25/09/2026

Encantada com a ideia de voar, uma sementinha de mamão move-se o tempo todo para evitar criar raízes, e com isso vive uma aventura sem igual e muito particular para algo tão pequeno. Nos cinemas.

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Papaya, de Priscilla Kellen, é um filme de pequenas delicadezas e grandes efeitos. Num traço afinado e um colorido quase lisérgico, a animação nacional acompanha a jornada de uma sementinha de mamão com a sofisticação formal que só a simplicidade é capaz de alcançar. Dos traços geométrico aos personagens marcantes, com a sonoridade da trilha de Talita Del Collado, o longa é quase como uma Alice no País das Maravilhas, como a sementinha no papel da menina perdida num mundo de descobertas e maravilhas. 

Sem se valer de diálogos, Priscilla, que também assina o roteiro, confia nas imagens e sons para construir a narrativa. E, a partir disso, se conecta com seu público – em especial o infantil mais predisposto a se relacionar com a abstração e leve suspensão da realidade que o filme exige. As formas geométricas formam personagens e cenários marcantes e facilmente identificáveis.

Ao fazer essas opções, o longa consegue construir uma personagem com dilemas, angustias e alegrias humanas sem necessariamente a humanizar, o que cria um efeito de estranhamento muito interessante que se recusa a utilizar facilidades do cinema de animação mais corrente que antropomorfiza de animais a objetos e até veículos. A sementinha é uma sementinha, não uma sementinha com formato humano. 

Esse é, claramente, um filme para o público infantil em sua proposta e execução, mas, nem por isso, com sua sensibilidade deixa de falar ao coração do público adulto. Papaya é aquele tipo de animação repleta de energia que conquista logo de cara.

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