É Tudo Verdade começa no Rio com viagem pela história do cinema
- Por Neusa Barbosa
- 31/03/2022
- Tempo de leitura 3 minutos
Crítico e documentarista, o irlandês Mark Cousins propõe mais uma de suas viagens cinematográficas nesta alentada jornada pela história do cinema, em que se dispõe a uma reflexão sobre as transformações do século XXI em termos de tecnologia e nas mudanças que ela acarreta para o nosso olhar. O filme abre nesta sexta (01/4) o Festival É Tudo Verdade no Rio de Janeiro, com sessões presenciais também em S. Paulo e on line (confira abaixo).
A exemplo do que havia feito em alguns de seus esplêndidos trabalhos anteriores, como a série Women Make Film (2020), Cousins reúne uma série de trechos de filmes e não só da nova geração, propondo associações sugestivas num hipnótico mergulho nestas imagens. Com observações instigantes, ele nos conduz em sua narração numa espécie de sonho acordado em que procura chamar nossa atenção para a beleza, o horror, ou o apuro do que se vê, como se nos sentasse ao seu lado, compartilhando uma visão inclusiva do cinema. Certamente Cousins não procura impor grandes conceitos ou teorizações - apenas mostra sua generosa coleção de clipes, deixando-nos a tarefa de nos deslumbrarmos ou nos espantarmos com eles.
Demonstrando sua ausência de vaidade intelectual, ele nos propõe uma provocação já a partir da primeira observação, em que coloca em paralelo filmes tão diferentes quanto Coringa e Frozen para descrevê-los como obras sobre libertação - evidentemente, tomando caminhos muito distintos para fazê-lo.
Sem limitar-se a comentar as inovações técnicas do século XXI, como as câmeras digitais, o streaming e o Youtube, o cineasta relaciona obras de todos os continentes, passando pelo cinema indiano, africano e latino-americano também - embora com escassa presença brasileira, restrita à menção ao clássico Limite, de Mário Peixoto.
Ultrapassando as barreiras de gênero, envereda pelas comédias, a ação, o terror e o documentário - empreendendo aqui um vigoroso exame sobre a moral das imagens a partir de dois inquietantes documentários de Joshua Oppenheimer, O Ato de Matar (em que algozes de massacres políticos na Indonésia reencenam seus atos diante das câmeras) e O Peso do Silêncio, em que o irmão de uma das vítimas confronta o assassino de seu irmão.
Seria possível perder-se em tamanha profusão de imagens, organizadas ao longo das 2h40 do filme, e isto não seria de todo má idéia. Porque é o ato de olhar, acima de tudo, o que Cousins enfatiza e desconstrói, levando adiante a tarefa maior do cinema, independente da plataforma, remetendo às origens da arte oficialmente inventada com tão poucas ambições iniciais pelos irmãos Lumière naquele remoto ano de 1895 e que, desde então, não tem cessado de surpreender.
A História do Cinema: Uma Nova Geração (The Story of Film: A New Generation)
Reino Unido, 160’, 2021
01/04 – 19h: Espaço Itaú de Cinema Botafogo (RJ)
01/04 – 20h: Espaço Itaú de Cinema Augusta (SP)
01/04 – 21h: Plataforma É Tudo Verdade Play (www.etudoverdadeplay.com.br) Limite de 1500 Visionamentos
Grátis
Relacionadas
Dos corredores do SUS às sacadas de Varsóvia
- 03/04/2022
Viagem pela geopolítica
- 02/04/2022
