06/06/2026

Dicas para o fim de semana: A política, a natureza e a arte de mãos dadas

O primeiro final de semana da 36ª. Mostra já começa quente, com algumas das melhores atrações do mais recente Festival de CannesNo, do chileno Pablo Larraín, e A Parte dos Anjos, do inglês Ken Loach -, de Berlim – o português Tabu, de Miguel Gomes – e novidades brasileiras, como o belo documentário Francisco Brennand, de Mariana Brennand Fortes, uma justa homenagem a um dos maiores artistas do Brasil e do mundo. Confira os detalhes de cinco dicas abaixo:

NO
Grande vencedor da Quinzena dos Realizadores de Cannes 2012, este quarto filme do chileno Pablo Larraín encerra uma trilogia de exorcismo político da herança maldita da ditadura de Augusto Pinochet, como fez em trabalhos anteriores como Tony Manero e o inédito no Brasil Post Mortem.
Larraín escalou o mexicano Gael García Bernal para estrelar uma ficção que reconstitui o histórico plebiscito de 1988, convocado por pressão internacional e em que o ditador pretendia conseguir um aval popular para sua continuidade no poder depois de 15 anos do golpe - mas acabou derrotado, abrindo caminho à redemocratização.
Gael interpreta René Saavedra, um publicitário, filho de um exilado, que cresceu longe do país, e foi convidado pela esquerda para orientar a campanha do “não” a Pinochet. Habilmente, o roteiro de Pedro Peirano desenvolve as diversas posições em jogo, mesmo dentro de uma esquerda extremamente dividida, mas que acaba cedendo aos apelos de René no sentido de dar uma roupagem mais otimista à campanha, deixando em segundo plano os slogans políticos e a cobrança pelos mortos e desaparecidos, o que obviamente gera polêmica – mas esse tom positive é decisivo para a derrota de Pinochet.
Em conversa com o público em Cannes, o diretor explicou
a fotografia do filme, que foi feito inteiramente em U-Matic, para reproduzir a estética dos anos 80. “Não queria que se pudesse distinguir entre o material filmado e o material original da época. Queria uma estética coerente com a caligrafia visual daquele período”. Parraín usa muitos trechos da campanha televisiva real no filme e realmente obteve seu objetivo, no sentido da uniformidade de cores e textura.
Outra razão para este visual, segundo o diretor, é que ele não via como reconstituir aqueles fatos usando alta definição, por exemplo. “Minha infância foi marcada por imagens desse imaginário sujo. Era preciso manter aquela obscuridade, aquela impureza”.
O roteiro partiu de uma peça inédita do autor Antonio Skármeta, El Plebiscito, mas muita pesquisa com as pessoas que viveram realmente aqueles fatos complementou a história. “Entrevistamos todos os envolvidos. Na verdade, cada personagem representa uma série de pessoas, não uma única”, explicou o roteirista. (N.B.)

NO (No), de Pablo Larraín (115'). Chile/França/EUA. Indicado para: 14 anos.
RESERVA CULTURAL 1










19/10/2012 - 22:30 - Sessão: 64 (Sexta)
CINE LIVRARIA CULTURA 1








20/10/2012 - 17:20 - Sessão: 146 (Sábado)
CINEMARK - SHOPPING CIDADE JARDIM 6


21/10/2012 - 21:00 - Sessão: 278 (Domingo)
CINE LIVRARIA CULTURA 1








30/10/2012 - 14:00 - Sessão: 1080 (Terça)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 5

31/10/2012 - 19:50 - Sessão: 1155 (Quarta)

