McPhee), que não só é admitido em seu apartamento como percorre com ela lugares que ela visita em Paris.

A leitura de Maria Callas como uma personagem temperamental, voluntariosa e caprichosa seria inevitável, mas havia o risco de imprimir-se na tela um tom excessivamente antipático. Mas esse limite claramente não foi ultrapassado, com Angelina Jolie colocando sua própria beleza e aura pessoal a serviço dessa mulher tão emblemática e passional, assim como seu canto - resgatado também em generosas sequências com a voz da própria Callas, resultado de uma parceria da produção do filme com a Fundação Callas.

A própria Angelina também solta a voz em alguns momentos, demonstrando a que vieram os sete meses de preparação para soltar a voz. Uma ousadia e tanto, finalmente compensadora. Por conta dessa entrega, não só nas sequências de canto, Angelina já é tida como uma aposta certa para indicação ao Oscar de melhor atriz.

Nem por ter sido apoiada pela Fundação Callas o filme se torna chapa-branca nem deixa de mergulhar em alguns aspectos mais sombrios do passado de Callas, como sua traumática adolescência pobre, na Grécia, em que ela e a irmã eram agenciadas pela mãe para soldados alemães, que invadiram o país na II Guerra - para quem ofereciam, a troco de dinheiro, apresentações musicais e também favores sexuais.

Inevitável também a menção ao bilionário armador grego Aristóteles Onassis (vivido pelo ator turco Haluk Bilginer), o grande amor de Maria, com quem nunca se casou e a quem abandonou para desposar Jacqueline Kennedy.

Nesse imenso apartamento parisiense em que Maria vive seus últimos dias cercada de tantas memórias difíceis, paira a presença de seus dois anjos da guarda, o mordomo e a empregada, vividos por dois coadjuvantes de luxo, Pierfrancesco Favino e Alba Rohrwacher, dois dos maiores atores italianos - além de Valeria Golino, interpretando a irmã de Maria.

Favino e Alba são essenciais para evidenciar as razões pelas quais Maria era mesmo uma rainha, inspirando devoção, mas que sabia ser generosa com seus súditos, ainda que eventualmente negasse algumas coisas que exigiam dela - como fazia seu público insaciável, que queria vê-la de volta aos palcos naquelas semanas finais, ainda que ela sentisse que não podia mais. Se ela mesma acalentou a ideia, no final, seu coração teve a última palavra. Ela morreu de infarto, aos 53 anos. (Neusa Barbosa)

CINEMATECA ESPAÇO PETROBRAS - 18/10 - 21h40
CINESYSTEM FREI CANECA 1 - 23/10 - 17h10
RESERVA CULTURAL 2 - 27/10 - 19h10

Marcello Mio

Parceiros há sete filmes, desde Canções de Amor (2007), o diretor Christophe Honoré e a atriz Chiara Mastroianni compõem em Marcello Mio uma homenagem ao pai da atriz, Marcello Mastroianni, que incorpora diversas questões reais da vida de sua filha, que sempre carregou o peso desta filiação, além de sua mãe ser ninguém menos do que Catherine Deneuve.
Deneuve, aliás, entra amorosamente na história, em que se delineia uma crise na vida na vida de Chiara, não só profissional como pessoal no nível mais profundo. Isso a leva a assumir a identidade de seu pai, prendendo os cabelos, colando no rosto um bigode, vestindo-se como homem e falando italiano.
Essa transformação produz um choque à sua volta, começando pela mãe e também por outros atores e diretores com diferentes pesos na vida de Chiara, como seu ex- Melvil Poupaud, Nicole Garcia (com quem ela está preparando um filme), outro ex- Benjamin Biolay
e Fabrice Luchini (seu colega no projeto com Nicole e que se torna uma espécie de anjo protetor).

