Uma noite dedicada à folia e a diversidade da cultura brasileira
- Por Neusa Barbosa, do Recife
- 11/06/2025
- Tempo de leitura 2 minutos
Recife - A segunda noite do Cine PE foi um banho na rica cultura local, a partir do documentário O Ano em que o Frevo Não Foi pra Rua, em que os diretores Mariana Soares e Bruno Mazzoco focalizam a interrupção do Carnaval pernambucano em dois anos de pandemia da covid-19, em 2021 e 2022.
Entrevistando personagens do vigoroso Carnaval do Recife e Olinda, o filme explorou o impacto da ausência da festa e também a alegria por ocasião de sua volta, em 2023. Cada imagem, cada depoimento e sobretudo cada música cantada foram acompanhadas com emoção pela plateia presente ao Teatro do Parque, culminando numa reação entusiasmada que faz prenunciar que aqui pode estar o Prêmio do Público desta 29ª edição.
Também os curtas da competição pernambucana caminharam na mesma linha de retratar a imensa diversidade local. Foi o caso de
O Carnaval é de Pelé, dos diretores estreantes Lucas Santos e Daniele Leite, que trouxe à tela a riqueza da expressão da festa popular do Boi Tira-Teima em Caruaru a partir do perfil de um de seus artistas, o enfermeiro aposentado Adalberto Gercino, conhecido pelo apelido de Pelé.
Ao lado, equipe do longa O Ano em que o Frevo Não Foi pra Rua - crédito Felipe Souto Maior
O outro curta da competição local foi Babalu é Carne Forte, da diretora Xulia Doxagui, ficção que nasceu de uma pesquisa documental sobre as festas sincréticas de Cosme e Damião, entre o catolicismo e o candomblé. Daí nasceu um relato impregnado de realismo mágico em torno da volta de Diana (Joe Andrada) à comunidade onde nasceu para a festa dos santos gêmeos, entrando em contato novamente com um trauma do passado e a presença mística de um irmão, morto ainda criança.
Tradições japonesas
Completando o painel da diversidade brasileira, na
competição nacional foi exibida Kabuki, animação do diretor paulista Tiago Minamisawa - já premiado no Festival de Brasília 2024. Resultado de 9 anos de trabalho em coprodução com a França, a transexualidade transparece na figura da protagonista, uma figura oriental desde a infância em busca de uma nova identidade sexual, que recorre à troca de várias máscaras, inspirações das artes japonesas do kabuki, butoh e teatro nô, e experimenta uma transformação física de várias fases, com um toque fantástico.
O diretor Minamisawa, aliás, tem uma trajetória vencedora na animação, tendo dirigido o multipremiado Sangro (2019). Já Kabuki é dedicada a Valéria Rodrigues, uma ativista trans de Francisco Morato, em São Paulo, que foi consultora do roteiro e morreu de covid-19 em 2020. Além disso, encerra o filme um letreiro lembrando as mortes de pessoas trans no Brasil, alegadamente o país que mais mata essas pessoas no mundo.
Cerca de 1.300 delas teriam sido mortas apenas durante o período de produção do filme.
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