Na cartilha de alguém tão politizado quanto George, visibilidade nada tem a ver com notoriedade ou fama. Na verdade, o que o cineasta visa é atenção para um massacre que, paradoxalmente, tornou-se invisível, a partir do momento em que as forças ocidentais, de países como a Bélgica, França e EUA e Inglaterra e a própria ONU, abandonaram o país, depois de retirarem todos os brancos. George não poupa de críticas por omissão nem mesmo o secretário-geral da ONU, Koffie Annan: “Muita gente viu o filme: George Bush, Condoleezza Rice, Bill Clinton. Não sei se Annan o assistiu. Afinal, ele era um dos conspiradores na época da evacuação de Ruanda”.
O diretor acha importante que o filme seja assistido em países como o Brasil, ou seja, fora do eixo EUA-Europa. Ele destaca que a recepção ao filme foi maior nos EUA do que na Europa, e atribui a diferença ao sentimento de culpa. “Na época, o Ocidente não se mostrou disposto a interferir. E a culpa por não ter interferido agora é tão grande que ninguém se mostra disposto a entrar nesse debate”.
O cineasta destaca a qualidade do cinema latino-americano: “É certamente o cinema mais vital hoje no mundo”. Cita entre seus expoentes os brasileiros Walter Salles e Fernando Meirelles e o mexicano Alfonso Cuarón. Falando de Meirelles, dispara o seu maior elogio, falando espontaneamente do primeiro filme em língua inglesa do diretor brasileiro, The Constant Gardener (baseado no livro de John Le Carré, O Jardineiro Fiel), que acaba de ser lançado na Inglaterra: “É o melhor filme sobre a África que já vi”.