Mas o enredo se nutre também de uma bem-vinda poesia, colhida de cenas dos filmes do próprio Marcello, como A Doce Vida e As Noites Brancas, retrabalhadas num outro registro - introduzindo personagens como um cachorro e um soldado inglês, Colin (Hugh Skinner). Este entrelaçamento com o fio condutor da história é que a faz crescer, com camadas de humor, ternura mas também uma indefinível melancolia. Afinal, todos temos saudades de Marcello Mastroianni. (Neusa Barbosa)

RESERVA CULTURAL 1 - 18/10 - 21h
CINESYSTEM FREI CANECA 2 - 22/10 - 17h
ESPAÇO AUGUSTA 1 - 23/10 - 19h30
CINESYSTEM FREI CANECA 1 - 25/10 - 17h

No Céu da Pátria nesse Instante

Vencedor do Prêmio Especial do Júri e de melhor montagem no Festival de Brasília 2023, o documentário No Céu da Pátria Nesse Instante, da cineasta carioca Sandra Kogut, se arrisca a investigar acontecimentos muito recentes do País, como as eleições de 2022 e os tumultos do 8 de Janeiro, para tomar o pulso de uma realidade dividida, polarizada, contando com personagens de todos os tipos: de funcionários anônimos da Justiça Eleitoral da Ilha do Marajó (PA), que se desdobram para que as eleições ocorram a contento, a candidatos como Marcelo Freixo, no Rio de Janeiro, passando por um comerciante e uma família bolsonaristas.
Enfileirando sequências da campanha dos dois lados, a angústia das apurações, a comemoração dos petistas nas ruas, a posse de Lula e também imagens assustadoramente próximas das depredações do 8 de Janeiro, a cineasta carioca capta o carrossel de emoções que varre o Brasil, colocando essa dúvida: será que conseguimos estabelecer um território comum para que todas as posições consigam conversar.

Certamente, este é o primeiro mas não deve ser o último filme a respeito de todos estes acontecimentos tão vitais para o País, realizado ainda a sangue quente, sem a perspectiva do distanciamento temporal, mas com a vantagem da memória ainda tão viva - e essa memória é que produz o engajamento do público a No Céu da Pátria Nesse Instante, como aconteceu no ano passado, no Cine Brasília. .

Um mérito é a escolha de personagens que são capazes de carregar a narrativa com suas atitudes, idéias e emoções - inclusive o vendedor da avenida Paulista, que vende toalhas tanto de Bolsonaro quanto de Lula mas é bolsonarista (“aqui eu sou loja”, diz ele aos compradores de toalhas de Lula) e, mais ainda, a família bolsonarista, em que o pai é caminhoneiro e promete que “se Lula vencer, vendo meus dois caminhões e saio do País”. Essa família, aliás, é o melhor retrato de uma classe média evangélica, que acredita em fake news como a fraude nas urnas eletrônicas - embora não consiga explicar de onde vem essa convicção num esclarecedor diálogo com a diretora -, movida por pregações de seu pastor, que mistura no mesmo discurso uma toada anticomunista que cita o TSE e o Supremo Tribunal Federal.

Tanto os bolsonaristas quanto os petistas, como a delegada do partido que fiscaliza locais de votação e a militante da campanha de Freixo e André Ceciliano, no Rio, são ouvidos com honestidade, sem caricaturização, traduzindo a clara intenção de entender como é que se estabeleceu esse muro, essas realidades paralelas que não encontram um denominador comum para se ouvir e conversar. Mas, além disso, No Céu da Pátria Nesse Instante é também um eloquente retrato de tantas pessoas anônimas que, com sua atuação miúda, cotidiana, invisível, constróem a democracia no Brasil. (Neusa Barbosa)

