Na cola do candidato brasileiro ao Oscar e filmes inspirados em artistas
- Por Alysson Oliveira e Neusa Barbosa
- 29/10/2021
- Tempo de leitura 17 minutos
O segundo fim de semana da Mostra registra a última sessão de Deserto Particular (foto), de Aly Muritiba, representante brasileiro a uma indicação ao Oscar 2022 – e cujo protagonista, Antonio Saboia, foi entrevistado pelo Cineweb. Outras atrações são filmes de diretoras francesas,A ilha de Bergman, de MiaHansen-Løve, e Eu quero falar sobre Duras, de Claire Simon. Também na programação a fantasia brasileira Medusa, de Anita Rocha da Silveira, exibido em Cannes, e o cult croata Murina, da estreante Antoneta Alamat Kusijanovic, vencedor do Caméra d’Or.
Deserto Particular
Ator de filmes como Bacurau e Lamparina da Aurora, além da série Os últimos dias de Gilda, Antonio Saboia protagoniza Deserto Particular, o filme de Aly Muritiba selecionado para representar o Brasil no Oscar. No longa, ele interpreta Daniel, um policial que vive em Curitiba, mas está suspenso depois de cometer um erro. Ele mora com um pai idoso (Luthero Almeida), que consome muito de seu tempo e paciência. Sua única alegria, ultimamente, era uma relação virtual com a misteriosa Sara que, depois de longas conversas virtuais, sumiu. Apesar das poucas pistas, Daniel viaja até Sobradinho (Bahia), em busca dela.
“Quis ler o roteiro assim que soube do argumento e foi amor à primeira vista”, conta Saboia em entrevista ao Cineweb. “Terminei a leitura e não conseguia parar de pensar na história, na jornada desse cara e o quão importante era contar isso tudo nesse momento que estamos vivendo. Mandei minhas impressões para o Aly e a Márcia Godinho, a produtora de elenco. Sem pensar, estava trabalhando antes mesmo de ser escolhido. Além das nossas ideias baterem, o Aly sentiu que eu compartilhava com ele o desejo de contar essa história e acho que isso acabou chamando sua atenção, nos encontramos e deu match”.
Daniel passa por uma grande transformação ao longo do filme, e Saboia também teve de se preparar para o personagem. “Eu precisava também sentir o corpo desse cara, pesado, e pra isso ganhei 10 kg em pouco menos de 1 mês e meio. Tentei criar um arquétipo de ‘macho alfa’ sem cair em caricaturas nem maniqueísmos e injetar uma certa dose de humanidade e fragilidade para dar espaço a certos questionamentos.” Nesse sentido, o ator confessa que tinha de
compreender as origens desse personagem. “Eu precisava entender de onde ele vinha, qual era seu contexto desde a infância e porque ele carregava tanta raiva. É um cara humano e muito presente para sua família mas que carrega profundas amarguras e é totalmente travado por uma educação rígida que ele nunca questionou.”
compreender as origens desse personagem. “Eu precisava entender de onde ele vinha, qual era seu contexto desde a infância e porque ele carregava tanta raiva. É um cara humano e muito presente para sua família mas que carrega profundas amarguras e é totalmente travado por uma educação rígida que ele nunca questionou.”
No set, Saboia conta que Muritiba é um diretor generoso, que dá bastante espaço para seu elenco. “Caminhamos o tempo todo na corda bamba nesse filme e era muito importante estar sempre muito alinhados. O filme é fruto de um verdadeiro esforço coletivo de todos que participaram da construção dessa história.”
O longa fez sua estreia mundial na mostra Giornate degli Autori, no Festival de Veneza, em setembro, de onde saiu com o prêmio de público. “Foram dois anos de espera, seleção no festival de Veneza, estreia numa sala grande lotada e tudo que eu tinha eram as impressões que eu carregava do set, as palavras de satisfação de quem já tinha visto o filme e o termômetro de estar em um festival como Veneza. Era um misto de alegria, por estar finalmente descobrindo o filme
e de desespero total, sem saber o que esperar.”
e de desespero total, sem saber o que esperar.”
