“Para mim, o Purgatório sempre esteve entre o Paraíso e o Inferno, mas Kieslowski havia programado deixar esta parte para o final. Estamos respeitando o projeto dele”, conta. Ele adiantou pouco sobre a história, mas diz que se passa na Espanha. “Será em algum grande centro urbano do país, talvez Barcelona ou Madri. E o filme deve ser falado em espanhol”, explica.
Quanto ao roteiro, Kolar não adiantou muita coisa. Apenas explicou que se trata da questão da identidade de um indivíduo. “Tem a ver com a troca de identidade e uma mulher que se apaixona pela pessoa errada. É como se ela estivesse no purgatório, no meio-termo”, afirma.
Kolar diz que o projeto ainda não está nem em pré-produção, e que primeiro irá lançar “O Inferno” – ainda inédito em circuito comercial – e depois se dedicar ao novo filme. Por isso, não escolheu nem diretor, nem elenco. “Como Kieslowski imaginou, será dirigido por um jovem que tenha poucos filmes no currículo. Ele não pensava em dirigir os filmes da trilogia”, informa.
Por se passar na Espanha, é natural que se pense num diretor espanhol para “Purgatório”, mas Kolar não descarta a possibilidade de um italiano, ou até mesmo um brasileiro. “Deve ser alguém de sangue latino. É uma história muito dúbia, e essas pessoas conseguem trabalhar esse tipo de filme muito bem”.
UM INFERNO DIVERTIDO
O longa “O Inferno”, dirigido pelo bósnio Danis Tanovic, teve sessões apenas em festivais como Toronto e a Mostra. Por isso, Kolar diz estar curioso para saber qual será a reação do público.
“A crítica se dividiu. Uns amam, outros odeiam”, comenta. “Muitos alegam que é muito barroco, que não é um filme do Kieslowski. Claro que não o é. É um filme do Danis Tanovic”.
Ele também diz não entender porque as pessoas cobram que o segundo filme de jovens diretores já tenha a marca de uma carreira. “Muitos bons diretores faziam filmes diferentes. Cada filme de Kubrick, por exemplo, era uma experiência nova”, compara.
Segundo o produtor, muitas pessoas disseram que “O Inferno” é barroco e carregado demais. “O filme tem que ser assim, a atmosfera da história pede algo mais forte. Não me arrependo das decisões que tomamos”, afirma.
Mas se o filme é denso e pesado, a atmosfera dos sets de filmagem era completamente diferente, segundo Kolar. “Nos divertíamos muito. Quando o diretor de fotografia viu o filme pronto, não acredita que foi tão fácil de fazê-lo. O resultado faz parecer que estávamos todos muito sérios”.
“O Inferno” tem última sessão na Mostra na terça (01), às 22h, no Espaço Unibanco de Cinema.
Para programação completa e mais informações sobre os filmes, visite o site oficial da 29a Mostra BR de Cinema, http://www.mostra.org.
