Em agosto, a Itaú Cultural Play, plataforma de streaming gratuita do cinema brasileiro, faz uma parceria com o Festival Guarnicê de Cinema, do Maranhão. Amanhã (01/08), o catálogo recebe o curta-metragem documental João de Una tem um boi (Maranhão, 2024), que conquistou o Prêmio Itaú Cultural Play na 47ª edição do festival, em 2024. O filme, dirigido por Pablo Monteiro em parceria com o Coletivo LAB+SLZ, registra o ritual da morte do boi Estrela, um festejo tradicional do estado, e levou também cinco Troféus Guarnicê no ano passado, incluindo as categorias de melhor curta-metragem e direção.
O filme, dirigido por Pablo Monteiro em parceria com o Coletivo LAB+SLZ, adentra um terreiro em Itapera do Maracanã, comunidade da zona rural de São Luís, que é comandado por Pai Joan. Lá, entre os vários festejos do calendário anual, um se destaca: o ritual da morte do Boi Estrela, animal que, na lenda, pertence a João de Una, uma entidade muito conhecida do folclore maranhense.
Entre o som de tambores e matracas, o filme revela os detalhes dessa celebração, que mescla elementos tradicionais e contemporâneos. Fruto de uma oficina com 15 alunos negros de comunidades periféricas, o curta-metragem apresenta o festejo de maneira respeitosa e íntima, através da visão de seus participantes, em especial Pai Joan. Além do Prêmio IC Play, João de Una tem um boi levou para casa cinco categorias do Guarnicê em si: melhor curta-metragem, direção, ator, montagem e desenho de som.
Em 6 de agosto, por sua vez, a plataforma anuncia o ganhador do Prêmio Itaú Cultural Play na edição deste ano do Festival Guarnicê de Cinema. O filme vencedor receberá o valor de 15 mil reais, com o licenciamento para exibição na plataforma pelo período de dois anos, após janela de até um ano para exibição em festivais.
Ainda, completando a parceria entre a IC Play e o Festival Guarnicê, a plataforma exibe uma seleção de filmes da 48ª edição do evento. De 7 a 24 de agosto, o catálogo recebe sete títulos, entre longas e curtas-metragens, documentários e ficções. Um deles é o longa-metragem maranhense Fogo, murro e coice (2024), dirigido por Denis Carlos. O documentário mergulha na tradição do Tambor de São Benedito, em Anajatuba, interior do estado, onde a dança é praticada exclusivamente por homens. Sem fantasias ou fardas, a obra ressalta a figura masculina em suas diversas manifestações dentro dessa brincadeira popular, apresentando uma dinâmica cultural única e envolvente.
Outro longa-metragem maranhense presente na janela de exibição é A história do início do surf no Maranhão (2023), que resgata as duas primeiras décadas da prática do surf nas praias do local, de 1970 a 1990. Através de depoimentos de pioneiros e imagens de arquivo, o filme reconstrói a cronologia desse esporte no estado, revelando competições marcantes e curiosidades sobre seus primeiros praticantes. A direção é de Marcelo Vasconcelos.
Já no curta-metragem Piraí: Os cantos da encantaria Akroá Gamella (Maranhão, 2024), dirigido por Diego Janatã e Djuena Tikuna, os espectadores são convidados a conhecer a resistência do povo Akroá Gamella, na baixada maranhense. O documentário mostra como a comunidade, através de seus cantos e da força de seus encantados e do pai João Praí, busca a retomada de seu território e identidade, fortalecendo sua ancestralidade e seu futuro como povo originário.
Onça (Maranhão, 2024), de Keyci Martins, é um mergulho nas memórias afetivas da diretora e roteirista. O curta-metragem documental revive os feriados de Páscoa no povoado de sua família, onde, sob a liderança dos avós, a família se reúne em torno de tradições que preservam a rica cultura maranhense.
Do Amazonas, o documentário Nhandê (2025), dirigido por Elisa Telles e Begê Muniz, acompanha Sara, uma menina de 12 anos que começa a explorar seus primeiros relacionamentos afetivos. No entanto, sua vida é alterada por acontecimentos sobrenaturais e visões de rituais indígenas, que despertam sua consciência para novas realidades.
O representante paulista da mostra do Guarnicê na IC Play é o drama O rancho da goiabada, ou pois é meu camarada, fácil, fácil não é a vida (2024), dirigido por Guilherme Martins. O longa-metragem retrata o cotidiano de Alex, homem que se divide entre o ofício de trabalhador rural, colhendo cana de açúcar no interior, e o de vendedor ambulante, em trens da movimentada cidade de São Paulo.
A seleção também conta com um filme já presente na plataforma, o drama do cineasta pernambucano Leo Tabosa Cavalo marinho (Pernambuco e Ceará, 2024). O filme acompanha a visita de um homem, vivido por Tuca Andrada, a sua mãe idosa, Francisca. Ela guarda um segredo e teme que a verdade sobre seu passado seja revelada ao filho. A personagem é interpretada pela atriz, cantora e performer Divina Valéria, uma das primeiras artistas trans a alcançar sucesso no Brasil. Além de fazer parte da janela do Guarnicê, Cavalo marinho integra a mostra da IC Play Toda forma de amar, com filmes que abordam encontros afetivos entre pessoas, sejam eles em relacionamentos amorosos, familiares e de amizade.
O acesso à Itaú Cultural Play é gratuito, disponível em www.itauculturalplay.com.br, nas smart TVs da Samsung, LG, Android TV e Apple TV, nos aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) e Chromecast. Você também pode encontrar conteúdo da IC Play nas plataformas Claro TV+ e Watch Brasil.