A PARTE DOS ANJOS
Deixando para trás a justa fúria de Rota Irlandesa, o sempre alerta diretor inglês Ken Loach voltou à Escócia, onde filmou há 10 anos o inédito e amargo Sweet Sixteen, revisitando Glasgow, cidade em que se mantém um cenário de desemprego e criminalidade juvenil generalizada, em seu novo A Parte dos Anjosvencedor do Prêmio do Júri em Cannes 2012.
Desta vez, Loach e seu inseparável escudeiro, o roteirista escocês Paul Laverty, estão a fim de abrir uma brecha para a luz. Sorte de seu protagonista, Robbie (Paul Brannigan), para quem o destino, dentro ou fora da tela, parecia sombrio. Afinal, tanto o personagem quanto o ator de primeira viagem têm um histórico povoado de encrencas com a polícia.
Para Robbie, esta estrada chegou a um momento de decisão. Depois de uma grave agressão, ele tem sua última chance para não ser preso e vai cumprir uma pena de serviços comunitários. Além de conhecer uma simpática trupe de malucos e uma figura paternal no seu supervisor, Harry (John Henshaw),ele tem a chance de entrar em contato com o, para ele, desconhecido mundo das destilarias de uísque, um dos tesouros nacionais da Escócia.
Pois não é que o rapaz descobre que tem um paladar fino para os melhores maltes? Pois é, e isso pode abrir-lhe as portas de uma nova profissão. Antes, Robbie vai precisar se capitalizar um pouco, o que lhe dá a idéia de uma esquema relacionado com sua antiga vida: roubar alguns litros de um precioso uísque que vai a leilão dentro de uns dias.
Loach e Laverty esmeram-se no seu melhor neste mergulho na natureza humana em tempo de crise, sem esquecer de muito humor pelo caminho. Atire a primeira pedra quem não simpatizar com estes simpáticos perdedores à procura de uma saída. (N.B.)

A PARTE DOS ANJOS (The Angel`s Share), de Ken Loach. (101’). Inglaterra/França, Bélgica/Itália.
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA – Sala 1
19/10/2012 – 23h30 – (Sábado)
CINEMARK CIDADE JARDIM – Sala 6
20/10/2012 – 19h – Sessão:
188
(Sábado)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA – Sala 2
22/10/2012 – 21h25 – Sessão: 292 (Segunda)
RESERVA CULTURAL
23/10/2012 – 21h45 – Sessão: 428 (Terça)
LIVRARIA CULTURA – Sala 1
27/10/2012 – 15h45 – Sessão: 821 (Sábado)

TABU
A força e originalidade de um novo cinema português pulsa na obra de Miguel Gomes, diretor deste filme, exibido no Festival de Berlim 2012, de onde saiu com o prêmio da Fipresci – Federação Internacional dos Críticos – e o Alfred Bauer, dedicado a filmes dotados de uma peculiar inovação.
Diretor de Este Querido Mês de Agosto (2008), atração da Quinzena dos Realizadores de Cannes – e também presente na Mostra, ao lado de outras obras do realizador - , Gomes realiza neste novo longa um salto cinematográfico mais ambicioso, atingindo um particular amálgama de intenções, numa narrativa fluente, que perpassa questões como o colonialismo europeu na África, a persistência do racismo e das relações de dominação, o machismo, e as forças da paixão e do inexplicável que, apesar de todas estas restrições, permeiam a vida humana. Apoiado numa bela fotografia em preto-e-branco, o filme conta, de forma não-linear, a história de Aurora – na velhice, vivida por Laura Soveral, na juventude, por Ana Moreira.
Mulher que viveu uma grande e proibida paixão na África há 50 anos, Aurora tem no seu nome uma das referências-chaves da obra, ao cineasta alemão F. W. Murnau – que começa, evidentemente, no título do filme, Tabu, e sua ambientação num cenário primitivo, em que a selva, as mitologias e também as pulsões primárias da natureza humana coexistem. O crocodilo é outro símbolo deste trabalho misterioso, envolvente e cheio de imaginação. (N.B.)

TABU (Tabu), de Miguel Gomes (119'). Portugal/Alemanha/Brasil/França. Indicado para: 14 anos.
CINESESC















19/10/2012 - 21:10 - Sessão: 68 (Sexta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1

20/10/2012 - 23:30 - Sessão: 106 (Sábado)
CINEMATECA - SALA BNDES








21/10/2012 - 18:30 - Sessão: 230 (Domingo)
CINEMARK - SHOPPING ELDORADO 7




22/10/2012 - 20:50 - Sessão: 365 (Segunda)


