Cine Ceará encerra competição com o multipremiado "A meia voz"
- Por Neusa Barbosa, de Fortaleza
- 11/12/2020
- Tempo de leitura 3 minutos
Último filme da mostra competitiva ibero-americana do Cine Ceará, o documentário A meia voz (A media voz), das diretoras cubanas Heidi Hassan e Patricia Pérez Fernández (foto abaixo, durante live do festival), chegou com a indiscutível credencial de ter vencido prêmios como o principal no Festival Internacional de Documentários de Amsterdã, de melhor documentário no Festival de Havana e melhor direção no Festival de Málaga em 2019.

Tantas premiações podem dar uma impressão prévia enganosa sobre um filme que em seu título não mente - seu tom é certamente mais baixo, mais sutil, menos grandiloquente, ao tratar da vida de duas amigas de infância, as diretoras, separadas temporariamente quando Patricia decidiu abruptamente ficar na Europa, contato esse retomado depois que Heidi faz o mesmo alguns anos depois.
Diversos temas percorrem esse filme singular - o exílio, a separação das raízes, família e amigos, a dificuldade de inserção na Europa, a dificuldade de voltar a trabalhar com cinema, como em Cuba, a crise dos 40 anos, as decisões sobre maternidade. É um filme com vozes muito femininas, que se enlaçam a partir da decisão das diretoras de compor a narrativa em separado, a partir da troca de video-cartas.
Materiais de arquivo e sequências reencenadas encaixam-se numa história impregnada com a busca de identidade e sobrevivência num contexto diferente daquele no qual se nasceu - e que continua a habitar cada uma das diretoras, indissoluvelmente, por mais que estejam há cerca de 18 anos vivendo fora de Cuba.
Participando do debate do filme, nesta sexta (11), a partir de Madri, as diretoras contaram que os efeitos das premiações ao seu longa de estreia se fizeram sentir. Elas formaram uma produtora, a 3 Hundred, integrada por outros cubanos na diáspora na Europa, e se dedicam neste momento a novos projetos - não só no documentário, como na ficção.
Ambas comentaram também que há, neste momento na Espanha, um grande interesse pelo cinema feminino, que hoje é estimulado por cotas nos fundos de produção.
Noite de encerramento
Estrelado por Lázaro Ramos e Thalita Carauta o longa-metragem Silêncio da Chuva, de Daniel Filho, terá uma exibição especial nesta sexta-feira (11/12) em sessão hors-concours no Cineteatro São Luiz, em Fortaleza. Inspirado no romance policial de Luiz Alfredo Garcia-Roza, o filme narra a saga do detetive Espinosa (Lázaro Ramos) e da policial Daia (Thalita Carauta) em solucionar o mistério que envolve a morte do executivo Ricardo (Guilherme Fontes), encontrado baleado sentado ao volante de seu carro, no bairro da Urca, no Rio de Janeiro. A atriz Thalita Carauta foi premiada na Rússia como melhor atriz no BRICS Film Festival.
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