Small Things Like These (foto), de Tim Mielants, protagonizado por Cillian Murphy (Oppenheimer), será o filme de abertura da 74a. edição do Festival de Berlim, que começa no dia 15 de fevereiro. O filme, aliás, é o primeiro título anunciado como parte da competição. Os demais serão anunciados até o dia 22 de janeiro.
Partindo de um roteiro de Enda Walsh, que adapta o livro da premiada Claire Keegan, o enredo focaliza o drama do comerciante de carvão e pai devotado Bill Furlong (Murphy) que, no Natal de 1985, faz uma série de descobertas aterradoras, tanto sobre o convento de sua cidade, quanto sobre sua própria história. As revelações referem-se ao que ficou conhecido como o escândalo das lavanderias das irmãs Madalenas, que mantinham como virtuais prisioneiras, semi-escravas, com o consentimento de seus familiares, jovens que tinham engravidado fora do casamento, explorando seu trabalho. Estas lavanderias funcionaram na Irlanda entre 1820 e 1996 e foram objeto de outro filme, Em Nome de Deus (2002), de Peter Mullan, de cujo elenco fazia parte a atriz Eileen Walsh, que também atua em Small Things Like These.
Berlin Special
Nesta seção não-competitiva, foram divulgados alguns títulos promissores, caso do documentário Averroès & Rosa Parks, do cineasta francês Nicolas Philibert, vencedor do Urso de Ouro 2023 com No Adamant. Outros documentários são Made in England: The Films of Powell and Pressburger, de David Hinton, trazendo Martin Scorsese como narrador, e Turn in the Wound, do norte-americano Abel Ferrara, que viaja a Kiev em busca do que restou da Ucrânia após 2 anos de guerra, enquanto Patti Smith canta, fora dali, canções pela paz.
O israelense Amos Gitai, por sua vez, exibirá seu novo filme, Shikun, estrelado pela francesa Irène Jacob (A Fraternidade é Vermelha). E o veterano alemão Edgar Reitz, de 91 anos, além de receber o prêmio especial do festival, Berlinale Kamera, mostrará também sua obra mais recente, Filmstunde_23.
Clássicos de todos os tempos
Sempre uma festa para os olhos de qualquer cinéfilo, a seção de Clássicos do festival reprisa, em cópias restauradas, títulos como Depois de Horas, de Martin Scorsese (1985), Batalha no Céu, de Carlos Reygadas (2005), O Dia do Gafanhoto, de John Schlesinger (1975), Kohlhiesel’s Daughter (1920) e Alvorada do Amor (1929), ambos de Ernst Lubitsch, O Sacrifício, de Andrei Tarkovsky (1986), O Sabor da Melancia, de Tsai Ming Liang (Urso de Prata em 2005), Gojira (Godzilla), de Ishio Honda, celebrando seu 70o. aniversário, e Depressa, Depressa, de Carlos Saura (Urso de Ouro em 1981).