Deserto Particular é um filme sobre um homem e um país em crise, trazendo, assim, pontos que podem ser transformados. “O filme fala sobre a necessidade de estar à escuta do outro, sobre a importância de questionar a forma como fomos e somos educados e condicionados”, define o ator. E a escolha do longa para o Oscar, é “uma oportunidade de dizer em alto e bom som que, apesar de tudo, há esperança. É um filme que dialoga diretamente com esse momento sombrio do país, mas traz uma luz no final do túnel.” (Alysson Oliveira)
Antes de chegar ao circuito comercial, em 25 de novembro, o filme tem sua última sessão na Mostra no cinema:
Espaço Itaú de Cinema – Sala 1
- 30/10/21 - 13:30
- 30/10/21 - 13:30
Bergman Island
O filme de MiaHansen-Løve traz em suas cenas os dois maiores legados culturais que a Suécia deu ao mundo: Ingmar Bergman e Abba. Embora em pontos diametralmente opostos da produção cultural, ambos entram de maneira sagaz e poética na narrativa. O título talvez soe como esnobe, algo voltado apenas para cinéfilos, mas não poderia estar mais longe disso. É uma declaração de amor ao cinema, mas também uma investigação delicada sobre as dinâmicas de gênero nas artes e no casamento.
A protagonista é uma cineasta em crise, Chris (Vicky Krieps), que ao lado do marido, também cineasta, Tony (Tim Roth), está na ilha de Fårö, onde viveu e morreu Ingmar Bergman. Tudo no local respira Bergman. O turismo é intenso – há inclusive algo que chamam de “safari”, uma excursão por pontos usados como cenários pelo diretor em seus filmes. Cada um dos integrantes do casal está escrevendo um roteiro e os diferentes métodos de trabalho são outro motivo de tensão entre o casal.
Chris não consegue avançar em seu texto, especialmente no sentido de encontrar um final. Por isso, ela procrastina. Passeia de um lado para outro, visita pontos turísticos com um jovem estudante de cinema (Hampus Nordenson) que acabou de conhecer, bisbilhota os escritos do marido quando ele não está por perto – algo de que se arrepende depois do que vê. Tony é uma espécie de estrela, participa de uma exibição de um filme seu, na qual é assediado por fãs. Sua esposa, apesar dos indícios de ser uma cineasta talentosa, fica de escanteio.
Hansen-Løve foi casada com o cineasta francês Olivier Assayas, mas o filme não parece dar indícios – como Encontros e Desencontros, por exemplo – de ser inspirado diretamente em seu casamento. Pelo contrário, a diretora, que também assina o roteiro, usou questões artísticas e pessoais que a interessam como uma mulher que faz filmes, mas não se nota qualquer espécie de ranço pessoal contra o ex-marido.
A certa altura em Bergman Island, Chris conta ao marido sobre o roteiro que está escrevendo. Então, o longa se transforma em outro filme, agora protagonizado por Mia Wasikowska, como Amy, uma jovem que vai a um casamento em Fårö e acaba se reencontrando com um antigo amor, Joseph (Anders Danielsen Lie), que, embora retribua os sentimentos, tem uma namorada a quem não cogita abandonar.
É um momento de metaficção dentro de Bergman Island que ameaça a tirar o longa dos trilhos, mas Hansen-Løve consegue muito bem encontrar um equilíbrio entre o “mundo real” e o “filme dentro do filme”, sendo que um espelha e transforma o outro. Acompanhamos o drama de Amy e a agonia de Chris escrevendo um roteiro, a fase da produção, aliás, o que ela mais odeia, buscando ajuda no marido, que é mais omisso do que solícito.
Bergman Island está, acima de tudo, discutindo a posição da mulher no mundo das artes. Desde a luta de Chris para encontrar sua própria voz, e ser ouvida, até as injustiças que uma artista enfrenta na desigualdade social. “Aos 25 anos, Bergman tinha dirigido 25 filmes. Como você acha que ele teria feito isso se também tivesse de trocar fraldas?”, diz uma senhora que o conheceu pessoalmente, interpretada pela jornalista sueca Kerstin Brunnberg, que também faz parte do grupo de administradores da Fundação Bergman.
