17/06/2026

O velho leão Coppola ainda ruge

O velho chefão do cinema, Francis Ford Coppola, está em fase intimista. Já faz algum tempo que ele toca projetos por assim dizer pequenos – que ele mesmo dá conta de financiar – e cujas histórias ele mesmo escreve.
 
Foi assim em Velha Juventude (Youth without youth, 2007, a partir de livro de Mircea Eliade); Tetro (2009, inspirado num verso de Mauricio Kartun); e em seu mais recente trabalho, Twixt, ainda sem distribuidor no Brasil.
 
Neste roteiro original de Coppola, ele exorciza a provável maior dor de sua vida – a perda do filho Gian-Carlo, em 1986, aos 22 anos, num horrível acidente de lancha. Mas não se trata de um exorcismo qualquer, nem direto, até porque o roteiro, assumidamente, se baseia num sonho que o diretor teve em Istambul, onde ele pretendia filmar Twixt.
 
Cruzando o registro do sonho com o retrabalho da própria imaginação, Coppola chegou a um relato gótico, que leva um escritor (Val Kilmer) a uma cidade perdida, Swan Valley, assombrada por um massacre de crianças e por seus fantasmas. Uma dessas aparições juvenis, V., é vivida por Elle Fanning, a talentosa menina de Um Lugar Qualquer, de Sofia Coppola.
 
Outro fantasma, este famoso, que frequentou o sonho turco de Coppola e também chegou ao filme, é ninguém menos do que o escritor Edgar Allan Poe (Ben Chaplin) – que passou sua curta vida perturbado pela perda de sua mulher adolescente, Virginia, que tinha apenas 14 anos quando morreu.
 
Numa longa entrevista à revista Cahiers Du Cinéma de abril, Coppola abre seu coração como poucas vezes se vê. Conta detalhes de como realizou esta produção, afinal, em sua maior parte, filmada nos arredores de sua casa, na California, e por isso mesmo, mais enraizada ainda numa chave pessoal. Especialmente porque Coppola chamou para ajudá-lo na produção ninguém menos do que sua neta Gia, de 24 anos, a filha de Gian-Carlo que ele nem conheceu, porque nasceu depois de sua morte.
 
O diretor fala na revista dos sucessos passados, O Poderoso Chefão, Apocalipse Now, e reconhece que ocorre muitas vezes aos cineastas que vivem e trabalham por um longo período, caso dele, serem atormentados com a comparação do próprio trabalho. Realista, ele mesmo acredita que seus filmes antigos eram incomparáveis, porque nutridos com a força da criatividade da juventude. E que nada pode ser mais inibidor para um cineasta do que fazer ele mesmo esta comparação.
 
Coppola não quer saber disto e nem se preocupa demais com a recepção da crítica já que também se lembra o quanto O Chefão e Apocalipse foram mal avaliados por muitos na época de seu lançamento. O reconhecimento veio décadas depois e ele acha que não tem tempo de esperar de novo uma mudança de ideia dos críticos em relação a seus filmes mais recentes.
 
Tudo que o chefão quer é terminar com Twixt esta que considera uma espécie de trilogia intimista e produzir um filme de grande orçamento em futuro bem próximo. Pode ser que o adiado Megalopolis venha finalmente por aí.

A falta do anjo profano Carlão

Como imaginar viver em São Paulo sem Carlão?
 
Ele mal partiu, hoje, exatamente no seu 67º aniversário – que ironia! – e já dá pra sentir saudade do vozeirão, que não mais ressoa nas ruas loucas da Paulicéia que ele amou tanto que transformou em sua pátria e sua casa.
Arauto de boas notícias, ligado em todas as novidades tecnológicas, ele usava a internet da melhor maneira, para encontrar e divulgar filmes, notícias culturais, entendendo que a natureza dela era o eterno e mais democrático compartilhamento.
 
Verdade que poucos como ele tinham tanto a compartilhar. Ele entendia de tudo, literatura, música, política, zen-budismo, qualquer coisa que o conhecimento humano tivesse percorrido, ele fuçava, com sua incansável curiosidade renascentista.
 
