Cannes - O Brasil mereceu uma deferência especial do Festival de Cannes na noite deste domingo. Antes da abertura da homenagem ao cinema brasileiro já prevista na Sala Buñuel, a direção do festival fez questão de oferecer uma "montée de marches"(subida dos degraus no tapete vermelho diante do Palais du Festival, sede das sessões de gala noturnas) especialmente para o ministro da cultura Gilberto Gil e outros convidados brasileiros. Vieram abrir esta sessão o ministro Gil, o diretor Cacá Diegues (autor do filme que inaugurou a homenagem, Bye Bye Brasil), José Wilker, ator deste filme e diretor da distribuidora Riofilme, os produtores Lucy e Luiz Carlos Barreto e o secretário do Audiovisual, Orlando Senna. Após subirem a grande escadaria, o ministro e os demais convidados subiram até o terceiro andar do Palais, onde se localiza a sala Buñuel. Ali, o diretor artístico do Festival de Cannes, Thierry Fremaut, introduziu a homenagem, lembrando os 40 anos da exibição de Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, e Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. Na seqüência, o primeiro a falar, em francês, foi o ministro Gil, que destacou a importância desta seleção de filmes nacionais dentro da programação do festival, considerando-a "o reconhecimento definitivo da importância do cinema brasileiro". Agradeceu, também, a deferência recebida pelo país, frisando seu "poder de reforço no moral do cinema brasileiro". Com seu habitual bom humor, o ministro Gil lembrou a Retomada da produção nacional dos anos 90 para cá e observou: "No Brasil, temos esta qualidade, estamos sempre retomando". Logo depois, subiu ao palco Cacá Diegues, que agradeceu ao casal Barreto, dizendo: "Sem eles, este filme e aliás muitos outros do cinema brasileiro não existiriam". Diegues destacou que acredita que todo cineasta tem dupla nacionalidade: "Eu, por exemplo sou brasileiro, e também pertenço a um país chamado cinema". E arrematou agradecendo a homenagem a clássicos nacionais das últimas décadas, mas que preferia "pensar e agir como se tudo no cinema brasileiro estivesse começando hoje". Último a falar, Wilker foi o mais sucinto: "Tudo o que quero dizer está na tela, neste filme que vocês vão assistir". A sala Buñuel, com aproximadamente 400 lugares, estava com 2/3 dos lugares ocupados. Cineweb-16/5/2004-18.00
Homenagem ao cinema brasileiro em Cannes tem presença de Gilberto Gil
- Por Neusa Barbosa
- Publicado em 16/05/2004 às 18:23
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