21/07/2026

É Tudo Verdade inicia-se em S. Paulo com documentário “A História do Olhar”

Começa nesta quinta (31/3), em São Paulo, a 27a
edição É Tudo Verdade, que até 10 de abril exibirá mais de 70 documentários entre longas e médias-metragens de diversos países, em mostras competitivas, homenagens e não-competitivas. O evento acontecerá em sessões presenciais (SP e RJ) e on line, em três plataformas: É Tudo Verdade Play, Itaú Cultural Play e Sesc Digital. Todas as sessões em cinemas ou na internet são gratuitas.

A atração de abertura em São Paulo é o documentário A História do Olhar, do diretor Mark Cousins, que terá sessão presencial no Espaço Itaú Augusta e na plataforma É Tudo Verdade Play. No Rio de Janeiro, este filme será exibido no domingo (10/4) – confira os detalhes das exibições abaixo.

A História do Olhar

O cineasta norte-irlandês Mark Cousins é mais conhecido por suas obras que abordam o cinema por diversos prismas. Em A História do Olhar, no entanto, o diretor parte da experiência pessoal para investigar o papel da imagem (e dos olhos) na constituição do indivíduo e de sua sensibilidade. Com a proximidade de uma cirurgia para remover uma catarata de seu olho direito, o cineasta filma a ansiedade da espera, enquanto discorre sobre o papel da visão em sua vida.

Cinéfilo como poucos, Cousins a todo momento recorre ao cinema e a filmes para abordar o assunto. Falando em primeira pessoa, com uma voz tranquila e um humor marcante, ele comenta as horas de expectativa, a angústia do que pode acontecer com sua visão e como tudo o que viu, seja no cinema ou na vida afora, foi e é importante para ele mesmo.

O documentário não segue uma lógica narrativa concreta, é quase como um jogo de associação livre, que começa com um vídeo antigo de Ray Charles falando sobre o olhar – e o peso de se ver algumas imagens e chegar até a cirurgia em si e seu pós-operatório – com direito a uma pequena fantasia sobre o futuro. “Há coisas que não gostaria de ver. Sinto pena de vocês que precisam ver tudo”, diz o músico no vídeo. O olhar, então, nesse filme pode ser tanto um fardo como algo libertador – depende do ponto de vista.

Morador de Edimburgo, Cousins faz das ruas da cidade também cenário para suas imagens, coisas que vê de sua janela, assim como o campo e a natureza. Quando mostra um céu limpo sem qualquer nuvem, ele afirma categórico que o azul é a cor que mais vemos na vida – e errado ele não está.

A diferença entre olhar e ver parece fundamental para a compreensão do documentário que, com sua poesia, no texto e nas imagens, nos lembra de algo que, muitas vezes passa batido: a visão, a alegria e o peso que esse sentido nos dá – mas também a liberdade que traz consigo. O resultado é um filme fascinante e instigante.

A História do Olhar
31/03 – 20h: Espaço Itaú de Cinema Augusta (SP)
31/03 – 21h: Plataforma É Tudo Verdade Play - Limite de 1500 Visionamentos
10/04 – 14h: Instituto Moreira Salles (RJ)