Ah, Carlão, como é que vamos sobreviver sem você por aqui?
 
A Paulicéia que você adotou a ponto de tornar-se o mais paulistano dos cineastas, apesar de acidentalmente gaúcho, ficou mais desvairada e mais solitária de repente.
 
Onde ficou tua semente?
 
Que Guimarães Rosa tenha razão, que, ao invés de partir, você tenha ficado encantado por aqui. Para sempre, que esta cidade nunca precisou tanto de um anjo profano e solidário como você.
 
Saudades, Carlão...

Cannes 2012 - o pior clima e o peso da tradição

 

Balanço de Cannes 2012 – O pior clima dos meus 11 anos vindo aqui com certeza, com chuva e frio, nenhum favorito arrebatador, nenhum prêmio para a turma da casa – a patriotada rolou mesmo para o time do presidente do júri, o italiano Nanni Moretti. Também não houve nenhum prêmio por unanimidade. O pau deve ter quebrado nesse júri, que incluía também o estilista Jean-Paul Gaultier, os atores Ewan McGregor, Hiam Abbas e Diane Kruger e os cineastas Andrea Arnold, Alexander Payne e Raoul Peck.
 
Muito se esperou um prêmio de melhor atriz para a inefável Marion Cotillard, estrela do drama De Rouille et D’Os, já fazendo sucesso nas salas da França. Também se esperou prêmios para a magnética dupla de veteranos atores de Amour, Jean-Louis Trintignant e Emmanuele Riva. Por mais que o filme do vencedor da Palma de Ouro, Michael Haneke, seja uma coprodução com a França, falada em francês, é difícil sentir que seja uma vitória da casa do festival. É uma vitória de Haneke e de seu habitual rigor germânico.
 
Ainda bem que não houve patriotada para premiar Holy Motors, do francês Leos Carax – de longe, o bicho mais estranho da seleção e não num bom sentido. Parece uma coleção de cacoetes e estilismos dos anos 70 reciclados e amontoados na tela. Nanni Moretti admitiu, na coletiva do júri, que este foi o “filme que mais dividiu opiniões”, ao lado do austríaco Paradise: Love, de Ulrich Seidl, uma obra terrivelmente equivocada e cruel com todos os personagens ao abordar o turismo sexual de européias de meia-idade no Quênia.
 
Ficou faltando uma premiação importante para o ucraniano Sergei Loznitsa e seu dostoievskiano In the Fog – que poderia ter levado direção, roteiro, atores, até o Grande Prêmio do Júri, que ficou para o apenas mediano italiano Reality, em que o italiano Matteo Garrone acertou no tema, a loucura de um homem para participar de um reality show, mas perdeu energia com um roteiro apenas razoável.
 
Não houve prêmios também para o brasileiro Walter Salles e seu Na Estrada – que dividiu opiniões e foi bastante incompreendido por boa parte da imprensa italiana, embora tenha defensores na imprensa francesa e norte-americana. Trata-se de um belo filme. 
 
Na verdade, 2012 foi um ano meio estranho, até na seção Un Certain Regard - fora o impactante Beasts of the Southern Wild, do estreante Benh Zeitlin. Esse sim dá esperança no futuro e levou pra casa o Caméra d'Or.

Um ano sem favoritos em Cannes: pode dar zebra

A esta altura de Cannes, faltando dois dias para encerrar o festival, com 17 dos 22 concorrentes à Palma já exibidos, todo mundo só quer saber de favoritos e bolsas de apostas.
 
Diferentemente do ano passado, não há um nem dois filmes “com cara de Palma” – que em 2011 eram claramente A Árvore da Vida, de Terrence Malick, e Melancolia, de Lars Von Trier.
 
O que acontece este ano é uma clara divisão de opiniões e apostas no sentido de quem tem mais munição para ficar no páreo – especialmente porque há tantos diretores que ou já ganharam Palmas ou prêmios importantes, como o do Júri, antes, caso de Ken Loach, Michael Haneke, Cristian Mungiu, Abbas Kiarostami, Carlos Reygadas e Matteo Garrone.
 