FRANCISCO BRENNAND
Não se trata de uma cinebiografia clássica do famoso artista plástico pernambucano –embora, a seu modo, narre a trajetória de vida e profissional dele. O longa, de MarianaBrennand Fortes, é bem mais do que isso ao se propor um mergulho no universo de seu tio-avô, cuja obra é muito peculiar. Nos arredores de Recife, ele criou um mundo próprio habitado por esculturas de pessoas, animais e outros seres. O documentário sutilmente descontrói não apenas este universo, mas também o processo de criação do artista.
Talvez por estar com uma pessoa da família, Brennand sinta-se mais à vontade, falando muito sobre seus diários, peças e quadros. Mariana fez o filme em duas etapas. A primeira foi em 2002, contando com uma equipe bastante compacta que traz na direção de fotografia Walter Carvalho. Ela tinha curiosidade sobre aquela figura que construiu um verdadeiro templo com sua arte numa antiga propriedade da família – as ruínas de uma fábrica se cerâmica que ficaram conhecidas como Oficina Brennand. Num espaço gigantesco, o artista cria e expõe suas obras, muitas delas a céu aberto, com as quais o público pode interagir, tocar, ao contrário dos museus em geral.
A segunda parte da produção desencadeou-se quando Mariana teve acesso aos diários que o tio mantém desde os 22 anos. A partir disso, ela e sua equipe tentam levar para o texto do filme a essência das palavras. Surge então um diálogo, da montagem, intercalando texto e entrevista – sempre iluminados pela obra de Brennand. O outro diálogo que se materializa dá-se entre as esculturas e pinturas. O próprio artista admite ser mais acadêmico (ao menos atualmente) em seus quadros do que com as outras obras.
O bom documentário sobre um artista plástico deve ser como esse Francisco Brennand – saber conjugar o artista e sua arte, encontrar o ponto de intersecção em que a linha que os separa já não existe mais. O filme mostra que Brennand é sua arte, e essa arte é Brennand. (A.O.)

FRANCISCO BRENNAND, de Mariana Brennand Fortes (75'). Brasil. Indicado para: Livre.
CINEMATECA - SALA BNDES
20/10/2012 - 19:00 - Sessão: 139 (Sábado)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA 3
CINE LIVRARIA CULTURA 2
21/10/2012 - 17:20 - Sessão: 248 (Domingo)
30/10/2012 - 16:00 - Sessão: 1085 (Terça)

ENTRE O AMOR E A PAIXÃO
Em Longe Dela, seu primeiro longa como diretora, a canadense Sarah Polley adaptou um conto famoso de Alice Munro, realizando um estudo complexo e tocante do envelhecimento de uma relação conjugal que sobreviveu a diversas provas e enfrentava a maior de todas: a personagem feminina perdendo sua mente para o Alzheimer. Em seu novo trabalho, Entre o amor a paixão, a jovem cineasta volta o foco para outra faixa etária e nem sempre consegue encontrar a mesma profundidade do filme anterior.
Polley também assina o roteiro que acompanha as dúvidas emocionais de Margo (Michelle Williams), escritora desgostosa com sua vida que passa o tempo escrevendo os panfletos de um parque de diversões. A princípio, ela parece feliz em seu casamento com Lou (Seth Rogen) autor de livros de culinária, que usa a garota como cobaia para suas receitas (todas envolvendo frango).
O casamento, na verdade, não deve estar de todo bem, senão não haveria espaço para Daniel (Luke Kirby), que Margo conhece num parque temático medieval. Por acaso, ele mora na casa em frente à dela, mas eles nunca haviam se notado (!). Como o título já entrega, a protagonista fica dividida entre esses dois homens.
É curioso que quando tratava de personagens mais velhos do que ela, a diretora soube lançar um olhar iluminador para os relacionamentos. Aqui, ela entra em caminhos nemsempre bem resolvidos – as personagens masculinas, por exemplo, não dizem bem a que vieram, e a dúvida de Margo entre um e outro muitas vezes não parece ter muito sentido. Por outro lado, Polley banha seu filme em tons saturados e a trilha sonora – especialmente pelo uso de "Video killed the radio star", da banda Buggles – é muito bem aproveitada. E o final, como Longe dela, é belo demais. (A.O.)

ENTRE O AMOR E A PAIXÃO (Take this Waltz), de Sarah Polley (116'). Canadá/Espanha./Japão. Indicado para: 12 anos.
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - POMPÉIA 9
19/10/2012 - 21:40 - Sessão: 77 (Sexta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 5 20/10/2012 - 18:20 - Sessão: 125 (Sábado)
CINE LIVRARIA CULTURA 2
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 6 31/10/2012 - 21:15 - Sessão: 1161 (Quarta)
21/10/2012 - 21:30 - Sessão: 245 (Domingo)