13/06/2026

Diretor irlandês Terry George está em São Paulo

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Roteirista renomado e indicado ao Oscar (por Em Nome do Pai, de Jim Sheridan), e também diretor, o irlandês Terry George está em São Paulo para o lançamento brasileiro de seu filme Hotel Rwanda, no próximo dia 19 (em São Paulo, Rio e Porto Alegre). O filme teve três indicações ao Oscar 2005, o que garantiu o que George mais procurava: visibilidade para o genocídio ocorrido em Ruanda em 1994, causador do morte de cerca de 1 milhão de pessoas, e que está no centro da história, que tem como protagonista um corajoso gerente de hotel, Paul Rusesabagina (Don Cheadle), que salvou a vida de mais de 1.200 pessoas - na maioria, da etnia tutsi, caçada até a morte pelos hutus.

Na cartilha de alguém tão politizado quanto George, visibilidade nada tem a ver com notoriedade ou fama. Na verdade, o que o cineasta visa é atenção para um massacre que, paradoxalmente, tornou-se invisível, a partir do momento em que as forças ocidentais, de países como a Bélgica, França e EUA e Inglaterra e a própria ONU, abandonaram o país, depois de retirarem todos os brancos. George não poupa de críticas por omissão nem mesmo o secretário-geral da ONU, Koffie Annan: “Muita gente viu o filme: George Bush, Condoleezza Rice, Bill Clinton. Não sei se Annan o assistiu. Afinal, ele era um dos conspiradores na época da evacuação de Ruanda”.

O diretor acha importante que o filme seja assistido em países como o Brasil, ou seja, fora do eixo EUA-Europa. Ele destaca que a recepção ao filme foi maior nos EUA do que na Europa, e atribui a diferença ao sentimento de culpa. “Na época, o Ocidente não se mostrou disposto a interferir. E a culpa por não ter interferido agora é tão grande que ninguém se mostra disposto a entrar nesse debate”.

O cineasta destaca a qualidade do cinema latino-americano: “É certamente o cinema mais vital hoje no mundo”. Cita entre seus expoentes os brasileiros Walter Salles e Fernando Meirelles e o mexicano Alfonso Cuarón. Falando de Meirelles, dispara o seu maior elogio, falando espontaneamente do primeiro filme em língua inglesa do diretor brasileiro, The Constant Gardener (baseado no livro de John Le Carré, O Jardineiro Fiel), que acaba de ser lançado na Inglaterra: “É o melhor filme sobre a África que já vi”.

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