CINEMATECA SALA GRANDE OTELO - 18/10 - 19h10
ESPAÇO AUGUSTA 1 - 22/10 - 15h45

Love

Parte de uma trilogia sobre sexo e amor do diretor norueguês Dag Johan Haugerud, trata-se de um filme delicioso sobre relacionamentos, colocando em evidência a qualidade do cinema nórdico. O filme concorreu à competição no mais recente Festival de Veneza. Outro título da trilogia, Sex, também faz parte da programação da Mostra.
A própria geografia peculiar da bela cidade de Oslo torna-se um personagem dentro do enredo, que acompanha as andanças amorosas de uma médica, Marianne (Andrea Braein Hovig) e um enferneiro,Tor (Tayo Citadella). Os dois trabalham juntos num hospital, especializados em atendimento de câncer na próstata.
Tor é gay, Marianne, hétero, mas compartilham uma mesma disposição de não manter relações estáveis. Numa noite em que Marianne encontra-se por acaso com Tor numa balsa que liga bairros da cidade, eles compartilham este e outros detalhes que desconheciam um sobre o outro, estreitando uma amizade.

É notável como o diretor estabelece personagens contemporâneos, de carne e osso, repletos de nuances dramáticas e divertidas, acompanhando-os em suas ligações com outras pessoas de seu meio ou totais desconhecidos com uma naturalidade notável. Os diálogos são também um ponto alto na trama, incorporando pontos de vista das diversas pessoas que os dois protagonistas encontram, seja no trabalho, seja na rua, compondo um mosaico humano estruturado e atraente.

Oslo entra pelos olhos como uma moldura desta complexidade humana vibrante, incorporando o amor, a amizade, o temor à morte, o trato com a doença, percorrendo notas de ternura e humor. (Neusa Barbosa)

CINESESC - 18/10 - 15h
CINESYSTEM FREI CANECA 1 - 21/10 - 21h10
RESERVA CULTURAL 2 - 26/10 - 21h30
ESPAÇO AUGUSTA 1 - 30/10 - 19h20

O Senhor dos Mortos

Não é a primeira vez que o diretor canadense David Cronenberg mergulha no seu voyeurismo da morte, como faz neste drama que concorreu à Palma de Ouro. Sua outra fixação, a tecnologia, aqui é aplicada quando retrata o empresário Karsh (Vincent Cassel), que comanda um negócio de cemitérios high tech, que permite aos parentes manterem controle visual do que ocorre dentro dos túmulos - inclusive acompanhando remotamente a decomposição de seus corpos, se assim o desejarem.
O próprio Karsh é movido por esse voyeurismo mórbido, que lhe permite aplacar a dor pela morte da mulher, Rebecca (Diane Kruger). Todo o controle tecnológico deste cemitério asséptico foi desenvolvido pelo irmão de Karsh, Maury (Guy Pearce), que foi casado com a irmã de Rebecca (também interpretada por Diane Kruger).
Esta dualidade de mulheres idênticas, além do rigor científico e frio com que Cronenberg explora as vicissitudes do corpo (como ele fez em tantos filmes, o último deles, visto em Cannes 2022, Crimes do Futuro), conduzem uma narrativa com ecos profundamente autobiográficos: Cronenberg enviuvou, em 2017, de sua segunda mulher, Carolyn, e o personagem de Cassel parece, até no cabelo, um duplo do diretor canadense.

Dito isso, mesmo construindo com o rigor habitual um universo em que um humor sinistro discretamente se infiltra de tempos em tempos, O Senhor dos Mortos não é o melhor exemplo da perícia do veterano diretor.
Em vários momentos, a narrativa se perde num excesso de palavras que não conduzem a lugar algum.