Não houve, entre todos os filmes já vistos aqui, nenhum que tenha polarizado as opiniões tão completamente quanto A Árvore da Vida ou, em 2009, A Fita Branca.
 
Sempre se presta muita atenção ao presidente do júri, neste ano, o italiano Nanni Moretti. Parece difícil imaginar que Moretti tenha se encantado tanto por Holy Motors, de Leos Carax, ou pelas narrativas exigentes de Beyond the Mountains, do romeno Cristian Mungiu, ou Post Tenebras Lux, do mexicano Carlos Reygadas.
 
Considerando seu perfil politizado, Moretti em tese pode inclinar-se, e convencer os demais jurados, rumo a um filme de pegada mais realista ou política – que, neste caso, poderia premiar pela segunda vez Ken Loach e seu adorável The Angel`s Share (foto - um filme preocupado com a criminalidade e o desemprego entre os jovens na Escócia) ; ou Lawless, de John Hillcoat; ou Killing them Softly, de Andrew Dominik; quem sabe o drama francês De Rouille et D’os, de Jacques Audiard, lançado no último dia 16 nos cinemas franceses e já se tornando um sucesso de público, passando dos 500.000 espectadores?  
 
Isso se der o que se considera a lógica – que, seja no futebol, no cinema ou na vida, costuma muitas vezes ser deixada para trás.
 
Melhor esperar os quatro concorrentes que faltam, quem sabe se esconde aí a grande surpresa que, pela tradição dos festivais, fica mais para o fim. Foi assim em 2008 com Entre os Muros da Escola, de Laurent Cantet, último concorrente, exibido para a imprensa no sábado de manhã, véspera da premiação. Será que Mud, do norte-americano Jeff Nichols, pode repetir a façanha em 2012?

Cannes em clima de novo presidente

Monsieur De Gaulle está definitivamente superado. Não só o Brasil agora é encarado como um pais sério em toda parte como, desta vez, foi a França quem se curvou ao Brasil.

Agora foi a vez de a esperança francesa vencer o medo. Hoje, o socialista François Hollande tomou posse como presidente, dando um fim aos tempos sombrios de outro François, o Sarkozy, que ultimamente renegou suas origens de imigrante e andou adotando um discurso xenófobo, crente que isso lhe garantiria a permanência no posto em épocas de economia europeia em recessão. Felizmente, o velho povo da liberdade, fraternidade e igualdade ressurgiu.
 
Foi o próprio Hollande quem usou a palavra esperança para dizer que ela será seu «fio condutor». E fez questão de jogar pra cima a auto-estima francesa, elogiando a produtividade dos trabalhadores, o dinamismo dos empresários, a efervescência da cultura e a impaciência da juventude. Tomara que ele cumpra esse animador primeiro dia de governo e tire a França desse caminho que vinha baixo-astral.
 
Agora, só falta começarem os filmes por aqui! Parece que Cannes terá uma boa safra de cinema. (Pena que a cidade tenha preferido votar em Sarkozy...)

O incorrigível otimista Cacá Diegues

Aos quase 72 anos, 50 de cinema, Cacá Diegues continua uma voz muito lúcida. Ainda que não se goste de todos os seus filmes, nem se concorde com todas as suas opiniões, ele é o mais articulado dos diretores que começaram sua carreira sob as asas do mítico Cinema Novo.

 
Ele teria motivos, talvez, para ser pessimista, amargo, ou saudosista até. Nada disso. Homenageado dentro do Cine PE e de malas prontas para presidir o júri do Caméra d’or do Festival de Cannes, ele esbanja uma fé no cinema brasileiro de dar inveja.
 
Brincando, ele lembra que houve uma época em que se dizia que ser cineasta no Brasil era o equivalente a ser astronauta no Paraguai. Faz tempo que não mais. Para ele, desde 1994, o cinema vem se tornando uma atividade permanente no País, o que a seu ver é revolucionário, porque escapa aos eternos ciclos do passado, em que a cada final se deveria reinventar tudo do zero.
 
