Atriz leva prêmio por coprodução brasileira no Un Certain Regard
- Por Neusa Barbosa, de Cannes
- 23/05/2025
- Tempo de leitura 2 minutos
Cannes - Representante luso-brasileiro na seção competitiva Un Certain Regard, O Riso e a Faca, de Pedro Pinho, levou um troféu de melhor atriz para a caboverdiana Cléo Diára. Distribuído pela Vitrine Filmes, ele ainda não tem data fechada de lançamento no Brasil.
A história é ambientada no interior da Guiné-Bissau para compor um relato sobre a permanência do colonialismo através das experiências de um engenheiro, Sérgio (Sérgio Coragem). Português, ele chega a uma localidade que se prepara para a construção de uma estrada que afetará profundamente a vida dos moradores locais. O recém-chegado é encarregado de escrever um relatório de impacto ambiental, urgente para liberar a obra, receptora de fundos internacionais.
Desde o começo, o filme de Pedro Pinho (conhecido por seu magnífico trabalho anterior, A Fábrica de Nada, arma uma atmosfera de estranheza, amparada no choque cultural, na demolição das certezas, inclusive as bem-intencionadas e politicamente corretas, de que o jovem engenheiro vem imbuído. Ele não tarda a receber lições de vida de duas descoladas figuras locais, Gui (o ator brasileiro Jonathan Guilherme) e Diára (Cléo Diára), por quem, aliás, se sente sexualmente atraído.
A longo das extensas 3 horas e meia de duração, O Riso e a Faca- que tira seu nome de uma música de TomZé - , insere todo um contexto, que permite vislumbrar tanto a vitalidade cultural guineense quanto uma crônica pobreza e falta de estrutura, esta uma herança maldita de uma colonização portuguesa que, como todas as outras, fixou-se na exploração extensiva dos recursos naturais, abandonando a população negra à própria sorte, sem educação, sem saneamento básico, sem estradas, criando essas lacunas que perduram até agora.
O filme tem vários brasileiros em sua equipe técnica, como a montadora Karen Akerman, o diretor de fotografia Ivo Lopes Araújo e o editor de som Pablo Lamar.
Documentário sobre Assange
Outro prêmio, este um Especial do Júri, foi concedido ao documentário The Six Billion Dollar Man, de Eugene Jarecki, dentro da premiação Olho de Ouro, reservada aos documentário da seleção do festival. Este prêmio acaba de completar 10 anos.
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