Mais uma vez, habita-se um universo de homens tóxicos, que aqui se comprazem em obsessões, possessividade até pós-mortem e numa espécie de esquartejamento às vezes literal do corpo feminino, ainda que o filme não negue o lado sinistro destas fixações. Afinal, o resultado é um tanto frustrante, bastante aquém de títulos como Senhores do Crime (2009) e Marcas da Violência (2008). (Neusa Barbosa)

CINEMATECA ESPAÇO PETROBRAS - 18/10 - 19h20
RESERVA CULTURAL 1 - 23/10 - 20h50
RESERVA CULTURAL 2 - 26/10 - 17h
KINOPLEX ITAIM 1 - 27/10 - 18h

Between the Temples

Duas crises de identidade em momentos distintos da vida são ponto de partida da comédia dramática Between the temples, de Nathan Silver. Ben (Jason Schwartzman), um chazan que não consegue mais cantar na sinagoga depois da morte de sua esposa. Carla (Carol Kane), uma mulher madura e viúva que o procura em seu curso preparatório. Eles têm uma ligação que vem do passado: ela foi professora de música dele no ensino fundamental.

Com esses dois personagens lidando com seus pontos de crise, Silver faz um filme sobre os laços que unem as pessoas de forma inesperada e transformam suas vidas. Não é exatamente um Ensina-me a viver, embora esse pareça ser uma inspiração. É um filme sobre como na contemporaneidade somos obrigados a viver identidades múltiplas, como, em um mundo acelerado, nunca é possível ser uma coisa só.

Aos poucos, eles acabam ficando cada vez mais próximos, e não é surpresa que se ajudem mutuamente a superar o presente de dificuldades. Mas, por mais previsível que o filme possa ser, Silver, que também assina o roteiro, ilumina esse percurso com personagens extremamente humanos, como as duas mães de Ben, interpretadas por Dolly De Leon e Caroline Aaron, ou Gabby (Madeline Weinstein), a filha do rabino que todos querem que seja a nova namorada de Ben.

Carol Kane está incrível como a ex-professora passando por uma jornada de preparação típica para crianças, que leva mais de um ano, mas o filme é de Jason Schwartzman, que pode não ser exatamente um ator versátil, mas ele faz muito bem um certo tipo de personagem.

É como se todos eles fossem versões alternativas de Max Ficher (sua estreia no cinema em Três é demais) - aqui, apresenta-se em sua forma mais fragilizada. É como se o protagonista fosse desmoronar a qualquer momento. E, se o mundo fosse justo, Schwartzman seria indicado ao Oscar - ou, ao menos, ao Independent Spirit Award. (Alysson Oliveira)

CINESYSTEM FREI CANECA 1 - 18/10 - 16:30
CINEMATECA SALA GRANDE OTELO - 19/10 - 14:00
CINESYSTEM FREI CANECA 6 - 20/10 - 13:00

A Herança

Roteirista experiente (A Jaula) e diretor de curtas (Sandra Chamando), João Cândido Zacharias estreia na direção de longas com este horror social, protagonizado por um jovem que volta ao Brasil e descobre ter como herança uma casa de campo que pertenceu à avó.

Thomas (Diego Montez) chega ao país na companhia do namorado, Beni (Yohan Levy), que fala pouco português, e se hospeda no casarão, onde moram suas tias Vitória (Analú Prestes) e Berta (Cristina Pereira), com quem ele sempre teve pouco contato. A casa sempre pertenceu à família, e um retrato da avó (Gilda Nomacce) parece ainda vigiar a todos.

Thomas e Beni são muito bem recebidos e paparicados pelas tias, que parecem não ter nenhum comentário sobre o namoro deles, embora sejam claramente conservadoras, a ponto de tentar induzir um romance entre o sobrinho e a moça que trabalha na casa, Amanda (Luiza Kosovski).

A atmosfera do filme, assim como do casarão, é estranha, e muito deve à fotografia de Guilherme Tostes, à direção de arte de Elsa Romero, e ao desenho de produção de Elsa Romero, que criam um ambiente, assim como a mentalidade das tias, que parece parado no tempo.

Aos poucos, o clima abandona-se o realismo para entregar-se a um tipo de terror que lembra os filmes de Juliana Rojas e Marco Dutra, nos quais os elementos fantásticos são materializações de questões sociais – no caso, aqui, a heteronormatividade.

