18/07/2026
Suspense

Os Enforcados

Afundado em dívidas, um casal no Rio de Janeiro bola um plano perfeito para resolver sua vida. Mas esta saída os mergulha num espiral de violência que parece cada vez mais difícil de controlar.

post-ex_7

Fernando Coimbra despontou no cinema brasileiro com seu primeiro longa O Lobo Atrás da Porta, um suspense repleto de reviravoltas e sem pudor de ir até o fim no retrato da mesquinhez humana. Em Os Enforcados, o cineasta, que também assina o roteiro, é mais ambicioso, mas menos habilidoso na organização formal.

Ao falar das mazelas da elite brasileira, o filme se deita num berço muito conveniente e fácil. Tudo parece já dado, não é preciso se aprofundar, pois a hipocrisia e podridão estão – ou estariam – na superfície. Mas, como se sabe, as coisas são bem mais complicadas do que isso.

É supostamente catártico expor as feridas dos ricos, mas nem por isso Os Enforcados consegue ir além do que está na tela. O final, marcado – ou deveria estar marcado – pela ironia e cinismo deixa claras as limitações do filme quando a reação que conseguimos ter é, basicamente, soltar um “Afe”. 

Valério (Irandhir Santos) e Regina (Leandra Leal) são casados e estão quase quebrados. Mas, para que isso não aconteça, resolvem assumir o controle do império criado pela família que envolve jogo do bicho, lavagem de dinheiro e carnaval. O que acontece na sequência é uma espiral de crimes regados a sangue. 

Se Coimbra mirou na sátira, e é o que parece, seu filme chega ao grotesco, mas não um grotesco resultado da acumulação de camadas, e sim um grotesco gratuito que resulta em personagens caricatos num Rio de Janeiro pouco real também. Regina é uma Lady Macbeth que manda e Valério executa.

O filme pega pesado em sua simbologia que, novamente, é óbvia. Regina vê manchas na parede, que só ela vê – coisas que estão na cabeça dela. O humor nunca entra de forma orgânica nas personagens que, embora estejam nas mãos de bons atores e boas atrizes, parecem existir única e exclusivamente com propósitos fílmicos. Não há vida quando não estão em cena. 

Talvez esteja aí o grande problema do longa de Coimbra. Ele não existe para além da tela. É um filme bem executado mas que chega com suas ideias prontas, e apenas as quer ilustrar. Nesse sentido, Os Enforcados não encontra profundidade. Assume-se que todo mundo pensa como o filme, e, por isso, ele serve apenas como ilustração desses pensamentos, sem abrir espaço para que outros sejam instigados. 

post