O que ele enxerga, nestes quase 20 anos, é um nível de fertilidade, de diversidade de toda natureza, do filme comercial vulgar ao filme de arte que disputa festivais. Anos bons, anos ruins, se sucedem, como em todas as cinematografias.
 
Cacá concorda que 2012 seja talvez um desses anos ruins, pelo que se viu até agora, com as exceções de sempre (ele admira, por exemplo, Xingu). Incorrigível otimista, ele ainda acha que podem ocorrer surpresas até o final de dezembro.
 
Mais otimista ainda, ele acredita que o Brasil é um dos poucos países do mundo que ainda podem inventar o seu futuro. E que o Brasil teria uma vocação grandiosa, de se tornar no século 21 tudo o que Hollywood foi para o mundo no século 20 – ou seja, um modelo que formatou culturas, comportamentos. Ele só não sabe se esta seria mais uma daquelas vocações que o País não conseguiria realizar.
 
Mesmo não indo tão longe, Cacá imagina que se pode fazer muito para que o cinema caminhe melhor no Brasil, admitindo e absorvendo as diferenças, tornando a economia do setor menos arriscada.
 
Entre altos e baixos, ele não desistiu. Está preparando um filme sobre o poema O Circo Místico, de seu conterrâneo, o poeta alagoano Jorge de Lima – para ele, o maior poeta da língua portuguesa depois de Camões.
 
Nas horas vagas, poucas, corta o livro de memórias, que chegou a "impublicáveis" 900 páginas. Até o final do ano, quer chegar a 450. Tomara que seja logo publicado, a memória do cinema brasileiro agradece.

O teatro cinematográfico de Bob Wilson

Deixo de lado por um momento minha área para falar de teatro, tocada que estou pelo impacto do belíssimo espetáculo A última gravação de Krapp, o texto de Samuel Beckett encenado e dirigido por Bob Wilson, que é também seu ator, no Sesc Belenzinho-SP.
 
Não é descabido pensar em cinema ao ver a peça, em muitos sentidos. Para começar, pelos efeitos da iluminação, campo em que o veterano Wilson é mestre. Os pingos de chuva criados pela luz chegam quase a molhar o público, tamanha a impressão de verdade que passam.
 
A maquiagem também assume suas pegadas cinematográficas. Se o rosto branco de Wilson remete de imediato ao teatro butô japonês, não deixa de incorporar referências ao cinema mudo, especialmente a Buster Keaton – que seria um intérprete magnífico do velho Krapp. Além disso, a maquiagem cria ilusões de ótica que, dependendo da luz, fazem pensar num macaco – uma impressão que as bananas que aparecem no começo reforçam ironicamente.
 
Os sons são usados magnificamente para demarcar climas, intervalos.
 
Mais do que tudo, a peça afirma a fé na palavra, a ponto de fazer a plateia esquecer que está diante de um objeto quase arqueológico, um gravador de rolo, instrumento que permite a Krapp dialogar com os diferentes tempos de si mesmo e recapitular suas memórias.
 
O humano, o espantosamente humano, é o que fica como vestígio na nossa memória de público, ao sair de um momento assim.

A realidade na ordem do dia

Uma coincidência feliz de datas aproximou o relançamento – ainda que limitado – de Cabra Marcado para Morrer, de Eduardo Coutinho, em versão finalmente restaurada, e a estreia de Xingu, de Cao Hamburger.
 
Num momento em que o País, felizmente, vive uma euforia econômica e atrai uma justificada atenção do mundo, os dois filmes cumprem magistralmente o papel que cabe a uma cultura viva – refletir sobre as mazelas, as tragédias, as fraturas, as contradições, os absurdos. Ou seja, sobre o que ainda falta a gente concretizar como povo e nação.
 
De vários modos, os temas de Cabra... e Xingu se tocam, já que ambos tratam da torrente de sangue que historicamente se espalha no rastro da conquista da terra brasileira – o primeiro abordando a chacina dos camponeses pobres, o segundo, dos índios.
 
