16/06/2026

Jafar Panahi é condenado novamente à prisão no Irã

De volta ao Irã após as viagens de divulgação de seu mais recente longa, Foi Apenas Um Acidente, vencedor da Palma de Ouro 2025 e indicado ao Oscar de filme internacional, o diretor Jafar Panahi foi condenado a um ano de prisão e dois anos de proibição de sair do país pelo alegado crime de “propaganda contra a República Islâmica do Irã”. 

O ramo 26 da Corte Revolucionária Islâmica de Teerã, presidido pelo juiz Iman Afshari, rejeitou a apelação da defesa do cineasta e confirmou a sentença, que já havia sido dada in absentia contra ele. A notícia foi divulgada pelo advogado de Panahi, Mostafa Nili. 

O próprio filme Foi Apenas um Acidente - cujos personagens são ex-presos políticos que julgam reconhecer um torturador - foi considerado como uma das provas do suposto crime, sendo descrito nos autos como “um filme problemático contra o governo”, feito clandestinamente. Da mesma forma, pesaram na condenação diversas atitudes do cineasta, como seu declarado apoio a outras pessoas condenadas pelo governo, a adesão a protestos em favor do slogan “Mulheres, Vida e Liberdade”, a assinatura de um documento em favor da greve dos caminhoneiros, por alegadamente desacreditar a situação do país e republicar um clipe apresentando o hino iraniano num protesto contra a pena de morte. 

Ainda cabe apelo da sentença à Corte Provincial de Teerã dentro de 20 dias da sua notificação. 

Esta não é a primeira vez que o cineasta é perseguido judicialmente em seu país, por comportamentos que, em outros lugares, são considerados apenas liberdade de expressão, expondo o viés autoritário do regime. Desde 2010, ele vem sendo submetido a processos, tendo sido condenado à prisão - cumprindo alguns meses, e também via domiciliar - e até proibido de filmar, o que ele contornou, realizando filmes em sua própria casa, ou de maneira clandestina, como Isto Não é um Filme (2011) e Cortinas Fechadas (2014). 

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