Não é preciso conhecer a obra do cineasta sueco, mas, obviamente, isso traz novas camadas ao filme. Numa das melhores cenas, Chris e Tony discutem qual filme de Bergman vão assistir, preferindo algo mais leve (como se houvesse isso na filmografia dele), mas acabam optando por Gritos e Sussurros. “Eu gosto de uma certa coerência”, diz ela, um tanto decepcionada, fã de Bergman, quando fica sabendo de episódios não muito edificantes na vida do cineasta – em especial sua relação com suas mulheres e seus nove filhos e filhas.
O cinema de Hansen-Løve é quase o de uma miniaturista. Ela trabalha seus personagens, envolvidos em seus mundinhos, suas vidas e, a partir disso, investiga a dinâmica das relações pessoais no mundo de hoje. Seu jeito de filmar é leve e talvez isso faça seus filmes parecerem simples – o que, certamente, não são. Há muito acontecendo por debaixo da superfície plácida. Aqui, as calmas águas cristalinas de Fårö são apenas a fina camada que esconde – mas também liberta – a tempestade na mente e no coração de Chris, seja como artista, mãe ou esposa. (Alysson Oliveira)
Disponível na Mostra Play e em cinemas:
Cine Marquise
Sala Globoplay 1 - 01/11/21 - 16:30
Sala Globoplay 1 - 01/11/21 - 16:30
Eu quero falar sobre Duras
Em dezembro de 1982, Yann Andréa (Swann Arlaud), companheiro de Marguerite Duras há dois anos, convoca a jornalista Michèle Manceaux (Emmanuelle Devos), amiga da célebre escritora, para uma série de entrevistas gravadas. Havia provavelmente intenções literárias por trás das conversas mas o fato é que as fitas gravadas permaneceram inéditas e com a jornalista até sua morte, em 2015. Yann nunca as resgatou. Coube à sua irmã, Pascale Lemée, recuperá-las e esta é a base deste curioso filme da veterana diretora Claire Simon.
Em depoimentos que muitas vezes parecem sessões de psicanálise, Yann, que mantinha uma relação tempestuosa com Duras e não apenas pela grande diferença de idade - era 38 anos mais jovem do que ela -, abre seu coração com uma franqueza impressionante. Não se esquiva de nenhum tema polêmico, de nenhum sentimento pouco edificante, seu ou de Marguerite. Expõe detalhadamente as afinidades e os conflitos que uniam e separavam os dois, que ficaram juntos 16 anos, até a morte da escritora, em 1996.
A jornalista é uma hábil ouvinte mas, de tempos em tempos, coloca perguntas que podem aprofundar o tom da narrativa íntima de que compartilha. Oscilando em closes entre Yann e Michèle, a câmera pousa delicada neles, como uma borboleta, como não querendo quebrar o encanto do momento que os dois dividem - sem dar atenção às tentativas eventuais de Marguerite, no andar abaixo, de interromper a conversa soando a campainha ou telefonando. Yann, por sua vez, leva a sério os horários desta entrevista, que ele decidiu assim, tentando impor algum limite a uma relação não raro sufocante em sua intensidade.
Um recurso interessante no filme é usar somente imagens documentais de Duras, de uma maneira que dialoga perfeitamente com a narrativa realizada por seu amante - introduzindo, por exemplo, cenas de India Song (1975), filme que ela dirigiu e que proporcionou, num debate após uma de suas sessões, o início do relacionamento entre os dois.
