Começa dia 22 a 34ª Mostra Internacional de Cinema, tendo como destaques, além da tradicional programação com mais de 400 títulos – começando, na noite de abertura, com o mais recente trabalho do centenário Manoel de Oliveira, O Estranho Caso de Angélica –, uma celebração do centenário de Akira Kurosawa (1910-1998), a edição de dois livros, duas exposições, aulas magnas do cineasta inglês Alan Parker e do crítico francês Michel Ciment e diversas outras atrações. A Mostra encerra sua programação normal dia 4 de novembro.
Dentro do que o criador e diretor da Mostra, Leon Cakoff, chama de “a mais completa comemoração do centenário de Kurosawa do mundo” estão a exibição da cópia restaurada de Rashomon (filme do diretor japonês que venceu o Leão de Ouro em Veneza em 1950) e uma exposição de 80 desenhos de Kurosawa, extraídos de seus story boards, intitulada Kurosawa – Criando Imagens para o Cinema. Segundo Ricardo Ohtake, diretor do Instituto Tomie Ohtake, que sediará a exposição, a partir de Kagemusha – A Sombra do Samurai (1980), o cineasta realizou story boards completos de todos os seus filmes.
Outra homenagem ao mestre japonês é a publicação do livro À Espera do Tempo – Filmando com Akira Kurosawa, de Teruyo Ogami, que foi sua assistente e produtora desde 1950 e conta bastidores desta longa convivência.
Teruyo Ogami é, aliás, uma das presenças esperadas em São Paulo durante a Mostra, bem como o cineasta alemão Wim Wenders, que chega dia 16 para a montagem de sua exposição de fotos gigantes no MASP, que começa já no dia 20. Wenders é também o autor do cartaz da Mostra este ano que, pela primeira vez, tem uma dupla face: de um lado, uma foto de Wenders, de outro, um dos desenhos de Kurosawa.
O diretor alemão lança na cidade o livro Wim Wenders – Lugares Estranhos, Quietos e Tranquilos, reunindo suas fotos.
Clássicos
Além de Rashomon, estão na programação deste ano outros clássicos restaurados, como a nova versão de Metrópolis (1927), de Fritz Lang, incorporando cerca de meia hora de material encontrado na Cinemateca de Buenos Aires. O filme de Lang encerra a Mostra, no dia 4, no Auditório Ibirapuera, com a participação de uma orquestra.
O centenário do Corinthians também será comemorado com a projeção da cópia restaurada de O Corintiano, de Milton Amaral, estrelado por Mazzaropi, no dia 27, no vão livre do MASP.
Entre as retrospectivas desta edição, ganham destaque as obras do pouco conhecido francês F. J. Ossang (Treasure of Bitch Islands, Doctor Chance) e do armênio-francês Serge Avedikian, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes 2010, na categoria curta, com Chienne d’histoire.
Outras homenagens contemplam o cineasta norueguês Bent Hamer (de Histórias de Cozinha e Factótum), além de uma mostra especial do cinema desse país, e a atriz alemã Hanna Schygulla – que estrela uma série televisiva cubana, Me alquilo para soñar, roteirizada por Gabriel García Márquez e dirigida por Ruy Guerra. Hamer e Schygulla são outros convidados esperados em São Paulo.
Destaques
Como sempre, a programação da Mostra não economiza em atrações capazes de apaixonar os cinéfilos. Caso de Cópia Fiel, de Abbas Kiarostami, estrelado por Juliette Binoche; Um Dia na Vida, novo trabalho de Eduardo Coutinho; Venus Noire, o pungente novo trabalho do tunisiano-francês Abdellatif Kechiche (O Segredo do Grão); o esplendoroso Mistérios de Lisboa, de Raoul Ruiz; o documentário Mi Vida con Carlos, de Germán Berger; Oceano Negro, de Marion Hansel; Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas, de Apichatpong Weerasethakul (vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2010); e Um Lugar Qualquer, de Sofia Coppola (vencedor do Leão de Ouro em Veneza 2010).