O clímax sangrento é inesperado, e talvez a construção da narrativa e das personagens pudesse ser mais afinada para caminhar para esse momento. De qualquer forma, A Herança é uma nova entrada no cânone de horrores nacionais, um conjunto em franca ascensão. (Alysson Oliveira)

CINESYSTEM FREI CANECA 2 -18/10 - 21:00
CINEMATECA SALA GRANDE OTELO - 28/10 - 14:00

Não Chore, Borboleta

Vencedor do Grande Prêmio da Semana da Crítica Internacional do Festival de Veneza, o drama vietnamita Não chore, borboleta é uma combinação de realismo e fantasia na história de uma organizadora de cerimônias de casamento, cujo próprio casamento entra em crise quando seu marido é visto traindo-a em rede nacional.

A trama, situada em Hanói, tem como protagonista Tam (Lê Tú Oanh), uma mulher que parece viver roboticamente em seu casamento e seu trabalho. Seu marido (Lê V? Long) é um sujeito calado. Já a filha, Ha (Nguyen Nam Linh), busca sua própria independência.

Escrito e dirigido pela estreante Duong Dieu Linh, o longa coloca em posição de destaque a mulher vietnamita contemporânea, numa sociedade marcada pelos diferentes papeis de gênero. A pequena família entra em colapso quando a traição do homem vem à tona.

Combinando humor e horror, o filme é marcado por uma atmosfera surreal que se torna cada vez mais absurda conforme a narrativa avança Dos vazamentos de água à estranha criatura que surge no teto, esses elementos servem para discutir assuntos que são tabus da opressão feminina e temas relacionados.

A interpretação marcante de Lê Tú Oanh é a materialização das frustrações, aspirações e solidão da personagem, em busca de conexão com os outros, mas sempre abandonada pela família e até por desconhecidos. Sua filha, por outro lado, assim como sua geração, é mais consciente do mundo em que vive, e tem aspirações diferentes, em relação ao amor e mesmo sua posição na sociedade.

Uma coisa é certa em Não Chore, Borboleta, a capacidade de Linh criar imagens potentes e de beleza estética também. Como primeiro filme, o longa tem alguns problemas, especialmente na seção final, quando a fantasia se torna predominante. Mas, de qualquer forma, é uma cineasta a se prestar atenção. (Alysson Oliveira)

CINESYSTEM FREI CANECA 5 - 18/10 - 20:10

CINESYSTEM FREI CANECA 3 - 22/10 - 21:45

SATO CINEMA - 26/10 - 13:30

É Apenas um Adeus

Bem minimalista, o documentário de Guillaume Brac focaliza uma turma do ensino médio de uma pequena cidade da França prestes a concluir o curso e partir para uma nova etapa na vida. Os anos passados ali criaram vínculos afetivos profundos e cada um dos rapazes e moças da turma sente a iminência desta separação de uma forma peculiar - sem contar o peso de histórias familiares que já deixaram marcas em vários deles, como doenças psicológicas dos pais ou o fato de ter passado boa parte da adolescência viajando por vários países.

É um filme delicado e atento aos detalhes de seus personagens, que parecem ter incorporado a câmera próxima deles como parte natural de seu cotidiano. Não chega a ser nenhum Entre os Muros da Escola, de Laurent Cantet, até porque suas ambições são infinitamente menores. Mas é um panorama sensível de uma fase pela qual todos passam na vida, embora as circunstâncias do sistema escolar francês sejam bastante diferentes do Brasil. (Neusa Barbosa)

CINEMATECA ESPAÇO PETROBRAS - 18/10 - 15h50
ESPAÇO AUGUSTA 2 - 22/10 - 22h15
KINOPLEX ITAIM 1 - 23/10 - 18h10
CENTRO CULTURAL SÃO PAULO/SALA PAULO EMÍLIO - 30/10 - 19h30