05/06/2026

Noite de documentários em Gramado traça perfis de artistas e refugiados

Segunda-feira (21) foi um dia inteiramente dedicado aos documentários na competição do 48o Festival de Gramado. Entre os longas, o brasileiro O Samba é Primo do Jazz, de Angela Zoé (foto ao lado), um perfil da cantora Alcione; e o uruguaio El Gran Viaje al País Pequeño, de Mariana Viñoles, acompanhando as peripécias de um grupo de refugiados sírios rumo a uma difícil adaptação no Uruguai. Os curtas foram Wander Vi, de Natalya Brum e Augusto Borges (DF), sobre um aspirante a cantor, e Extratos, de Sinai Sganzerla (SP), criado a partir de imagens do casal Rogério Sganzerla e Helena Ignez em seus anos de exílio, na década de 1970.

A dificuldade de ser artista no Brasil foi captada pelos dois curtas, cada um em sua chave - Wander Vi, pelo aspecto literal, dos obstáculos encontrados por um jovem negro e da classe trabalhadora da Ceilândia (DF) para conseguir se auto-empreender e cavar suas chances de realizar o sonho de tornar-se cantor. Em Extratos (foto ao lado), que incorpora belas imagens colhidas em 16 mm, está em cena a resistência de artistas perseguidos pela ditadura militar, o cineasta Sganzerla e sua mulher, atriz e diretora, Helena Ignez, que, como tantos outros artistas na época, num determinado período tiveram que sair de circulação, primeiro viajando a países como a Inglaterra e o Marrocos, retornando depois para uma vida meio clandestina na Bahia.

Estrela em cena
O curta carioca encontrou uma correspondência em O Samba é Primo do Jazz (foto ao lado), que empresta seu título de uma canção de Ney Lopes e revela a intimidade de uma artista popular e consagrada, a cantora Alcione, muito dona de si, carismática, expressiva, tomando conta da cena com muita espontaneidade. O documentário tem o mérito de revelar, para quem não sabe, a sólida formação musical da intérprete maranhense, que aprendeu a ler partituras e tocar instrumentos como clarinete, piston e trompete com o pai, músico e líder de orquestra.

Foi com este perfil que ela se mudou para o Rio, cidade em que se tornou cantora de boate e, bem depois, encontrou o samba - que entrou em sua vida num encontro com Roberto Menescal, que então trabalhava para uma gravadora, através de um contato feito por Jair Rodrigues. Outro aspecto saboroso do documentário é mostrar o trio de irmãs em torno da carreira da cantora, duas empresárias e uma backing vocal, que ironicamente seu auto-intitulam "as quatro cavaleiras do Apocalipse".

Sírios no Uruguai
Premiado no Docs Barcelona, El Gran Viaje al País Pequeño acompanhou, por quatro anos, uma família síria, formada por Sanaa, Ibrahim e seus três filhos pequenos, Ahmed, Nihal e Moussa, este último já nascendo no Uruguai. A diretora Mariana Viñoles começa a relacionar-se com eles enquanto ainda refugiados no Líbano, fugindo da guerra da Síria, iniciada em 2012.

Todo este tempo permitiu, como a diretora frisou na coletiva online desta manhã, a formação de um vínculo que foi essencial para que o projeto chegasse à sua conclusão. Não sem antes passar por algumas crises, que o filme incorpora com muita precisão. Como quando se instala a decepção com o novo país, que no entender dos refugiados, tinha falhado em cumprir suas promessas em termos de oferecimento de trabalho e condições de vida.

A diretora explicou porque não teve problemas em expor estas críticas, não raro veementes, ao seu próprio país. “Havia que ser honesto. Todos estivemos um pouco empolgados com esta utopia da missão humanitária no governo de José Mujica (que aceitou 120 refugiados sírios). Nunca imaginei que, seis meses depois, eles estariam tão revoltados, a ponto de querer voltar ao Líbano. Eu até comento meu ponto de vista em off também. Era uma autocrítica necessária”.

O documentário, aliás, foi o primeiro filme uruguaio a entrar em cartaz no seu país ao serem levantadas as primeiras restrições da pandemia. Ainda está nas salas uruguaias e também deve percorrer outros festivais.

A programação prossegue nesta terça (22), confira abaixo os detalhes:

20H
MOSTRA COMPETITIVA

CMB Dominique (RJ), de Tatiana Issa e Guto Barra / 19′
CMB Joãosinho da Goméa – O Rei do Candomblé (RJ), de Janaina Oliveira ReFem e Rodrigo Dutra / 14’24”
LMB Aos Pedaços (RJ), de Ruy Guerra / 92′
LME Matar a un muerto (Paraguai), de Hugo Giménez / 87’
LMB e LME | Longas-Metragens Brasileiros e Estrangeiros
Única exibição em televisão pelo Canal Brasil, a partir das 20h.

CMB | Curtas-Metragens Brasileiros
Única exibição em televisão pelo Canal Brasil, de acordo com a programação;
Disponível 24h no Canal Brasil Play, o serviço de streaming.

Canal Brasil

Vale lembrar como encontrar o Canal Brasil nas seguintes operadoras de TV:

NET: canal 650 HD e canal 150 SD
Oi TV: canal 806 HD e canal 66 SD
SKY: canal 113 ou 513
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GVT | Vivo TV: canal 103
Vivo TV (DTH): canal 806 HD
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