A história desta aproximação inusitada de duas criaturas de gerações diferentes e que viviam longe entra densa no relato, que cresce em intensidade apostando, acima de tudo, na força da palavra. Que foi, afinal, o que aproximou Yann e Marguerite, primeiro por meio de cartas dele, enviadas por cinco anos sem que ela respondesse e antes que, finalmente, ela concordasse em encontrá-lo, Se há um acerto no filme é ter encontrado o tom certo para respeitar esse estranho encantamento hipnótico que a palavra encontra, acima de tudo, na literatura. (Neusa Barbosa)
A história desta aproximação inusitada de duas criaturas de gerações diferentes e que viviam longe entra densa no relato, que cresce em intensidade apostando, acima de tudo, na força da palavra. Que foi, afinal, o que aproximou Yann e Marguerite, primeiro por meio de cartas dele, enviadas por cinco anos sem que ela respondesse e antes que, finalmente, ela concordasse em encontrá-lo, Se há um acerto no filme é ter encontrado o tom certo para respeitar esse estranho encantamento hipnótico que a palavra encontra, acima de tudo, na literatura. (Neusa Barbosa)
Disponível na plataforma Mostra Play e no cinema
Última sessão: Espaço Itaú de Cinema - Frei Caneca 3 - 3/11 - 20h30
Medusa
Meninas Malvadas se encontra com Divino Amor em Medusa, segundo longa da cineasta carioca Anita Rocha da Silveira (Mate-me Por Favor). O longa, que foi exibido em Cannes e faz sua estreia nacional na 45a Mostra, toca em questões urgentes do mundo contemporâneo, ligando fundamentalismo religioso (especialmente entre jovens) e redes sociais, banhado numa luz de neon e um verniz pop muito bem empregado.
Desde sua abertura ao som de Cities in Dust, de Siouxsie and the Banshees, após um prólogo que acena para o terror, o filme pulsa com uma energia que nunca cai, mesmo que a narrativa cambaleie um pouco de vez em quando. Esse é o grande mérito de Rocha da Silveira: impregnar sua obra de uma força tão ímpar que o público pode fazer vista grossa às suas pequenas imperfeições.
Repleto de ideias e estilo, Medusa é um canal de comunicação bem direto com o público jovem ao falar de temas caros ao coração desta faixa etária. A desilusão do presente talvez tenha encontrado neles a presa fácil para um apelo religioso, calcado na beleza e fama fugaz da internet. Misturando um discurso de coach meritocrático neoliberal com a promessa da redenção, o evangelismo específico para jovens se veste de descolado, se joga no tik tok e atrai fieis que ouvem exatamente o que queriam ouvir.
Um coral pop, formado por belas jovens banhadas em neon, canta num templo frases como: “Quando o apocalipse acontecer, eu vou sobreviver”, ou “Não vou nunca mais me preocupar, serei bela, recatada e do lar”. Como se vê, estamos no terreno de uma sátira que fala claro ao Brasil contemporâneo, marcado por escolhas políticas e pessoais fortemente marcadas pela religião. As mentes dos e das mais jovens se mostram um campo fértil para o fundamentalismo prosperar e o filme explora isso muito bem.
O roteiro, também assinado pela diretora, percorre caminhos até entrar numa espécie de labirinto, no qual se perde algumas vezes mas, ainda assim, se mostra sempre interessante. Clarissa (Bruna G) se muda para a casa da tia para terminar o ensino médio. Sua prima, Mariana (Mari Oliveira), tem a intenção de a resgatar das coisas mundanas.
Juntamente com suas amigas, todas extremamente religiosas e vaidosas, elas acolhem a novata, em especial, Michele (Lara Tremouroux), uma espécie de Regina George, a famosa líder do grupinho em Meninas Malvadas, só que fundamentalista. As jovens do filme também tem os seus “varões valorosos”, para usar a expressão de uma famosa blogueira que satiriza a juventude evangélica na internet. Rapazes de um exército de Cristo, repletos de ideias machistas e opressoras.
Juntamente com suas amigas, todas extremamente religiosas e vaidosas, elas acolhem a novata, em especial, Michele (Lara Tremouroux), uma espécie de Regina George, a famosa líder do grupinho em Meninas Malvadas, só que fundamentalista. As jovens do filme também tem os seus “varões valorosos”, para usar a expressão de uma famosa blogueira que satiriza a juventude evangélica na internet. Rapazes de um exército de Cristo, repletos de ideias machistas e opressoras.