Caçados implacavelmente no faroeste da vida real da expansão das fronteiras econômicas, os índios vêm merecendo uma série de belos filmes, que respeitam sua especificidade tão necessária: Serras da Desordem, de Andrea Tonacci; Corumbiara, de Vincent Carelli (integrante do imprescindível projeto Vídeo nas Aldeias, em que também os próprios índios realizam seus filmes); Paralelo 10, de Sílvio Da-Rin, e Coração do Brasil, de Daniel Solá Santiago, dois documentários exibidos recentemente no É Tudo Verdade, assim como a versão restaurada do Cabra.... Coração do Brasil, aliás, dialoga intensamente com Xingu, este uma intensa saga ficcional sobre os não menos imprescindíveis irmãos Villas-Boas.
 
A questão indígena, o desmatamento e o tema da terra entram de soslaio em Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios, de Beto Brant e Renato Ciasca – estreia dia 20 de abril –, que não se nega a achar-lhes espaço como contexto e raiz de sua intensa e trágica história de amor.
 
Sendo realista sobre todos esses temas candentes da realidade brasileira, não sou pessimista. Um olhar atento sobre todos estes filmes detecta não só a insistência da violência como também a persistência de quem a enfrenta e procura suas soluções. Por mais imperfeita e desigual que possa ser essa luta, ela também nunca se esgota.

Procuram-se roteiristas

A arte de escrever para o cinema está morrendo?
 
A morte de grandes roteiristas, como o italiano Tonino Guerra, hoje, e Suso Cecchi D’ Amico – que se foi em julho de 2010 – parece reforçar essa impressão. Até porque ambos assinaram tantos e tão bons filmes, com os melhores diretores, italianos como eles, ou não.
 
De todo modo, sobram alguns mestres dessa arte, como o francês Jean-Claude Carrière, para manter o pódio dos grandes escritores do cinema. Escritores que não eram diretores, ou só o foram ocasionalmente. Aliás, falando em Carrière, uma das grandes atrações do próximo É Tudo Verdade é um documentário sobre ele, roteirizado por ele mesmo: 250 metros, do mexicano Juan Carlos Rulfo.
 
É mais do que normal que muitas vezes se funda essa figura do diretor e do roteirista. Há listas infinitas desses profissionais que atuam conjuntamente nas duas áreas, de Woody Allen a Paul Thomas Anderson, nos EUA, passando pelo canadense Denys Arcand, o belga Lucas Belvaux (que ainda acumula a função de ator), a francesa Agnès Jaoui (até mais atriz do que diretora e roteirista). Lista infinita!
 
Não quero aqui erguer fronteiras dentro de uma arte que depende tanto da cooperação quanto o cinema. Só estava pensando se a escrita do cinema continua a ser atraente como profissão.
 
Alguns contemporâneos continuam preferindo mais escrever, embora eventualmente até dirijam filmes. Caso do norte-americano Charlie Kaufman, que assina algumas das histórias mais originais do nosso tempo, Quero ser John Malkovich, entre muitas outras escritas mais recentemente, como Sinédoque – Nova York, direção sua.
 
Outro que me ocorre é o tcheco-britânico Tom Stoppard, também dramaturgo e escritor, e seu originalíssimo Shakespeare Apaixonado. Também diretor, outro britânico, Christopher Hampton, brilha nas histórias que escreveu, citando algumas, Ligações Perigosas (baseado em sua peça), Carrington – Dias de paixão e o ainda inédito Um método perigoso, de David Cronenberg.
 
Uma mulher que tem chamado minha atenção é a norte-americana Diablo Cody – de cara, venceu um Oscar pela comédia esperta Juno e assina o roteiro de outro filme bem original que vem por aí, Jovens adultos.
 
Tem brasileiro nessa lista? Muitos. Aliás, uma das melhores coisas da Retomada dos anos 90 por aqui foi contribuir para profissionalizar mais os roteiristas. O veterano chileno-brasileiro Jorge Durán vem de antes desse tempo, mas continua afiado. Bráulio Mantovani, Luiz Bolognesi, Adriana Falcão, Marçal Aquino e Di Moretti são outros que não fazem feio na modalidade.