23/07/2026

Panahi leva a Palma de Ouro e Kléber vence dois prêmios em Cannes

Cannes - Afinal o Brasil fez história em Cannes, vencendo em dose dupla, levando melhor direção para Kléber Mendonça Filho (foto ao lado), e ator para Wagner Moura por
O Agente Secreto. A Palma de Ouro, merecidíssima, ficou para o iraniano Jafar Panahi (foto abaixo), por seu intenso e político Un Simple Accident, coroando uma carreira sublime, e que já acumulava os prêmios principais em dois dos outros principais festivais do mundo, Berlim e Veneza. Só faltava mesmo Cannes e o júri, presidido por Juliette Binoche, desta vez não decepcionou, ainda mais levando em conta que Panahi estava há 15 anos impedido de deixar o Irã, passando nesse período por perseguições, prisão e greve de fome. Cannes foi justa com um artista que nunca se curvou a nada disso, filmando em regime de guerrilha, de emergência, como podia, sem nunca se dobrar aos seus perseguidores no Estado iraniano. Que essa circunstância mude.

Ao lado de seu elenco, vários membros dele em lágrimas, Panahi fez um novo chamado à liberdade de expressão: “Este é o momento de falar a todos os iranianos, de todas as opiniões, a quem me permito pedir uma coisa; pondo todos os problemas de lado, o importante é a liberdade de nosso país - que pessoa alguma ouse nos dizer o que fazer”.

Muito bem colocado em todas as apostas de premiação, o norueguês Joachim Trier ficou com o segundo prêmio mais importante, o Grande Prêmio do Júri, para Sentimental Value. Houve uma divisão no Prêmio do Júri, entre o espanhol Sirat, de Oliver Laxe, e o excelente drama alemão Sound of Falling, da diretora Mascha Schilinski, este, especialmente, que seria injusto excluir das premiações.

Revelação

Com muitas atrizes consagradas concorrendo, o júri preferiu distinguir uma novata, a francesa Nadia Melliti, protagonista do filme La Petite Dernière, estreia na direção da atriz Hafsia Herzi, filme, aliás, que venceu a Queer Palm - premiação paralela que, neste ano, teve o diretor brasileiro Marcelo Caetano entre seus jurados. Ano passado, Caetano participou da competição da Semana da Crítica com Baby, que levou prêmio para o ator Ricardo Teodoro.

Os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, super-premiados aqui ao longo dos anos, levaram mais um troféu, o de roteiro, pelo bom drama Jeunes Mères - só que eles não precisavam. O júri bem que podia ter lembrado de outro filme. Afinal, um veterano como o ucraniano Sergei Loznitsa, também muito bem-avaliado nas tabelas dos críticos, ficou sem prêmios para seu drama Two Prosecutors, assim como o bom drama espanhol Romería, de Carla Simón.

Se houve uma repetição do ano passado, foi na atribuição pelo júri de um Prêmio Especial, fora da lista oficial, para a produção chinesa Résurrection, de Bi Gan - um primor técnico, certamente, mas num filme que fica devendo um pouco se comparado ao trabalho anterior do jovem e talentoso diretor, Longa Jornada Noite Adentro. Mas está de bom tamanho.