Custa um pouco à narrativa se encontrar, é como se o visual esmerado do filme fosse seu interesse primário. As personagens são propositalmente estereotipadas: meninas de classe média e média alta, jovens princesas de um mundo privilegiado, marcado pela fama na rede social. Numa das melhores cenas, Michele mostra “dez maneiras de tirar uma selfie para glória de Deus”. O humor ácido é um dos pontos mais fortes no roteiro. Além disso, o grupo de garotas, cobrindo o rosto com uma máscara, ataca, à noite, jovens que consideram pecadoras.
Numa dessas expurgações, a vítima revida e Mariana acaba com uma cicatriz no rosto. É a partir dessa cena que Medusa se encontra. A jovem enfermeira perde a autoestima o emprego numa clínica de estética. Passa a cobrir com o cabelo o lado marcado para tentar esconder a cicatriz. Ela também passa a procurar uma jovem que se tornou uma espécie de lenda, Melissa Garcia (Bruna Linzmeyer), uma celebridade local que ficou ainda mais famosa após ser atacada com fogo após fazer uma cena de nudez num filme. Nunca mais se soube dela.
Medusa é, ao fim, um filme potente que diz muito sobre o Brasil de hoje, em especial sobre uma juventude em busca de rumos e facilmente cooptável. É um comentário preciso e, cinematograficamente, apurado sobre os dias de hoje e o que o futuro pode nos reservar. (Alysson Oliveira)
Exclusivamente nos cinemas:
Cinesesc -
31/10/21 - 21:00
31/10/21 - 21:00
Reserva Cultural – Sala 3 - 01/11/21 - 18:25
Murina
Com nomes, entre os produtores, de Martin Scorsese ao brasileiro Rodrigo Teixeira, o croata Murina rendeu à sua diretora, Antoneta Alamat Kusijanovic, o prêmio Caméra D’Or, no Festival de Cannes, conferido a filmes de cineastas estreantes. Realmente, a direção é o ponto mais forte nesse drama banhado de sol da costa da Croácia,
protagonizado por uma jovem, Julija (Gracija Filipovic), que mantém uma relação tensa com o pai dominador, Ante (Leon Lucev).
protagonizado por uma jovem, Julija (Gracija Filipovic), que mantém uma relação tensa com o pai dominador, Ante (Leon Lucev).
Logo no início, pai e filha são vistos fazendo pesca submarina, quando capturam uma murina, uma espécie de enguia típica do Mediterrâneo, que pode servir de alimento, mas cuja pele também pode ser tóxica. Obviamente, o animal não está no filme – e no título – por acaso. Talvez Jilija, que está descobrindo a vida, seja uma espécie de murina ao seu modo, enfrentando a asfixia que o pai lhe causa.
Há uma relação dúbia entre pai e filha, um complexo de Electra mal resolvido, que se acirra ainda mais com a chegada de um forasteiro na ilha onde moram: Javier (Cliff Curtis), uma espécie de sócio de Ante, na construção de uma possível pousada, numa ilha ao lado, e antiga paixão de Nela (Danica Curcic), mãe de Julija e mulher de Ante.
Murina é um filme repleto de tensões, inclusive a sexual – entre Javier e Nela; Jaliver e Julija etc – e um comando seguro da direção, mas a trama, com roteiro assinado pela diretora e Frank Graziano, nem sempre sabe muito bem os caminhos que deve tomar. Com uma fotografia assinada pela francesa Hélène Louvart (A vida invisível), o longa tem tudo para fazer a festa no circuito de arte: belas imagens, trama enigmática, feminismo, vem de um país fora do grande circuito do cinema, enfim, o combo completo.
O que não quer dizer que Murina seja destituído de qualidades. Na realidade, revela uma jovem cineasta com potencial no caminho de se encontrar como uma grande diretora. É preciso, primeiro, liberar-se de cacoetes desse gênero de filme para público de festivais e, tal como sua personagem, superar suas influências.
(Alysson Oliveira)
(Alysson Oliveira)
Exclusivamente em cinemas:
Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca
4
31/10/21 - 14:00
4
31/10/21 - 14:00
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