Neusa Barbosa
Celulóide Digital
O poder dos sindicatos no Oscar
- Por Neusa Barbosa
- 30/01/2012
Com o prêmio de melhor ator dado pelo Sindicato dos Atores da América (SGA) ao francês Jean Dujardin, protagonista de O artista, parece estar se fechando o círculo que pode consagrar no Oscar 2012 este surpreendente azarão francês, que homenageia o cinema de antigamente cometendo a ousadia de conservar-se mudo e preto-e-branco. O prêmio a Dujardin somou-se ao troféu de melhor diretor dado pelo Sindicato dos Diretores da América (DGA) ao também francês Michel Hazanavicius – batendo medalhões nativos como Martin Scorsese, Woody Allen, Alexander Payne e David Fincher - e à sagração de O artista como melhor filme na premiação do Sindicato dos Produtores da América (na qual o poderoso Steven Spielberg pelo menos coletou seu prêmio de melhor animação por As aventuras de Tintim).
O poder destes sindicatos no Oscar decorre de compartilharem com a Academia de Ciências e Artes Cinematográficas boa parcela de seu corpo de eleitores – o que, em tese e pela experiência de anos anteriores, sinaliza que a premiação do Oscar segue de perto as escolhas destas entidades sindicais.
Antes que alguém ache que os brios nacionalistas que costumam conduzir o Oscar terão enfraquecido, caso a premiação principal se confirme para O Artista, é bom lembrar que o filme é uma explícita homenagem ao cinema norte-americano em seus primórdios. O fato de ser mudo até o finalzinho, quando finalmente ouve-se um som, apenas descomplica a questão da barreira linguística. E prova mais uma vez que a linguagem do cinema independe de idioma.
Ainda assim, se O artista levar mesmo o Oscar de melhor filme, no próximo dia 26, não deixará de ser ironia lembrar que, no começo de 2003, vários americanos patrioteiros e enfurecidos derramaram vinho francês na rua, em protesto pela oposição da pátria de Catherine Deneuve e Gérard Depardieu à guerra do Iraque. Nada como um dia após o outro para os rivais se reencontrarem na arte que foram mesmo os franceses que inventaram – embora eventualmente os norte-americanos ainda disputem essa primazia...
Surpresas e ausências do Oscar 2012
- Por Neusa Barbosa
- 24/01/2012
Boas surpresas e algumas ausências imperdoáveis nas indicações ao 84º Oscar. Entre as surpresas positivas, a volta de Woody Allen às indicações top, com melhor filme/diretor/roteiro original para o delicioso Meia-noite em Paris, um dos filmes mais imaginativos do ano passado; a dupla indicação do drama iraniano A Separação (foto), um dos melhores roteiros dos últimos tempos; a indicação como melhor atriz para a jovem Rooney Mara, realmente a melhor coisa de Millenium – os homens que não amavam as mulheres, de David Fincher; a volta de Glenn Close, um bom tempo estrelando seriados de TV, numa indicação como melhor atriz (por Albert Nobbs).
Não foi surpresa, mas foi coisa boa, a consagração do filme francês O Artista – mudo, preto-e-branco e uma gracinha. Pode fazer história como o filme francês (e mudo) com mais indicações (10) e mais prêmios de toda a história do Oscar. Será?
Boa notícia também foi ter Terrence Malick e o belíssimo A árvore da vida nas categorias principais, filme e diretor. Gostaria também que Brad Pitt tivesse sido indicado por este filme, não por O homem que mudou o jogo, bem como Jessica Chastain (lembrada como coadjuvante por Histórias cruzadas). Mas é claro que os dois são atores magníficos e estão bem nos dois trabalhos; é uma questão de estilo e de grau.
Entre as ausências, a lamentar como imperdoável a da inglesa Tilda Swinton, em trabalho impecável no drama Precisamos falar sobre o Kevin, da escocesa Lynne Ramsay. E também de Leonardo DiCaprio, que faz um trabalho magistral na pele do chefão do FBI no drama J. Edgar, de Clint Eastwood, que aliás passou totalmente em branco aqui.
Nas animações, senti falta de Rio, do brasileiro Carlos Saldanha, e de As aventuras de Tintim (foto), de Steven Spielberg. Qualquer um dos dois entraria melhor no lugar de O gato de botas, um dos piores roteiros de animação dos últimos tempos.
Nos filmes estrangeiros, o “erro” fica por conta do israelense Footnote, uma indicação inexplicável, a meu ver.
Mais ausências sentidas: Shame, o vigoroso drama do britânico Steve McQueen, e seus atores, Michael Fassbender (premiado em Veneza) e Carey Mulligan. E também Um método perigoso, do canadense David Cronenberg, que revive com intensidade a amizade entre os dois pioneiros da psicanálise, Sigmund Freud (Viggo Mortensen) e Carl Jung (Michael Fassbender). Os dois atores, aliás, deveriam ter sido indicados também por este trabalho.
Em tempo: não vejo a hora de conferir A invenção de Hugo Cabret, o campeão de indicações (11), de Martin Scorsese.
E fico pensando se Mahmoud Ahmadinejad vai deixar o diretor Asghar Farhadi, de A separação, participar da festa do Oscar.... Tomara que sim, mas os precedentes no Irã, para os cineastas, têm sido péssimos.
Meus melhores filmes estrangeiros de 2011
- Por Neusa Barbosa
- 23/12/2011
Seguindo o balanço 2011, hoje falo dos estrangeiros. O ano foi excepcional em alguns dos maiores e melhores festivais do mundo (Cannes e Veneza, certamente) e, em parte, essa qualidade se refletiu aqui. Mas ainda falta chegar muito ao nosso circuito;Meus melhores filmes brasileiros de 2011
- Por Neusa Barbosa
- 22/12/2011
Fechando o balanço do ano, vou começar pelos filmes nacionais. E não quero me limitar aos tradicionais 10 melhores – vou ficar com 15 porque não quero deixar nenhum destes de fora. Abaixo a ditadura matemática!
Ainda assim, vale o comentário de que tanto reclamam que os cineastas brasileiros não conseguem atingir uma chamada “simplicidade argentina”. A melhor resposta para isso me parece que está em O Palhaço (foto ao lado), de Selton Mello – o jeito mais brasileiro de ser simples no cinema e dar o recado com uma ternura e humor todos nossos; Elvis & Madona, de Marcelo Laffite, uma delícia de comédia que toca em tantos temas escorregadios e perigosos e se sai esplendidamente bem; e Malu de Bicicleta, de Flávio Tambellini, o romance mais gracinha do ano, com a musa Fernanda de Freitas.Mais salas, mais filmes, viva a diversidade!
- Por Neusa Barbosa
- 17/11/2011
Mostra 2011 - um balanço
- Por Neusa Barbosa
- 04/11/2011
As pontes da Mostra, entre Nelson Rodrigues e "Iracema"
- Por Neusa Barbosa
- 01/11/2011
As mulheres que eu quero ser quando crescer
- Por Neusa Barbosa
- 21/10/2011
Vivemos uma época de modelos de beleza plastificados, usando toda tecnologia para tornar-nos idênticos. Uma amiga dizia, com razão, quando via um grupo de menininhas loiras, cabelos esticados: “Lá vem a clonagem humana”. E ainda não existia a chapinha japonesa...